terça-feira, 18 de setembro de 2012

E, de repente...a gente sente
que a ALMA parece desaparecer
de debaixo do seu sacrário...

E a folhagem das árvores

germinadas,
vivas,
crescidas,
enfeitadas de AMOR pela TERRA,
em suas coloridas flores....
a folhagem...essa... acaricia-nos
com a aragem,
num suave tempestuoso suspirar...

Tremia, naquele dia

em que fiz amor contigo!

Pegaste na tua Flor com amor...

na leveza brutal da ânsia de despertar-me!

Reconheci-te, AMOR...

sem nunca te ter conhecido!
SONHEI...OU VIVI?
Não...foi verdade!
TUDO falava de ti
no mais secreto de MIM......
o banho, a toalha pelo chão...
a máquina de barbear...um pedaço de sabão...
um chuveiro a pingar...um cheiro de TI
em MIM...uma mística no ar...
A tua roupa
por ali , assim...deixada,
vou buscá-la!......
Pedaços de TI para MIM...

Na mesinha da cabeceira

junto ao nosso candeeiro,
estava um presente ligeiro
de valor inestimável...A tua letra...palavras do teu sangue vivo,
diziam somente assim:"...adoro-te, querida...pensa e espera por mim"
Eu penso e espero ,sim!

Dar-te-ei, com a mesma pureza,

essa flor que me puseste na mesa!

"Até já, tesouro meu!"


Não importa que voe o tecto...

que se abra uma janela...
Eu vou estar ao pé dela
e ouvir teus passos,voando para mim...
MEU DEUS!Abro a porta!E
é o fim......
de um novo princípio,
doce,
refrescante, normal como o ar que respiro...
After -shave a respirar suor
de AMOR....
Esfrego os olhos, do cansaço
que vai reviver,
perdurando no DAR-ME A TI, meu senhor!

Marialisa Ribeiro
beleza estonteantemente
imaculada
cabelos fogo
que imolas teu corpo
assentada estás
deixando transparecer
o suave seio
com que alimentarás vida
rara pulcritude
num misto de vermelho
e creme ameno da tua pele
que suavemente acaricio
com minhas rudes mãos
nesta perfeição chamada
de imaginação
contornos pintados por um pincel
cujos pelos se unificaram
para delinearem linhas perfeitas
de costas te postas
escondendo o pudico
que de frente escondes
apartando os cabelos
miras a espera de alguém
que tarde em vir

jorge morais
 
 
Lágrima de Dor

Olhos...
Caem lágrimas,
Coração sai,

Rosto rolam,
Na alma ficam.

Sofrimento negro

Oceano inseguro,
Turbulento.

Laço roubado,

Gritos no silêncio,
Infinita distância,
Solidão das trevas,
Angústia do anoitecer.

Cansadas...

Derramam sangue,
Dor húmida,
Veneno ardente,
Poemas presos
sem vazão,
Palavra líquida,
Fluida,
Tumores internos,
Fortes...

Suportar...

Posso tentar...
Diminuem,
Cristalizão,
Despedida,
Templo de emoções,
libertação.

Lágrimas de poeta,

De Sonho e Amor,
Cessarão.
Amanhecer de sol,
Verdadeiro amor,
Aflora e cresce.
 


Ceu Pina


ANATOMIA DO ABSTRATO

Apetece sentar em frente a um espelho.
Produzir uma luz ambiente de sonho.
Tons quentes, ate reluzentes.. e eu.

Reflexo de area amarelecida pelo tempo.
Uma biblioteca, globo terrestre e gargulas.
Objectos de simbologia dubia, atraentes.
Um cadeirao de epoca, quase trono...
Um espelho onde a prata se esvai,
atraente no bafio que imita, descolada.
O veludo verde onde me sento, macio
os punhos com garras de leao douradas,
uma caveira de cristal, que me fita a alma.
Olho o meu outro eu... algo distorcido,
peremptorio e pleno da minha atitude.
Completamente nu, na extravagancia
do rei sentado, dirijo o discurso... a solo.
A anatomia do abstrato, uma peca sem palco.
Sem audiencia que nao eu proprio, receio.
O mais cruel critico e desconfortante
personagem, olha-me de frente... apatico.
Sem uma palavra que mova a feicao imovel,
descarrego cruelmente, as visoes surreais.
Gestos e alegorias, palavreado obsceno
que me acorde de mim proprio... uma lagrima.
A anatomia do abstrato, pertence-me por direito.
Envergonho-me do que nao digo, por pudor.
Descarrego o mundo na reflexao da minha imagem.
Mexo o direito com o verso... desatino.
Comunico em laivos de psicose apurada,
a loucura que absorvo, com olhos esbugalhados.
Nao compreendo o obvio. Estou invertido...
Como e estranha afinal a imagem...
Um local de sonho, na cor certa do tempo
mas o momento invertido da alma... doi.
A anatomia do abstrato absorve-me.
Afinal serei eu o espelho, e critico
a ambiguidade de estar vivo... e pensar.
Serei eu absolutamente inverso?
Serei eu apenas o meu reflexo?

  Carlos Lobato
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Carlos Drummond de Andrade

Uma tarde recheada de harmonia e poesia!!!!
Desabitado

Não são lágrimas
Os instantes em que choro
Na transparência que recebemos

No fogo que faz o luar
Transpiro neste corpo despido
Sem braços ou dedos
Que se perdem
No silêncio das paredes
Nas sombras que habito
No morrer iludido
Que o passo deixa passar
Sem andar
Há muito que a minha nuvem
Se esvaziou em chuva
Nas lágrimas
Que molham o corpo já nu
Desvanecido sem sentido
Desabito-me

Por Carlos Margarido