segunda-feira, 30 de julho de 2012

Meditando com as garças

Nas margens daquele lago de sonhos,
Desfilam altivas, nas suas longas pernas,
Garças multicolores das minhas ilusões;
Seu caminhar desengonçado,
Lembra-me o balanço da própria vida
E no desequilíbrio dos sentimentos,
Que se insinuam falsos e cínicos;
Vejo nas suas penas de diversas cores,
As cores negras das penas que a mentira causa
Na falsidade das emoções,
De gente que sorri, ofendendo
Que promete e jamais cumpre,
Que abraça friamente, no orgulho do seu ódio;
E as garças impávidas e indiferentes
Aos meus pensamentos,
Buscam com os seus longos bicos,
O sustento que a natureza lhes oferece,
Na luta pela continuidade da vida,
Porque as aves não odeiam,
Talvez só saibam voar e amar.

José Carlos Moutinho

domingo, 29 de julho de 2012

"A mais lamentável de todas as perdas é a perda do tempo."
Philip Chesterfield
Tenham um Santo Domingo!!!
QUERO SER A MINHA SOMBRA

Nao tenho as palavras necessarias,
que vistam a pedra nua, que fluiu
desse teu ventre polido por mim.
Meus dedos foram senhorios,
do feudo da minha felicidade.
Sentiram o calor do Sol,
na tua pele sedenta de sombra...
A minha sombra, que te cobria.
Ha fogo e agua escritos aqui...
Tenho o veludo e areia agrestes,
que me tocam ao mesmo tempo,
em dor e sabor inigualaveis,
pelo prazer de te ter comigo.
Ha feridas que cicatrizo,
a cada fechar d'olhos...
que nao vejo, mas sinto!
Talvez... a ternura da sinceridade,
nao o seja... por isso escrevo.
Toco-te o rosto como petalas,
caidas de jardim inacabado.
Por sentir, por querer sentir.
Quero dormir sem que o sonho
me engane... quero-te a ti!
Se as palavras sao ocas...
Se o espaco e pouco e fragil...
Nao tenho as palavras necessarias...
Um so corpo e alma... cheio de tudo.
Desejos dimensionados ao que procuro,
na disfuncionalidade do que digo,
sera sempre ponto de chegada.
A ponto de partida, sera incognita.
Que complicado e afinal, ser tao simples.
Preciso de ser a minha sombra,
para que me possas entender.

Carlos Lobato
 
Ao teu lado invento o mar
Sigo os teus passos ainda
Desenhados na areia húmida e fria
Leito que nos acolheu
Nas carícias aveludadas
Que a lua passageira
Verteu em nossos corpos desnudados
Misturando com a brisa marinha
Um desejo ( in)contido
De beijos escondidos nas conchas…
Quero-me em ti não pela metade
Mas inteira…
…Hoje sou o teu barco
Fundeado nos teus braços
Que me acalentam
Sem demora os dias inquietados
Da tua ausência…
Partidas silenciosas
De palavras presas no peito…

Volto ao mesmo mar
Sigo os mesmos passos
Olho a mesma lua
E deixo que o sonho se solte
E mergulhe sem mágoa
No marejar das ondas a beijar meus pés…

Rosa Fonseca
 
Amizade...
É um jardim colorido
Arco íris florido
Névoa na planície
cisne que desliza
Pássaro ferido
São bolinhas de sabão
São pedrinhas coloridas
Na palma da minha mão.
São rebuçados de mel
que ás vezes sabem a fel.
Amizade...
É o céu azul
Estrelas a brilhar
São pássaros a voar
Voando de Norte a Sul

Fernanda Cabral
 
Amor ao vento

O amor é o que sinto
Amor é vento
É nuvem que voa
É um sonho tão leve
Desfaz-se como a neve.

Meu amor
É como vento se esvai
A vida dura um momento
Bem mais leve que o pensamento
O amor dura uma eternidade
Quando esse amor é de verdade.

Amor é paixão levada ao vento
É folha seca que cai
É flor na correnteza
É mentira ou certeza.

Amor sem estrutura
Uma pena caída
Da asa de uma ave ferida
Que o vento leva
De vale em vale
O amor o vento levou.

IRÁ RODRIGUES..