quinta-feira, 12 de julho de 2012

Oh! Se me beijasses…


Vivo no meu diário fechado…
Mas… quando as luzes deixam de brilhar-palavras,
sorrio na escuridão e saio desse casulo.
Caminho , descalça, pelo leito do rio,
sentindo a dureza dos seixos, que passeiam entre meus dedos.

No mundo perdido-dentro-de-mim,
vejo o olho cintilante do luar a banhar margens de vida
no voo das andorinhas, que regressam ao conforto do beiral.

Ao ver-te, sei de rios subterrâneos a correr nas grutas da terra
clamando por uma réstia de sol…
…navegar , é preciso!
Teus lábios brilham silêncio e molham-se nas grutas de águas profundas…

Oh! Se me beijasses …fundirias o pôr-do-sol com a energia
da minha madrugada!...e os campos de flores  a viverem entre
trigais, cheirariam a pão de aromas outonais!

Sinto a urgência da noite nos ramos que batem na janela,
empurrados pelas brisas dos desenhos da lua.
Há sons nocturnos
 a rasgar a neutralidade cósmica-da-força-da-minha-genética,
dolorosamente repousada no ruído dos sonhos .

Minhas mãos vagueiam, impacientes,
por essa janela-oráculo-acidental
virada para o firmamento-constante-azul!

Por onde anda o sangue do teu viver?
Quem corrompeu tuas veias de rios vermelhos
 a fluir
impetuosos, de álamos frondosos  circundados?

Oh! Se me beijasses…cerraria as pálpebras…cantaria desfolhadas
de cereal maduro…escreveria ,num poema, as frases que
não dissemos…viveria a força dos ramos agitados contra a janela,
que se abriria… à força da dimensão da alma!


Marilisa Ribeiro

Falo-te de mim
apagados os gestos
que me detiveram
os momentos;
falo-te de breves instantes
em que as mãos
se encantaram por si;
falo-te da esperança
- do que poderia falar-te? -,
em sossegar as vozes
que dentro de mim
gritam e se desiludem,
sem encanto
e sem premência.

Paula Raposo
 
Há um grito que emerge mudo na minha garganta
que aflora aos meus lábios
que dança nos cantos da minha boca
esperando dançar contigo

Há um grito mudo

gigante
pronto a eclodir dentro da tua
tão logo os teus lábios morram nos meus
tão logo te abandones
e te deixes levar
tão logo aprendas a voar
e deixes os teus sentimentos emergirem...

...tão logo madrugues em mim
com a mesma doçura com que o sol
se deita no mar...
Porque não é o tempo que conta
que passa voando
mas os momentos vividos
e o que gente passa voando sobre o tempo...

são reis


HÁ TANTO TEMPO…….

Há tanto tempo que não te sinto,
Que já nem sei se sei sentir-te….
Há tanto tempo que não te saboreio…
Que já nem sei se reconheço o teu sabor!
É tanto o tempo,
Que já nem sei........
Odores e toques olvidados,
Murmúrios perdidos no tempo
Sentimentos enclausurados,
Vontades acorrentadas!
Anseio renascer
No amar!
No tocar!
No voltar a sentir…!
Eu sei que o tempo,
Me vai dar tempo
Para o rejubilar dos sentidos,
Para o renascimento!

Tina Tinoco


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Melancolia
Maneira romântica de ficar triste.
Mario Quintana
 Uma Quarta Feira com muita poesia!!!!

"FIAT LUX"


Uma luz espreita para lá do escuro,
é um cristal,
uma pérola reluzente,
um vitral,
uma melodia,
um abraço constante,
uma teia em forma de pintura,
um sorriso rasgado.

Dou um passo em três andamentos
entre as vagas de um lugar-comum.

Sei de um azul diligente, de horas silentes,
de um parto constante,
de uma ave que cruza o firmamento.

E sei de uma melodia que enche os passeios
e as entranhas num brilho circular.
… A tal luz que espreita 
num caleidoscópio de cores,
espelhando a voz em cada pincelada.


© Francisco Valverde Arsénio