domingo, 22 de julho de 2012
Repouso
De que valem as minhas mãos
Se já não te posso tocar?
De que valem os meus braços
Se já não consigo te abraçar?
Na tua sombra repouso
Um corpo já cansado
E contudo já não ouso
Sair deste meu estado
Imóvel, eu permaneço
Retida num só pensamento
A tua ausência, não esqueço
Tudo sabe a sofrimento
Se me viesses buscar
Sei que não hesitaria
Por ti deixar-me-ia levar
E esta dor acabaria.
Cristina Russo
SIMPLICIDADE
Vou-me deitar aqui... agora.
Escolho este espaco para descansar.
A cabeca que se cansa pela vida.
O corpo que nao responde ao cansaco.
A Alma que coordena o meu equilibrio.
O Ego que me isola de todo o resto.
Quero descansar... agora.
Sentir que tudo gira a minha volta,
quieto... sem um unico gesto.
Sentir energias que me envolvam,
que me reanimem a vontade natural.
Quero ouvir Bach... fechar os olhos.
Voar na magia de som que absorvo.
Pintar uma tela com a ponta dos dedos.
Pequenos tracos que uno, certos
incertos, curtos e impressionistas.
Relaxo... em corpo fausto de carne,
mas leve. Leve como o vento.
Quero abrir os olhos, olhar
a simplicidade, que afinal existe.
Admirar-me que afinal e tao facil,
sentir-me como a folha que cai,
gozando o caos numa descida incerta.
Tocar o chao, indelevel e suave.
Sentir o cheiro a po humido salpicante,
pelas lagrimas de quem me segura.
Ao descer tao leve como agora,
finalmente descansei do mundo.
Vou-me deitar aqui... agora.
Neste espaco eleito, e descansar.
Carlos Lobato
:::VOANDO:::
Traço de sol, estrada de mar
soltam-se minhas asas de gaivota
dançando de roda lá o ar...
enrola-se a onda em cambalhota,
ergue-se o vento num doce soprar!
Escoa-se a tarde como areia
escorrendo pelos dedos devagar
entre a vazante e a maré cheia,
na doçura dum gesto de a mar
na alma, o canto da sereia...
Cheiro forte a duna e maresia
enche meu peito perfumadas sensações
envolve-me uma intensa melodia...
ao longe ribombam os trovões
riscando nos céus brilhos de poesia!!!
LLobo
PATHOS
Padeço de doença oftalmológica.
Os infinitos que vislumbro
são agora comparáveis
a lava vulcânica requentada
e cristais reduzidos a pó.
Não. Nada de extraordinário.
Asseguro que a exigência
é apenas sensorial
e quanto mais resignação
campeia entre sol e lua
mais se ergue o solo despeitado.
Padeço de doença parda.
A mesma que esconde
o brilho inigualável
da semente jogada
e me cerra os olhos
em serões sorumbáticos.
A convalescença é incerta.
Lânguida como cadela no cio
e de olhos no ábaco
conta as promessas nos vales
de rio seco e aluviões
como se a foz engolisse
a cromática dança de marés.
Esqueço panaceias
com a mesma convicção
das alquimias avulsas
imoladas no fogo celeste.
Já só me alimentam
o verde dos prados
e o azul que nunca sei
se é mar ou céu.
José Brites Marques Inácio
Eu tinha para mim,
Que não deveriamos desdenhar os afectos
Tinha para mim,
Que os corações batendo ao mesmo compasso
Enriqueciam a vida.
Ou melhor, eu até tinha para mim
Que a vida era o compasso de espera
Em que os corações ritmavam
E se organizavam em cadência perfeita.
Tinha para mim, tantas ilusões!
Mas deixei de as ter.
Porque para mim,
Mais vale ser, do que parecer.
(eu) Cristina Cebola
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