quinta-feira, 13 de setembro de 2012


O MEU VESTIDO VERMELHO
Na primeira noite em que te conheci
Vestia meu vestido vermelho
Era uma noite de verão quente
O meu vestido vermelho despontava ao longe
Baloiçando ao vento o meu laço de cetim
O tecido era tão leve e macio
Moldava meu corpo
Notava-se a auréola dos meus seios
Que o pano roçava de leve
Minhas pernas marcavam passos firmes s delicados
Em ritmos sensuais delineando-me as ancas
Estavas ali parado a me olhar
Sonhando nadar em meu corpo, e nele te afogar
Quis dizer-te isso, sem conseguir
Julguei poder chamar tua atenção
Com os olhos fixos em mim , te vi sorrir
E foi nesse momento que pedi aos céus
Chance para te voltar a encontrar!


Nazaré G. (Naná)
 
“NEM SEQUER TE BEIJEI”

Minha querida! Trago os olhos vagos
Cegos do sol e dos encantos teus
Tão cheios de água, que semelham lagos

Onde rebrilha a santa luz dos teus!

E amando-te assim com ânsia e com desejo

Atua boca ri com alto desdém!
Porquê, eu sei. Sou pobre; bem o vejo…
Poeta apenas, nunca fui ninguém…

Vestido em luto e rôto sem destino,

Para sentir o teu olhar divino
Quantas vezes me sonho Rei!

Mas olho a minha roupa de estudante

E o sonho passa, cavaleiro-andante
Meu amor, nem sequer te beijei!

Alfredo Costa Pereira
 
Eu contigo aprendi
O que é estar apaixonada
Teu amor dentro de mim
faz correr toda a respiração,

Neste mundo não há nada
que não me lembre de ti
Sempre estás entre meus pensamentos
Sonho com a nossa intimidade,

Hoje não estás ao meu lado
Mas estás dentro de mim,
Por ti estou apaixonada
Não consigo separar-me
nem em pensamento
Eu não sei viver sem ti
Sou uma casa vazia
Com a tua ausência,
És a sombra e a luz dos meus dias

Ao pensar que me apaixonei
Ás vezes quero gritar
Toda a minha felicidade
Porque quero-me entregar
Entre as copas do teu amor
Tragos sorrisos de outros ares
Por estar apaixonada

Quando o amor disse oi
e me passou bem na frente
O teu corpo largou um fogo que o meu corpo acariciou
E as minhas mãos hoje saciam a tua saudade
é o teu nome que desvarei a alma
com tanta intensidade
e eu digo “ eu amo-te”

Sonia Pinto

sábado, 8 de setembro de 2012

Mas o tempo, o tempo caleja a sensibilidade.
Machado de Assis
Resto de um excelente fim de semana!!!
Dois corpos!!

Meu corpo tocaste...
Te senti!
Hoje com a minha memória,
por ele percorri!
Foi como sentisse tuas mãos...

Tão ávido...,

mas não sei se descontente
por não encontrares em mim
o que procuravas,
mas eu sem surpresa
e com o que me davas,
aceitei!
E o que me deste,
eu te devolvi!

Quando dois corpos se juntam,

querem lograr
o que há muito
estavam a desejar!

Só mais tarde a compreender

o que a vida quis juntar,
dois corpos em perdição
por um lado a luxuria
por outro lado o coração!

Mas se algum deles,

mais e mais vai querer
o que mais idealizou,
posso crer com ou sem razão
que um dia, um deles vai ceder!

E vão deitar tudo a perder

por não ser sua ilusão
e esse lume da paixão
se apagar,
eu sei,
que não vai voltar arder!

Porque por vezes perder,

é mais fácil,
que lutar,
para vencer!!


Maria Morais de Sa
 
A memória das palavras

Das palavras saem gumes afiados que deixam riscos de sangue em quem passa.
Nos passeios labirínticos da vida, sementes multiformes, vocábulos soltos, simples argumentos de inutilidade.
Ramos altos de acácias desejam o princípio do céu sem deixarem, nunca, a terra onde se fixaram. Das raízes, disse-se. Do chão que as prende, sabe-se.

Temos dois braços, cinco dedos em duas mãos. São verbo, substantivo e sujeito. Dos pés, os passos que voltam sempre ao mesmo lugar. Distante. Daqui. De sempre e de nunca. Agora.
Labiríntico desejo de partilha, segurando com a força do hábito o saber da perda, a cada instante, infinitamente distante. Infinitamente longe de qualquer gesto. Infinitamente gasto.
Parto de mim. Um parto que é nascer e ir. Chegar e voltar no mesmo tempo. Uma viagem que não tem começo nem acaba. Nunca. Palavra definida pela sua incompletude. Trajecto já acabado quando ainda sequer começou.
Porque não voam as árvores? Porque se beiram nos caminhos, estáticas, desejando o céu, só porque, de altas, não veem o chão em que pisam, com a sua sombra dilatada pelo sol?

- Tem uma árvore, sombra de noite?


Migram os pássaros, as nuvens, os homens e as suas fronteiras. Migram as marés, os barcos e os peixes que neles viajam, dentro e fora. Dentro, porque é a sua natureza de ser peixe. Fora porque é da natureza do homem viver do seu infortúnio. Mas na superfície da vida, de todas as vidas, nada acontece.

Quando um beijo nasce, é já um gémeo de outro. Quando um beijo morre é sinal de não haver nunca nascido. Agora não é um tempo. Agora é um lugar. Intemporal e seguro, como seguras são todas as palavras caladas. Estas não sangram por fora. Estas são lugares escondidos pela língua, pelos dentes, pela boca fechada. Mas elas crescem, surdas e infindas, até que o grito as solte. Depois já é tarde de mais.
Fecham-se os caminhos. Caem as árvores. Fogem os pássaros e os peixes, e até as marés se aquietam, olhando de soslaio a lua que as governa.
A lua, oh a lua. Esse sol noctívago que desassombra os amantes fugidos às leis que os prendem. De nenhum lugar. Para lugar nenhum.

- Sabias que as árvores dançam, nocturnas, nos caminhos que cercam?


Luis Alberto Martins