quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Desabitado

Não são lágrimas
Os instantes em que choro
Na transparência que recebemos

No fogo que faz o luar
Transpiro neste corpo despido
Sem braços ou dedos
Que se perdem
No silêncio das paredes
Nas sombras que habito
No morrer iludido
Que o passo deixa passar
Sem andar
Há muito que a minha nuvem
Se esvaziou em chuva
Nas lágrimas
Que molham o corpo já nu
Desvanecido sem sentido
Desabito-me

Por Carlos Margarido
 

O MEU VESTIDO VERMELHO
Na primeira noite em que te conheci
Vestia meu vestido vermelho
Era uma noite de verão quente
O meu vestido vermelho despontava ao longe
Baloiçando ao vento o meu laço de cetim
O tecido era tão leve e macio
Moldava meu corpo
Notava-se a auréola dos meus seios
Que o pano roçava de leve
Minhas pernas marcavam passos firmes s delicados
Em ritmos sensuais delineando-me as ancas
Estavas ali parado a me olhar
Sonhando nadar em meu corpo, e nele te afogar
Quis dizer-te isso, sem conseguir
Julguei poder chamar tua atenção
Com os olhos fixos em mim , te vi sorrir
E foi nesse momento que pedi aos céus
Chance para te voltar a encontrar!


Nazaré G. (Naná)
 
“NEM SEQUER TE BEIJEI”

Minha querida! Trago os olhos vagos
Cegos do sol e dos encantos teus
Tão cheios de água, que semelham lagos

Onde rebrilha a santa luz dos teus!

E amando-te assim com ânsia e com desejo

Atua boca ri com alto desdém!
Porquê, eu sei. Sou pobre; bem o vejo…
Poeta apenas, nunca fui ninguém…

Vestido em luto e rôto sem destino,

Para sentir o teu olhar divino
Quantas vezes me sonho Rei!

Mas olho a minha roupa de estudante

E o sonho passa, cavaleiro-andante
Meu amor, nem sequer te beijei!

Alfredo Costa Pereira
 
Eu contigo aprendi
O que é estar apaixonada
Teu amor dentro de mim
faz correr toda a respiração,

Neste mundo não há nada
que não me lembre de ti
Sempre estás entre meus pensamentos
Sonho com a nossa intimidade,

Hoje não estás ao meu lado
Mas estás dentro de mim,
Por ti estou apaixonada
Não consigo separar-me
nem em pensamento
Eu não sei viver sem ti
Sou uma casa vazia
Com a tua ausência,
És a sombra e a luz dos meus dias

Ao pensar que me apaixonei
Ás vezes quero gritar
Toda a minha felicidade
Porque quero-me entregar
Entre as copas do teu amor
Tragos sorrisos de outros ares
Por estar apaixonada

Quando o amor disse oi
e me passou bem na frente
O teu corpo largou um fogo que o meu corpo acariciou
E as minhas mãos hoje saciam a tua saudade
é o teu nome que desvarei a alma
com tanta intensidade
e eu digo “ eu amo-te”

Sonia Pinto

sábado, 8 de setembro de 2012

Mas o tempo, o tempo caleja a sensibilidade.
Machado de Assis
Resto de um excelente fim de semana!!!
Dois corpos!!

Meu corpo tocaste...
Te senti!
Hoje com a minha memória,
por ele percorri!
Foi como sentisse tuas mãos...

Tão ávido...,

mas não sei se descontente
por não encontrares em mim
o que procuravas,
mas eu sem surpresa
e com o que me davas,
aceitei!
E o que me deste,
eu te devolvi!

Quando dois corpos se juntam,

querem lograr
o que há muito
estavam a desejar!

Só mais tarde a compreender

o que a vida quis juntar,
dois corpos em perdição
por um lado a luxuria
por outro lado o coração!

Mas se algum deles,

mais e mais vai querer
o que mais idealizou,
posso crer com ou sem razão
que um dia, um deles vai ceder!

E vão deitar tudo a perder

por não ser sua ilusão
e esse lume da paixão
se apagar,
eu sei,
que não vai voltar arder!

Porque por vezes perder,

é mais fácil,
que lutar,
para vencer!!


Maria Morais de Sa