CÉU E INFERNO
Não sei se já te disse, meu amor, que um dia, talvez ainda distante,
haveremos de comungar da mesma estrada, e de pés nus, por caminhos de
pedras, chegaremos a um sítio, a que toda a gente chama de céu.
Mas para que queremos nós o céu, se eu tenho o céu da tua boca e a minha boca é o teu céu?
Continuemos percorrendo a nossa estrada, onde as flores não se cansam
dos nossos pés doloridos e onde os nossos corpos já dormem, no êxtase
perpétuo, da união de todas as coisas.
Fecha a porta, se é que há
portas no céu, e deixa-te ficar adormecido, no aconchego profundo dos
meus braços, que para sempre será o teu inferno…
Magnólia