domingo, 19 de agosto de 2012

Como a chuva de ontem...

Era o tempo de molhar o céu
das mil águas em cinco janelas
das noites de bréu marinho
das melodias tangentes da dor

escrevia com o luar pressentido
palavras de negros nevoeiros
nas brechas de um tempo perdido
as sombras que tapavam a alma

pensara-o o tempo do fim
em que os rios corriam ao contrário
nas margens gastas de corações
perdidos na água da fé esquecida

mas os corações que cintilam
nessas águas outrora benzidas
não morrem nas ervas escondidas
nem nas pedras que ladeiam os caminhos

o amor desliza de mais longe
do universo onde todas as flores
são poemas para amar em horizontes
infinitos na doçura do azul na voz
era afinal o princípio do sentir
de todas as emoções adormecidas
era o princípio do tempo onde
todo o tempo se condensava num instante
todo o mundo ali despertava nas palavras
escritas que se liam nos lábios
de todos os amores... de todos os poemas

Eram os lábios que beijariam... como as palavras
primeiras... profundamente...

quando as estrelas anunciam
um final no céu cinzento
trazem já a luz que escreve
o início de um outro... grandioso...

O princípio de todas as coisas...

Paulo Lemos
 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

"O verdadeiro amor é aquele que permanece sempre, se a ele damos tudo ou se lhe recusamos tudo."
Johann Goethe
Com os desejos de um excelente feriado!!!
Cartas de amor

Ao amanhecer

Penso em ti
Sonho mais doce
Que vivo e vivi...

Em meus olhos,

É o teu olhar
Que me clareia os passos,
Ao despertar...

Teu sorriso é meu zelo,

Teu zelo, meu encanto.
Pelo brilho dos meus olhos,
Encho minh'alma de canto.

E pra encantar teu viver,

Cubro meus dias de cor.
Contos e cartas escrevo,
Pra registrar este amor.

Trazes-me à alma,

Em tua companhia,
Doçura e calma,
Pura harmonia.

És refúgio de paz,

És torrente de paixão.
Teu terno cuidado traz
Em teu peito, meu coração.

Nas páginas da tua história,

Meu amor, há muito escrevi.
E se me buscaste agora,
É que por certo, mereci!

E enquanto palavras houver,

Para plantar uma flor,
Hei-de semear teu viver
Com longas cartas de amor.

E vou cultivar a alegria

Que em nosso encontro pousou,
Qual borboleta em seu voo,
Neste Jardim de Poesia...


Tixa
 
Cartas de Amor

Cartas de amor, não te escrevo
Pois não sei o teu endereço
Podia pedir-to mas não devo
Querer saber demais tem um preço

Não sei se vives sozinho

Ou se te sentes abandonado
Podes ter quem te dê carinho
E por ela seres muito amado

Deixo-te apenas o remetente

Num envelope extraordinário
E se um dia achares conveniente
Colocarás tu mesmo o destinatário

E então aquela carta guardada

No cantinho da minha memória
Somente para ti, amor, será enviada
Recordando os nossos dias de glória.
 
Cristina Russo
 
Cartas de Amor

Acabei de receber

Mais uma carta de amor
Depois de ler e reler
Parece ser de uma flor

Pela escrita mal talhada

É carta de amor de loura
Estou a matar a charada
E a descobrir a autora

Dona Helena, mas que horror

Que diabrura sem par
A escrever cartas de amor
E esquecer-se de assinar.

- j a godinho -
 
  Cartas de Amor

Não quero Cartas de Amor

Só quero viver em paz
Obedecer ao meu Senhor
Vá de retro Satanáz

Afastai-vos da mulher

Essa filha da Serpente
Porque só o que ela quer
Perder a vida da gente
 
Ubirajara Aparecido