Uma Imagem...Mil Sorrisos 2017


TODAS AS SEMANAS INTERPRETA-SE UMA FOTO DIFERENTE

“Uma imagem…Mil Sorrisos” dá-nos asas à imaginação. Regista um momento que fica eternizado na nossa memória. No entanto se virmos uma imagem, ela provoca-nos sensações diferentes. Como fazer chegar uma imagem a quem não a vê? Cada um tem a sua interpretação e esta pode valer um sorriso… ou melhor mil sorrisos a quem a lê." Cristina Russo - mentora da iniciativa.

NÓS FORNECEMOS A IMAGEM E VOCÊS ESCREVEM SOBRE O QUE ELA VOS TRANSMITE. 



A DIVULGAÇÃO É SEMPRE FEITA NO DIA ANTERIOR!
ATENÇÃO: SÓ SERÃO VÁLIDAS  AS PUBLICAÇÕES FEITAS NO PRÓPRIO DIA - DAS 00:00H ÀS 23:45H.  FORA DO DIA SERÃO ELIMINADAS

1 - Obrigatório identificar a iniciativa com: 
- ou nome da iniciativa
- ou foto da iniciativa
- ou ambos

2 - A foto a ser usada é sempre a fornecida por nós todas as semanas.

3 - Textos a publicar  no Grupo

Contamos com a participação e imaginação de todos!

 TODAS AS IMAGENS SÃO TIRADAS DA NET, COM AUTORES DESCONHECIDOS.




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 30-05-2017





Imagem a ser interpretada
Terça Feira 23-05-2017



-------metamorfose-------

Neste meu corpo
 de tranquilas águas
 meus braços de mil abraços
 são asas de cisne
 de suaves penas
 que te acolhem serenas
 com todo o carinho!

Fiz dessas asas...
 que são meus longos braços
 teu porto de abrigo
 teu leito
 teu ninho!

Quando te sento no meu colo
 mostro-te coisas bonitas
 que para ti fiz,
 e conto-te as mais belas histórias...
 de final feliz!

Serei para ti o CÉU
 todo feito de azul...
 se abrindo
 só para ver ...
 esse teu rostinho...
 sorrindo!

23-05-17 maria g.




IRREALIDADES

Meu corpo águas mil 
 Cachoeira onde te banhas
 Escondido nas asas do meu amor
 Protegido de qualquer mal
 Resta a esperança em cada dia
 Que vôes sem proteção
 Seguindo o rumo já sem medos 
 Desvendando os teus segredos
 Será a benção ideal
 Enfeitado de corais 
 Das cores do mar sem fim
 Entre as conchas onde te deitas
 Vais ouvir o meu chamamento 
 Ali naquele momento
 Voarás livre como os pardais 
 Até ao infinito da tua imaginação


Anabela Fernandes



MEU SONHO

Meu sonho 
 deitou-se ao relento, 
 adormeceu, 
 viajou 
 nas asas do vento…

Meu sonho 
 perdeu-se em lonjuras, 
 e percorreu alturas… 
desceu à terra
 subiu a serra… 

meu sonho 
 mergulhou no mar, 
 brincou, 
 sorriu, 
 pôs-se a cantar… 

Meu sonho lindo,
 cansado de viajar 
 acordou sereno 
 em ninho ameno 
 espelhado no mar…

Assim acordado 
 sentiu o afago 
 de um amor total… 
e deixou-se ficar 
 nesse enlevo 
 de aconchego… 
 …maternal…


Maria La-Salete Sá




MIL SORRISOS?
 23/5/2017
 *
 Mil sorrisos quem os tem?
 Eu bem os queria ter,
 Ter tantos quanto convém…
Sem nos darem padecer…!
 *
Eu ando sempre a pensar
 Em dar um sorriso meu…
Mas vejo o Mundo a penar…
E, creio não ser só eu…!
 *
A paz anda tão ausente…
Não se vê compreensão…
Como anda a nossa mente,
 Como anda o coração?
 *
 Andamos em calafrio…
Seja no frio ou calor.
 Gelam as águas do rio…
Sem vermos no Mundo amor…!
 *
Esta noite vou sonhar
 Com os carinhos precisos…
Para depois acordar,
 E, deixar-vos mil sorrisos!
 *
 Aida Dinis Sampaio
 In Escritos ao Correr da Pena

 @ Direitos de autor



Há nos teus gestos
 Nas tuas palavras
Uma completude que preenche em mim
 Todos os silêncios!


Rosa Marques




____ESMERO____

Num perfeito registo 
 Que eterniza um bem querer
 Uma mãe e os seus filhinhos
 Num momento de enternecer.
 Onde por sobre as águas de um lago
 Tão calmas como o momento
 Em que a mãe aconchega os filhos
 Num perfeito enquadramento.
 E nesta imagem encantadora
 Onde se sobrepõe o amor
 Fica derretido o meu coração
 Com os cuidados ao pormenor.
 Onde por debaixo da assa 
 A mãe cisne os aconchega
 Evitando assim que os filhotes
 Escorreguem ou façam asneira.
 Nada mais sensacional e divino
 Que transcende o ser humano
 E ver a genuinidade dos animais
 Neste planeta tão mal tratado.


Fátima Verissimo




ABRIGO DE ASAS. 

Cisne exuberante de brancura. 
 Desliza sob meus olhos. 
 Olho o lago, brilho água, seda pura. 
 Ali são felizes os seres de penas brancas. 
 Olho!
 De mente enternecida. 
 Coração na procura de coisas que pintem a ternura. 
 Riem crianças no tempo da inocencia. 
 Velhos bebem o sol, em sorvos pequeninos. 
 Mais um dia.
 Pois a taça já foi plena. 
 Hoje!? Hora a hora, dia a dia. 
 Andam apressados jovens pais. 
 Os filhos levam ao destino. 
 Bola brilhante de sabão, 
 O tempo de ser pequenino. 
 Enquanto medito, 
 A tela do lago se engrandece. 
 Passa a mãe cisne,
 Orgulhosa de sua prole. 
 Patinhos pequenos, 
 Ternura para o olhar. 
 Abrigo, afago de asas 
 Que a natureza, faz brilhar. 
 Porque mãe é mãe, 
 Tem sempre afago de asas para dar. 


Augusta Maria Gonçalves 





ASA PROTECTORA

Esbelto, vai o cisne deslizando
 Suavemente, com os filhotes ao lado,
 Sob a sua asa, os vai acariciando
 Num amor de mãe, forte e dedicado.

Assim se renova, a Mãe Natureza
 Com os novos seres que estão surgindo,
 Perpetuando no tempo, a sua beleza
 Num puro encantamento doce e lindo.

Novas vidas dia-a-dia vão brotando
 Cuidando delas os seus pais zelosos
 Neles os filhotes sempre confiando
 Sendo por vezes também, teimosos.

E com desenvoltura vão crescendo
 Para as suas próprias vidas, viver
 Os pais por perto para os, defender
 Sob a asa protetora, os escondendo. 

Vivem vidas felizes e descuidadas,
 Por vezes com perigosas aventuras
 Mas seus pais as trazem vigiadas
 E os protegem com muitas ternuras.

Vivendo rodeados por muito carinho
 Que seus pais lhes vão dedicando
 Mostram aos humanos, o caminho
 Que deveriam eles, estar caminhando.


António Henriques 




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 16-05-2017


NÃO HÁ FOGO MAIS ARDENTE…

Não há fogo mais ardente
 do que o vulcão que tens em ti,
 não há atração mais forte
 do que a que emana da tua alma,
 não há sol mais sorridente
 do que a felicidade da tua presença
 a olhar-me, a beijar-me,
 a despertar no meu coração
 toda esta ansiedade de te ter e de me dar
 nesta fúria, fogueira em chamas,
 sem vontade de se apagar

De Maria La-Salete Sá



NA CURVA DO POEMA”
Na curva do poema
Insinuo o amor
Deslizo nas palavras
Namoro a lua feiticeira
Chamo o verso
Entrego-me por inteiro
Nas tuas mãos carentes
Enfeito o poema
Com sonhos e auroras
Com as cores do sol poente
Faço-o radioso como o sol
Ou triste como uma manhã de nevoeiro
Na curva do poema
Cabe o amor e o azul do mar
O barco que navega á deriva
Os pássaros que voam no céu
A luz do sol que nos aquece
O rio que beija as suas margens
A noite que antecede o dia
O vento que sopra morno ou irado
A mulher que chora o amor que perdeu
A flor que murchou sem água
Na curva do poema
Cabe uma vida inteira
De sonhos e ilusão
Cabes tu e caibo eu
Cabe o nosso amor
Que rima com a nossa poesia
Na curva do poema…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA



 Sou a canção do Mar e do Vento.

Sou mar revolto
Em dias de tempestade
Vento cantante
Se estás distante
Sou pedra firme
Também pão mole
Choro e sorrio
Horas a fio
No filme da vida
Sou tua alvorada
Sou gaivota livre
No imenso areal
Esperando ansiosa
A lua distante
Sou chuva de Abril
Umas vezes serena
Outras temporal
Algo vai mal
Aqui neste meu sou
Será algum defeito
Vejo o arco-iris
Pousar sobre o mar
Vou perguntar ?????
Aquilo que sou
Metade rio ou oceano
De prazeres infinitos
Procurando rumo
Em locais bonitos
Ao longe vejo uma embarcação
Aí!!!!! Meu coração
Chegou finalmente
A resposta final
Sou Mulher e mãe
Amante sedutora
Nas minhas asas
Guardo carinho
Protejo o meu ninho
Nas noites vadias
Sou a fantasia
Dos meus tantos Sou...


Anabela Fernandes




 CANTEI-TE

Cantei-te
numa alvorada,
ao te ver
aproximar
no sol nascer
em mar
a reflectir
de luz e cor,
o teu rosto
iluminar
de claridade
dourada
a difundir-se
radiante
por entre
o ondular,
ao te acompanhar.
Doce visão,
no meu olhar,
quimeras sonhar
ao te encontrar.


José Lopes da Nave




PÔR-DO-SOL

Naquele belo e mágico entardecer,
Em que um ao outro jurámos pertencer,
Nossas mãos formaram um coração,
Nossas bocas ternamente se juntaram,
Nossos olhares, de paixão se inflamaram,
Nossas almas, numa só, em doce união.

Na vida, fomos esse amor celebrando,
Um ao outro, cada vez mais nos amando,
Num amor terno, forte, puro e sentido,
A viagem que nesse dia, em nós começou
E ainda hoje, nos dois não terminou,
O que jurámos, foi por nós, conseguido.

Ao olhar para trás agora, nos conforta,
Saber, que só o nosso amor importa
E nos basta para a nossa felicidade,
Lembrando as promessas então feitas,
Que p´los dois, nunca foram desfeitas,
Recordo esse pôr-do-sol, com saudade.


António Henriques



Espero te

Espero te em cada manhã de sol nascente​
espraiando se nesse mar...
que permanentemente...
te afasta de mim nessa viagem...
para a outra margem...
e me deixa neste cais...
sem saber porque vais!

Espero te no amor perfeito
que tenho dentro do meu peito
e com o coração nas mãos...
nestas mãos cansadas de esperar
neste cais onde chegas ...
e de onde sais!

Ouço ao longe no vento...
que passa frio...
o som oco do teu coração vazio
desse viver solitário!

Se ao menos quisesses...
........apenas voltar!

Espero te neste entardecer de sol poente
inevitavelmente!
porque tanto te quero!

Simplesmente te espero!


16-05-17 maria g.



Poderia…
Poderia pintar teu rosto numa tela
A preto e branco ou talvez a cores
Serias decerto a obra prima mais bela
De entre todos os mais hábeis pintores
Poderia descrever-te em versos de amor
Ao teu coração ser Cupido e lançar setas
Poderia dizer-te que és a mais linda flor
Ou a musa inspiradora de todos os poetas
Poderia pedir que me desses o Céu na Terra
Que me levasses nas tuas asas a ver a Lua
Queria ser o cetim em que teu corpo se encerra
Para que somente eu te pudesse ver nua
Poderia num barco te enviar navegando
Num qualquer rio ou mar de mansidão
Estarei na margem ou na praia te esperando
Para te guardar para sempre no meu coração

Luís Farto





 És tu... Feitiço

Quando o sol adormecer
E o luar prateado aparecer
...... cobrir-me-à o céu
...estrelas vão encher meu olhar
E o teu sorriso...ao meu lado
...tentando me enfeitiçar
E é o teu feitiço uma arte
Que me leva a toda a parte
Passa por mim fascinante
Com seu andar baloiçante​
Bruxedo... lançado no ar
Que só em mim veio poisar
E rasga-se o teu sorriso no meu
E o meu olhar entra no teu
Em feitiço...em magia
E é o amor simplesmente
E é amar-te perdidamente
Feitiço escrito...na poesia
Um conto...n'uma fantasia
E é o teu feitiço uma arte
Que me leva a toda a parte
Na simplicidade...de amar-te

FCJ

Fernanda Carneiro Jacinto




O mar e eu

Eu quero
Sair do meu mundo
ir á deriva num barco
preciso ver o mar
e viajar sem destino marcado .
Eu quero…
Sentir a brisa do vento
a beijar meu rosto
abrir os braços
e gritar até a minh’ alma doer.
Eu quero …
Rir , cantar e dançar
e viver sem limites
sentir paz no meu ser
e ver o sol nascer
eu quero …
Dormir e sonhar
e quando acordar
ver as gaivotas voar.
Eu quero …
Ficar e silêncio
e ouvir o que a minh’alma
tem p’ra me dizer .
Eu quero…
sentir o meu coração
bater de emoção
e dizer que te amo meu mar
e quero com os peixes nadar .


Mila Lopes



PARTIDA.

Foi num outro tempo.
Partiste,
Tinha lágrimas,
Mas…
O lenço de seda branco era só para te acenar.
Na hora que o mar abraça a curva do horizonte.
Vi teus olhos marejados.
No cais.
Vi teu coração sofrido.
Teus lábios tinham beijos a florir.
Verdes esmeralda.
Teus olhos.
Dizes serem os meus.
Ah!
Tu sabes são azuis.
Dizes
“Como pedras de água.”
Já o barco vai longe.
Ainda teimo em mandar beijos
No cantar gritante das gaivotas.
Mas o mar faz festa de ondas.
Desfazem-se meus beijos em franjas de espuma.
Mas tento ainda um aceno mais.
Verás!? Talvez vejas.
Ou sonhes ser uma ave branca a planar.
Sei amor que quero recordar este momento de separação.
Elevo as mãos, toco o sol.
De dedos quebrantados, do acenar o adeus.
Desenho um coração.
Capto a luz do sol.
Vejo a esperança vestida de lágrimas nesses olhos teus.
Amor vai.
Regressa com a graça de DEUS PAI.


Augusta Maria Gonçalves.



Imagem a ser interpretada

Terça Feira 09-05-2017


Transcendência!

Um livro companheiro
 O parceiro ideal
 Para não estar só
 Mas sim bem acompanhado!
 Que bom é levar
 Na mala, no saco,
 Em terra, no mar, no espaço,
 Pegar nele
 E sonhar…
Transcendente!
 Para dentro da gente
 Nos absorve no tempo
 Do sol, da chuva, e do vento,
 Das tempestades.
 Nem sinto!
 Nem me lembro
 O chapéu aberto!
 Dá conhecimento
 É cultural,
 É uma prenda
 Valiosa,
 Juntamente com uma rosa
 Ao amor que se quer!

Fernanda Bizarro





Dupla personalidade...

Escondo-me nessa escrita...
 Aí...
 Onde nunca saberás quem ou o que sou
 Para onde quero ir e porque não vou!
 Aí...
 Nessa escrita...
 Que como uma capa me protege...
 Onde me iludo e desiludo...
 Onde sou nada e posso ser tudo!
 Aí...
 Nessa escrita...
 Posso contar aventuras que nunca tive
 Revelar amores que nunca amei
 E segredos que nunca guardarei!
 Aí...
 Nessa escrita...
 Onde me liberto...
 Posso até parecer tonto...
 Ou até ser um parvo esperto!
 Aí...
 Nessa escrita...
 Posso ser tu...
 Parecendo eu...
 Posso até apagar o Céu...
 Secar o Mar
 Ou fazer barcos voar!
 Aí...
 Nessa escrita...
 Posso até querer morrer
 E não querer ressuscitar!
 Aí...
 Nessa escrita...
 Só não me saberei encontrar...
 Se me perder!


Luís Farto




MIRAGEM

O teu júbilo de olhar encandeia-me 
 O teu sorriso seduz-me
 A tua cútis sedosa fascina-me
 O perfume do teu corpo embriaga-me
 Teu andar ondulante deleita-me.
 Melodia aos meus sentires:
 Amena, terna,
 Maviosa,
 Harmoniosa.
 Sinfonia em meu ser
 Em dança de cristal!
 Onde se plantou a amizade,
 Nela cresceu a ternura
 Que afagou o meu rosto
 Me secou a dor
 Me fizeram sorrir
 E, ensinaram a caminhar. 


José Lopes da Nave



“CAI A CHUVA”
Cai a chuva
 Suavemente aspergindo
 Fluindo nas nuvens
 Grávidas de chuva
 Aconchego-me calidamente
 Debaixo do meu guarda-chuva
 Apetecia-me estar em casa
 No quentinho a ler um bom livro
 Ouvir a chuva a cair
 Toc,toc,
 A bater nas minhas vidraças
 Olho a paisagem molhada
 Debaixo deste alpendre
 Que me protege
 Tento passar por entre a chuva
 Mas chove demais
 Chuva provoca nostalgia
 Vai caindo na vida 
 Na alma
 Endurece o olhar
 Deixa-nos taciturnos
 Abranda um pouco
 Mas hoje não temos outro dia
 Quero chegar a casa
 Aquecer-me nos braços do meu amor
 Quero amar e sonhar
 Esquecer o mundo lá fora
 Deixar que esta chuva de vida passe
 Que não me desoriente o coração
 Cai a chuva…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




ESCONDIDO 

Escondido no silêncio das paredes
 Onde estou seguro e protegido,
 Ouço do Mundo, o seu louco rugido
 De fera capturada, em fortes redes.
 Ouço o desespero e o tormento
 E todas as barbaridades cometidas,
 O som das armas, ceifando as vidas
 E a loucura dos homens, em sofrimento.
 Por vezes nas duras noites de invernia
 Onde nenhum ser, sequer, se atreve
 Saio da minha parede, dura e fria
 E espreito o Mundo, num momento breve.
 Tristemente, não lhe vejo mudanças
 Se as houve, foi para pior, infelizmente,
 Ouço também o choro de muitas crianças,
 No meio dos lamentos, de outra gente.
 Oram, a quem lhes possa valer
 Para lhes mitigar o sofrimento
 Às súplicas e rezas que vou ouvindo
 Aceito então a elas, responder;
«Não sou Deus, nada posso fazer,
 Só conselhos, vos posso dar, neste momento,
 Se o Mundo está louco e desavindo
 Acordem aqueles, que andam dormindo
 Para uma nova sociedade aparecer,
 Se assim não o fizerem, não voltem a perguntar
 O que mais fazer, eu não respondo,
 Para a humanidade não desaparecer
 A solução, têm vocês que a achar».
E no silêncio das paredes, de novo, me escondo.


António Henriques



Abraço Escondido

Há um nevoeiro
 Que me rodeia
 Abraça-me e ateia
 Os sons ao meu redor
 Nada vejo... não quero ver
 Quero estar aqui...perdida
 Deixar partir sem sentir
 Como rosa desfolhada
 De espinhos caídos
 No chão do meu caminho
 E por mais alto que grite
 E por mais forte que chore
 E por mais gargalhadas
 Loucas que dê
 Ninguém vê
 Ninguém ouve.. ninguém sabe
 Porque o nevoeiro me abraça
 Num fumo que não passa
 Em mistério escondido
 Que resvala... perdido
 Na dor devassa do sentir
 Do não ter nada na mão
 E ter na pele...o nevoeiro
 Num abraço de solidão

FCJ

 Fernanda Carneiro Jacinto




ESPELHO MEU

Olho-me no espelho da vida
 e nem sempre me encontro
 ou reconheço
 neste galopar alucinante.

Estremeço
 às vezes de temor,
 no medo da ilusão 
 de acordar do sonho lindo...

Tão lindo e tão vibrante,
 tão intenso e tão marcante
 que quero acreditá-lo real...

... real, porque é amor,
 intenso, porque vivido,
 marcante, porque repartido...

E acredito.
 E tenho medo.

Porque antes... o espelho da vida
 não mostrava este rosto,
 não refletia tanta luz,
 tanta alegria...


De Maria La-Salete Sá




Dois mundos… 

Em mim moram dois mundos
 Dois livros por descobrir 
 A vida que corre nos dias apressados
 A escrita que vive no silêncio do meu pensamento
 Confronto o meu ser nesta dualidade de sentimentos 
 Entrego-me ao sabor da escrita 
 Na certeza de equilibrar estes mundos controversos 
 Ao sabor da maré que ampara os meus dias!


Carla Félix




No
 Meu mundo mágico
 eu voo pelo céu aberto
 livre de pensamentos 
 olho o céu
 salpicando de nuvens de chuva 
 e com letras de amor.
 A magia viaja 
 pelas entrelinhas escritas
 minhas e tuas
 entre o sol a lua e as estrelas
 numa nuvem clara
 eu procuro repousar
 e o meu coração
 vibra de emoção.
 Ao longe avisto 
 uma clareira
 será uma miragem.
 Não!
 É o teu reflexo em mim
 meu abrigo iluminado
 minha centelha de luz
 que une as nossas almas
 neste lindo espaço 
 mágico.
 Encantada! 
 Eu vibro de amor e alegria
 no meu mundo de magia


Mila Lopes



REESCREVER ESPERANÇA. 

Não há movimento no silencio. 
 Tenho plena consciência dessa barreira opaca mas iluminada. 
 Que é a separação dos nossos eus! 
 Duas contraditórias vozes nos chamam. 
 Uma cheia de esperança. 
 Onde há florestas que nos conduzem ao sonho. 
 Por onde caminhamos na vida real, 
 Com o coração repleto de amor. 
 Fazemos paragens entre as árvores frondosas. 
 Para rabiscar em linhas de chuva obliquas
 Poemas suspensos de encanto e candura. 
 Rasga um pássaro nosso silencio. 
 Logo entre a cuva prateada e o poema. 
 Nasce a melodia da felicidade. 
 Mas… há caminhos de tortura infinita. 
 O nosso eu se agita, clama grita. 
 Porque a injustiça é cruel. 
 A injustiça. Não tem nem som, nem cor. 
 A injustiça é ouvir o grito de quem perece. 
 Mas mesmo assim sem alma, nos indicam outra rota. 
 Como lido mal com este meu eu. 
 Perco a nitidez do olhar. 
 Sinto estilhaçar a barreira opaca que rege os meus sentires. 
 Dou por mim, fora de mim. 
 A desfazer o poema que tem por tema. 
 Justamente viver, sabiamente amar. 
 Curo minhas dores, recomeço de novo o poema verde 
 Cultivo a esperança. 


Augusta Maria Gonçalves. 








Imagem a ser interpretada

Terça Feira 02-05-2017



Sem tempo...

Não desespere
 Só porque o tempo parou
 E não me encontrou!
 Mas também não me espere
 Porque hoje já sei quem sou
 E o tempo passado
 Já foi ultrapassado...
 E nem agora...
 Nem nunca antes...
 Atrás voltou!
 O meu relógio do tempo...
 Apenas marca o futuro
 Os seus ponteiros se encarregarão
 De me indicar...
 O melhor caminho
 A certa direção
 E não haverá nenhum espinho
 Capaz de emperrar
 Capaz de parar
 O relógio do meu tempo
 Instalado no cérebro...
 Comandante...
 Do meu coração!

Luís Farto



--------------pensamentos--------------

O tempo marca a hora

avança a todo o momento

ameaçando em nós

a falta desse mesmo tempo!

O presente fica passado

esvanecido na nossa memória

mas sempre renascido...

pelo pensamento

a qualquer hora!


2-5-17 maria g.




“O RELÓGIO”
O relógio marca o tempo
 Comandas o antes e o depois
 Dás corda ao mundo
 No teu tic tac sem parar
 As horas passam por nós
 Para ti tanto faz
 Na tua pequenez
 Comandas o tempo do mundo
 Enches a noite 
 Com o teu cadenciar
 Bates como o coração
 Mas por motivos diferentes
 Dependemos de ti
 Senão perdemo-nos no tempo
 As horas passam 
 Os minutos e os segundos
 Irreverentes e sequiosos
 As lembranças vão ficando
 Para sempre nas nossas vidas
 O relógio esse segue inalterável
 Sem olhar para trás
 O seu pêndulo
 Faz lembrar a nossa mente
 Flutua entre a razão e a emoção
 Cada minuto de vida é sempre menos um
 O relógio marca o tempo de viver
 Corre lesto e sereno
 Às vezes tento alcançá-lo mas não consigo
 Tenho pressa de viver…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




BAÚ do TEMPO

Guardei sonhos e ilusões
 Frustrações e anseios
 Bebi água da fonte da vida
 Curei as feridas
 No tempo que passou
 No relógio que não pára
 Fui às vezes jóia rara 
 Para quem soube entender
 Num compasso mais veloz
 Hoje dou tempo ao tempo
 Dizendo em alta voz 
 O melhor está p'ra chegar
 Sem medos 
 Sem pressas
 Aguardo as horas passarem
 Canto e m ' encanto 
 Com a espuma do mar 
 Molhando os meus pés
 No rebentar das ondas 
 Ao me virem brindar
 Penso no tempo com tempo
 Conto os segundos e os minutos
 Guardo no meu baú
 Lembranças felizes
 Onde tu soubeste-me bem
 Naquele tempo bonito
 Hoje olho o infinto
 Abro os braços e absorvo
 Esta serenidade 
 No tic- tac ...do relógio
 Conseguiu agora me acordar


Anabela Fernandes.



VIAGEI NO TEMPO

Viajei no tempo para te encontrar,
 doce quimera dos meus sonhos
 que deleitas meu ser, meu estar
 nas delícias de amar.
 Cruzei-me com as estrelas
 desejosas do teu brilho
 me indicando, no rumo,
 o caminhar ao teu encontro.
 Mas, quem pode dizer 
 para onde vai a estrada 
 e para onde e como vão os dias decorrer?
 Apenas o tempo. 
 Quem pode afirmar que o amor cresce, 
 conforme o coração escolhe? 
 Quem pode dizer, 
 por que a alma suspira, chora 
 e a noite guarda em nossos corações, 
 deixando-nos navegar para longe, 
 à descoberta? 
 O tempo.


José Lopes da Nave




O RELÓGIO 

Caía a neve nesse dia frio 
 o vento batendo na vidraça,
 os cães ladravam, o relógio
 batia uma hora incerta,
 a rua deserta, cheia de neve
 e ninguém por ela passava.

Relógio velhinho, da minha velha
 casa, bate com força as tuas badaladas,
 pela noite o teu ruído a todos desperta.
 Relógio parado e sem hora certa, duas
 vezes ao dia também acerta...

Dependemos das horas, que um relógio
 dá e a vida corre ao Deus dará, com as
 horas a bater no relógio, a lembrar a
 tortura, que nos leva à loucura e se esvai
 num minuto e nada mais restará!


MARY HORTA 



TENHO POR RELÓGIO O CORAÇÃO.

Sinto ser um tic-tac, constante, acelarado, cansado 
 Relógio não! 
 Rege-me o compasso do bater do coração. 
 Tantas vezes a correria nos apressa. 
 E o tempo de amar se esquece, se quebra,
 Porque o relógio nos apressa.
 Tantos beijos ficam por florir, 
 Tanta rosa orvalhada, ri perfumada. 
 Nós sem tempo para a admirar. 
 Renuncio o relógio que teima em comandar meus ais. 
 Aprecio relógios como peças bonitas, 
 Decoram catedrais. 
 Onde através dos tempos todas as horas estão mortas. 
 Roubados foram os ponteiros por ciclones, vendavais. 
 Rodeiam-nos musgos ancestrais. 
 Ai se eles alertassem num bater estridente a fome dos mortais, 
 Dos moribundos. 
 Que morrem sós.
 De que lhes serve, no pulso á cabeceira um relógio mudo?
 Um dia se quebra o tic-tac do coração. 
 Acaba tudo. 
 Eu olho-os nas alturas, mas por perto sinos repicam. 
 Casamentos, batizados, funerais. 
 O relógio apenas tece segundos, fragmentos de tempo nada mais. 
 Aprendi com o tempo. 
 Relógios marcaram horas de glória. 
 De libertações. 
 Horas em que tratados se fizeram. 
 Acabou a pena de morte, a escravidão. 
 Sei dos tratados assinados, 
 Direito das crianças. 
 Direito a lar, pão e dignidade. 
 Direito a ser feliz. 
 Direito a crescer com esperança. 
 Tudo o relógio marcou. 
 Na hora certa. 
 Homens assinaram. 
 Mas os relógios emudeceram. 
 Os ponteiros aterrorizados pararam. 
 Fizeram renuncia de marcar o tempo. 
 Porque em todas as horas havia indignidade. 
 Todos os direitos são apenas tratados assinados, 
 Que recordamos nos ais do desespero. 
 Afiguram-se-me relógios, peças de museu. 
 Ou relógios sem esperança já parados. 


Augusta Maria Gonçalves.



O RELÓGIO MARCA A HORA

São três horas da tarde 
 Assim vejo no relógio
 Que olho com ansiedade
 Para que as horas passem
 E possas estar a meu lado.
 Quero ir ver o mar contigo
 Estarmos na sua beira
 Para que me digas amor
 Que o que sentes por mim
 É real e não brincadeira,
 Gosto que seja ao pé do mar
 Porque sinto inspiração
 Sentir que sou amada por ti
 E que estou no teu coração.
 O mar é e sempre foi nosso padrinho
 Viu o nosso amor nascer
 Diz-me amor que estou certa
 Porque sem teu amor
 A vida não tem razão de ser.
 O relógio marca a hora
 E tu ainda não chegaste
 Fico muito ansiosa
 Com saudade do teu abraço.
 Olho o relógio novamente
 Vejo-te aparecer na esquina
 Fico toda sorridente
 Vamos para o nosso passeio
 No mar mesmo à beirinha
 Cegaste no momento certo.


Rosete Cansado



REGÊNCIA DO TEMPO

Deixo-me reger pelo tempo
 ele se ocupa de miim,
 umas vezes me carrega
 outras impele até ao fim,
 é tão peculiar e interno
 que condiciona meus dias
 às vezes parece um inferno.
 Por vezes gosto do tempo
 do que ele me faz sentir
 outras tantas o abomino
 por assim me punir,
 não culpo o tempo, não
 só cumpre sua missão
 de fazer tudo cumprir.
 Ainda que eu entenda
 que às vezes é uma ilusão
 querer prolongar o tempo
 mesmo sem causa ou razão.


Fernanda Santos 




As voltas do meu tempo

Há o tempo ….
Não me anda dando tempo
 para coisas que gosto
 mas quando eu posso 
 roubo um pouco dele.

Há o tempo …
Faz-me falta para tudo
 pois o tempo 
 para mim é precioso
 na minha vida.

Há o tempo…
Que em verso renasce 
 que na poesia voa
 que na pintura 
 faz-me esquecer de tudo .

Há o tempo…
Que com pressa vai
 para muitos lugares 
 eu não sei qual é o tempo
 dentro do meu tempo
 nem o que o tempo
 reserva para mim.
 mas eu sei que o tempo 
 está dentro do meu tempo
 e o tempo que passou
 não retornará jamais-


Mila Lopes





Imagem a ser interpretada
Terça Feira 25-04-2017



“REFLEXOS”
Olho-me no espelho 
 Gosto da imagem refletida
 E o que vejo?
 Uma mulher madura
 Rugas aqui e ali, trilhos da vida
 Poucos cabelos brancos
 Que contam histórias
 Cicatrizes da alma
 Sorriso matreiro
 Recordações e frustrações
 Irreverente e sincera
 Amiga do seu amigo
 Nada mudou em mim
 Mulher que sou
 Faço da poesia a minha chama
 Alimento para a alma
 Moldei a minha vida, a minha vontade
 Transformo as palavras em amor
 O amor em poesia
 Dou tudo de mim
 Olho-me novamente no espelho
 Gosto do que vejo e de onde vim
 Gosto do que sou
 Abraço-me a mim própria
 Não há tempos perdidos
 Nem amores desencontrados
 Amo e sou amada
 Olho o mar e agradeço a dádiva
 Ganhou a poesia
 E o amor que guardo na alma
 Gosto da imagem no espelho…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



O ESPELHO
O espelho que prometia alegria, paz, felicidade...
Um vento, vento tenebroso
O espelho quebrou.
Quebrou.
A mim isolou,
Às escuras me senti
Repetidamente, a solidão vivi,
Atingir minha alma
Espantar minha calma.
O espelho não reflectia
De meu afecto se escondia.
Sem granjeio me poder trazer,
Apesar do meu querer.
Que meu enlevo
Entendesse,
Compreendesse.
Voltarei a ter
Do meu espelho
O nascer do Sol raiar?
O luar espelhar?


José Lopes da Nave




REFLEXO 

Perguntei ao espelho
 Porque aqui estou 
 Muito mais quem sou
 Se sou um grão de areia 
 Neste imenso areal
 Se uma gota de chuva
 Que molha a terra 
 Se sou amarga ou doce
 O fel ou o mel
 Regra geral
 O espelho calado 
 Escuta em silêncio
 Dou mais uma volta 
 Volto a olhar 
 O espelho brilha 
 Já sei ...Sou agridoce
 Tempestade impera 
 Neste coração​
 Mas a alma vive 
 Sempre cada emoção
 Nesta teia da vida 
 Sou o que sou 
 Ás vezes concubina
 Outras até leio a sina
 Mas sempre serei 
 Eterna namorada
 Saboreio a vida apaixonada
 Até p'lo que sou 


Anabela Fernandes.




Espelho d'Alma

Em desespero confesso,
 ao ver no espelho o que vejo,
 sinto…
não mais o desejo
 mas algo que me deixa perplexo
 Diz-me espelho meu,
 liberta-me de ti!
 Diz-me que não sou eu,
 que não sou quem está ali.
 Esfrego desejando apagar
 a ruga que aparece vadia,
 apenas consigo adiar,
 o que a idade não adia!
 Volto-me de repente
 uma e outra vez,
 mas o espelho não mente,
 mostrando-me… 
o que a alma sente!


Luís Farto




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 18-04-2017



Pois isso digo de verdade
 Que nenhum bondoso coração
 Convertido num bom chocolate
 Adoça a boca de quem
 Mesmo carecido de pão
 Tão amarga a alma tem...

Eduardo Schultz



Aí...saudade!

Não foi a distância...
 Nem o ódio...
 Aquilo que nos separou
 Talvez o silêncio que se instalou
 E na saudade silenciosa
 De uma vivência vertiginosa
 Que na escrita se eterniza!
 Choro ao vento o teu nome...
 Grito a tua ausência
 Lembrando-te em permanência
 Que o vento é ciumento...
 Traiçoeiro...
 E muda de direção...
 Impondo a sua influência
 Dissipando a realidade...
 Tornando-se furacão!
 Mas na tua boca calada
 Ouço o silêncio que me diz...
 Que no teu peito guardada
 A vontade de ser amada...
 De verdade...
 Permanece...
 Mas que pouco a pouco
 Vai morrendo...
 De saudade?


Luís Farto




DESGASTE 

Nesta vida desprovida
 em que sou tudo e nada
 tão solitária e desabrida
 avançando nesta jornada

E nas suas encruzilhadas
 dobro ruas e estradas
 sem princípio nem fim
 sem nada para além de mim

Já as pernas tão cansadas
 pedem descanso, coitadas
 e o corpo se abandona
 chegou ao fim a intentona!!!


Fernanda Santos 





“QUERIA TER-TE AQUI PAI”
Ao ver os velhinhos
 No banco de jardim
 Sinto uma nostalgia
 Queria ter-te aqui pai
 Tenho saudades tuas
 Esse teu cabelo branco
 Charmoso e macio
 O teu ar altaneiro
 Ainda sinto o teu cheiro
 Ainda sinto a tua presença
 Ainda bem que foste feliz na tua velhice
 Gozaste tudo a que tinhas direito
 Oh pai! Quanto me ensinaste
 Eras um homem do mar 
 Com uma cultura fora do vulgar
 Quanto aprendi contigo
 Eras rude e terno
 Fazias barcos á mão, lindos e genuínos
 Guardo-te no meu coração
 Foste um pai e avô maravilhoso
 Lembro os teus ralhetes
 O teu sorriso matreiro
 Sabes que me pareço contigo?
 Sinto a tua falta pai
 Do teu humor satírico
 Da tua maneira de estar na vida
 Do teu amor á família
 Amo-te pai!
 Tenho saudades tuas
 Fazes-me falta pai…


“BRASA” MAGDA BRAZINHA




Imagem bucólica

A poesia andou por aí
 A multidão por ela passou
 Por qualquer razão não reparou
 Mas eu de olhos despertos ...
 A senti!

Alguém sentado...
 Num banco de jardim
 Em abandono bucólico
 Nem sequer olhou pra mim!

Sentindo o inverno ...
 Que então vivia
 Fazendo do passado ...
 A sua companhia!

Olhava umas florinhas 
 De rubra cor...
 Talvez lembrando algum amor!

Entregue ao seu pensamento
 Olhava a distância que sentia!

Tenho​ a certeza que não me viu!
 Quando de emoção ...
 Chorou e riu!

O que sinto deixou-me
 Confusa .... a poesia já não se usa !

E de sentimentos...
 Ninguém quer saber!

Teimosamente ...
 Corro a escrever...
 O que senti...
 Ao ver aquela imagem bucólica
 Num banco de jardim!


18-4-17. maria g






Só, observas e relembras a flor
 que, em tipo ido, ofereceste
 a quem amavas,
 agora a tua companhia
 de memórias, 
 em tempo de solidão
 que te acorda,
 te faz regredir
 a momentos de felicidade 
 e alegrias
 no lar que teu foi.
 Ainda 
 ouves as vozes da casa,
 vem para a mesa,
 as correrias de filhos e netos
 os choros de mágoa
 pelo brinquedo perdido,
 suas risadas de alegria,
 ao te pularem para o colo
 e pedirem, conta uma estória.
 Então, um sorriso te adoça o rosto.


José Lopes da Nave






SONHOS DE PAPEL

No aconchego da minha cama
 Meu pensamento não vislumbra o descanso
 A dor crua e impiedosa mora lá fora
 Fustigada pelas intempéries da vida 
 Na indiferença da noite que avança.

A injustiça dos que vivem na rua
 E cujos corpos mutilados pelo tempo
 Jazem no chão sem um único lamento.
 Mesmo sabendo de antemão
 Que o dia seguinte
 Pode ser uma mera ilusão.
 Deitados em seu colchão
 Construído de cartão
 Sonham com uma melhor condição
 E que usam como almofada
 Uma mão cheia de nada.
 Vivendo entre as paredes
 De uma sociedade que os escorraçou
 E que penduram no tecto ao deitar
 Uma estrela de esperança iluminada pelo luar. 

Que desumanidade tão pungente
 De vidas certamente já muito preenchidas
 De corpos que agora vivem na saudade
 E que de afectos já foram muito queridas.

O aconchego da cama e o calor
 Não me atenuam tão grande e forte dor
 As horas vão passando
 E eu continuo pensando
 Se num mundo tão fértil em imensidão
 Não cabe um pouco mais de humanização?


© Antero Jeronimo, in "Janela do Tempo".





Nesse silêncio profundo
Em que se acolhem os teus sentimentos
Só tu és dono do teu mundo
E dos teus indecifráveis pensamentos
Só tu poderás saber...
O que neste momento te guiará
Se as palavras querem fugir
Para onde ninguém as encontrará

Mas ainda assim poderás ser livre
Nesse universo tão longínquo
Que poucos poderão compreender
Quando te ausentas de tudo e de todos
Querendo dentro de ti
A própria vida sempre esconder!


Clara Lopes





SEM RUMO

No meu silêncio lembro tempos passados
 Um castelo que um dia tive feito de sonhos 
 Onde o amor reinava ,os sorrisos eram constantes
 As estrelas que á noite via da janela eram tão cintilantes
 Um mundo perfeito...Um mar de carinho
 Hoje aqui neste banco sozinho
 Perdido de mim mesmo,vendo o tempo passar 
 Alheio a tudo,lembro as mulheres tão belas
 Que um dia me seduziram,onde me perdi
 Uma e outra,perdi a conta 
 A família esqueci,desisti dos filhos da mulher
 Fui atrás de um sonho,perdi-me na noite 
 Nessa noite vadia onde tudo é luz 
 Fui tudo e nada.... Poeta,sedutor ,amante
 Doutor e hoje nem sei o que sou
 Resta uma folha em branco onde pinto 
 O arco-iris a lua e sol a chuva que cai
 Neste mundo a céu aberto
 Estou eu a descoberto
 Sendo uma sombra do passado
 Nem sei se sou lembrado porque um dia eu tudo esqueci 
 Quando eu próprio me perdi...


Anabela Fernandes.





VIVER NA RUA.
Desejos que tudo se transforme...
Todos anos são assim,
Indiferença sempre igual
Não interessa que esteja bem ou mal!
Coitadinho do vizinho
Não tem ninguém coitadinho…
Nem no Natal a família vem
Todos o olham com desdém
É um pobre coitado
Com reforma de miséria
Até dá pena…o vizinho
Pró ano será o mesmo
E só pro ano é falado
Este e outros desprezados
Que pra ruas vão viver
Esfarrapados, por dentro e por fora
Sem hora pra existir
Dores profundas que não sentem
Do corpo dormir no chão
Colchão de jornal improvisado
Olhar indiferente de quem passa
Tem-se pena da desgraça
Mas não há nada que se faça.


Maria Fernanda bizarro h. Silva.





ABANDONADO
Agora triste e no fim do caminho,
Estou neste banco, tão frio e sozinho,
Contemplando esta flor tão singela;...
As saudades que tenho, tantas são,
Que ardem dentro do meu coração,
Onde está minha família, onde está ela?

Minha mulher, partiu, foi para o Céu,
Os meus filhos, no estrangeiro e fico eu,
Assim, pobre, só e desolado;
A reforma que tenho é muito pouca,
Que me falta, até o pão para a boca,
Neste meu viver, tão amargurado.

Minhas forças já me vão faltando,
O meu tempo por cá, vai acabando,
Grande é a vontade que tenho de partir;
Estou para aqui tristemente, abandonado,
Não passo apenas de um pobre coitado,
Já nem me lembro sequer, do que é sorrir.

Vejo, tanta gente que vai passando,
Que me olham de lado, talvez pensado,
Que sou um farrapo, um maltrapilho,
Mas sou um avô, um pai e fui marido,
Num tempo, no tempo, já perdido,
E noutro tempo, fui um amado filho.

Agora já só tenho por companhia,
O escuro das noites e a luz do dia
E as flores, que encontro no caminho;
Peço a Deus que abrevie o meu sofrer,
Que me leve para o Céu, para volver,
À mulher, que me deu amor e carinho.

Assim tristemente, fui andando
E neste solitário banco, me sentando,
Sinto agora, que é chegado o meu fim,
Deus bondoso, deu-me esta linda flor,
E este banco, onde eu irei depor,
O meu corpo e repousar, enfim!


António Henriques





Não sei o que faço aqui
Não sei o que sinto
Nem sequer sei o que pensar...
Se pensar
Penso em ti e no abraço da saudade
Neste sentir que me lateja no peito
E no grito que na boca me fica desfeito,
Desamparado pela vida que vivi
Morri na solidão e no torpor
Sem poder ou querer dispor
Dos dias que ainda tenho ao meu dispor!
Sinto o vazio e o frio do calafrio
Quando desfio pelos dedos
O rosário dos pensamentos
E cada dia é um passo dos meus passos
Que eu passo neste passo
Sentado neste banco duro, mas franco
De onde olho sem ver nem crer
O silêncio que m’ está a acontecer
E a solidão que me faz assim padecer!
Confidências… faço-as aqui
Mais ninguém me quer ouvir
Nem de mim sequer saber!
Colhi esta rosa para me oferecer
Só ela me saberá entender
Nas lágrimas que me vir correr
Lembrando outras que ofereci
Enquanto jovem podia correr!


Por Zita de Fátima Nogueira 





Poema
Tão bom

...
O que foi de mim?
mas que digo eu...
estou ainda aqui
olhem, estou ainda vivo
ahahahah ... tão bom

Tenho frio... sou velho
não faz mal
para tapar até serve um jornal
ainda ontem
era minha mãe presente
ainda ontem
era minha filha aconchegada
hoje... estou vivo
e não me falta nada

Tenho frio... sou velho
não faz mal
se velho estou
é porque criança fui
porque adulto fui tambem
porque ao aqui estar
ainda aqui estou
e não no além

O que foi de mim?
mas que pensar o meu
fui o quis ou assim imaginei
se não assim o fora
está tudo bem tambem
fui eu e muitos como eu
e como eu
muitos fizerem outros eu
... estou vivo ...tão bom

Olá está frio hoje não é?
daqui a bocadinho
vou ao borralho
vou ao quentinho
vou viajar
.... vou das recordações viver
... até a morte chegar
ahahah ...tão bom

ANA MARQUES




SÓ JAMAIS, ENQUANTO VÓS FORES ATRÁS DOS SONHOS.
Passas na pressa do teu passo. ...
Levas nos olhos mil sois iluminados.
Passas entre a luz que procuras.
Pois dentro de ti também há solidão.
Sigo teu passo apressado a flor que asteio na mão se inclina,
Pela brisa que deixa teu passo leve.
És um vento que corre, impelida por soluções de amor para todas as coisas que carregas.
Não me olhas-te, mas eu li teus olhos claros.
Levavas aflorar neles o mar salgado.
Sem dares por isso teus lábios me beijaram as mãos cansadas.
Vou declarar-te um verdadeiro segredo.
Hoje tenho tempo para tudo.
Sou amigo da solidão.
Leio nos caminhantes da vida tudo porque passei e vivi.
Andei ligeiro, corri atrás do pão de cada dia.
Carregava no coração amor, ou desgostos ou desanimo.
Era tanta a injustiça, já nesse tempo em que eu lutava por amor.
Tinha um lar. Uma mulher doce, uns meninos traquinas que eram a razão do meu viver.
Passas tu e tantos mais.
Fiz dos vossos passos a história do meu dia.
Visto que o livro da minha vida.
Se perdeu nos vendavais injustos do tempo.
Ide, caminhai apressados.
Porque a mim me resta ter as vossas vidas deixadas nos passos do pó do chão, para sonhar Que sois felizes como eu em tempos já o fui.
Não parece mas sou feliz.
Porque vos vejo correr cada dia em busca do pão do amor.
Por isso colho todos os dias uma flor.
Ela afasta toda a solidão.
Afaga as minhas mãos cansadas.
E teus olhos sem por isso darem,
Levam sempre um beijo meu.

Augusta Maria Gonçalves.





Um sorriso e uma Flor
Não tenhas medo... Não...
Não tenhas medo da solidão
não te importes... Não
aqueles que te abandonaram
não são maus... São aquilo que são


Não tenhas medo... Não
tens o Mundo na tua mão
tens numa flor a essência
tens num fiel amigo, a Paixão

Olha como te olha com Amor
olha como de palavras ele nada diz
olha a sua admiração
sente como ele te adora e te olha feliz

E as flores... Planta-as
ou rega-as... Vai buscar água ao rio
e vê... vê como crescem
e aceitam o desafio

Sente sem dureza quem te acolhe
sente esse banco de jardim
fechas os olhos à indiferença
e quando os abrires vê quem passa
e se eu passar peço-te...

Sorri para Mim.
Florinda Dias










Imagem a ser interpretada
Terça Feira 11-04-2017


HÁ ENCANTOS. 

Talvez, talvez. 
 Esta imagem me faça recuar ao tempo dos encantos. 
 Me diziam com ternura. 
 Ama todos os seres vivos. 
“tirando a alma e o feitio, têm fome, frio e medo como nós” 
Dizia isto sabiamente AVÓ. 
 Partiu há muitos anos, deixou de herança um legado de amor e sabedoria. 
 Amo dedicadamente todas as criaturinhas que como eu habitam o planeta. 
 Por uns tantos, tenho admiração, pelos seres majestosos que são. 
 Respeito, mantenho uma certa distancia, pois têm suas hierarquias e suas leis. 
 Mas os que convivem por perto, Fazem-me sentir tão minúscula.
 Pois amam á luz do dia sem promiscuidade.
 Procuram nossos afago.
 Nos lambem as lágrimas de estamos de alma quebrada. 
 Sem proferirem palavra, dizem num olhar cristalino.
 Que ELES, também sabem amar. 
 Dão á luz suas crias sem lamento. 
 Defendem seus filhos com garras e dentes! 
 A imagem de hoje é terna e doce. 
 Grata gente dos sorrisos nossos. 

Augusta Maria Gonçalves




RETORNO À INFÂNCIA

Relembro a quinta de meu tio,
 correndo com os primos
 em brincadeiras próprias da idade
 protegidos pela sombra do cedro gigante. 
 Porém o que mais recordo são as cavalgadas
 na égua, à desfiada, 
 por entre vinhedos e canaviais,
 ou na levada do rio, a água aspergindo,
 ouvindo os reparos de cuidado
 do tio, sempre preocupado 
 com as quedas possíveis,
 mas, o sentir a aragem nos cabelos,
 esvoaçando, fazia orelhas moucas
 e galopava com as pernas soltas dos estribos.
 A égua conhecia os caminhos
 e parecia redobrar-se em protecção,
 evitando as mudanças bruscas 
 de velocidade e do itinerário
 tantas vezes percorrido.
 Saudades que o tempo não faz olvidar.


José Lopes da Nave




ÉGUA "LARANJA"

A minha amiga "Laranja"
 famosa pela doçura
 no seu dorso eu era sonho
 e tranbordava ternura

Égua linda em tons pardos
 com reflexos dourados
 garbosa e donairosa
 flutuava como mariposa

Meus tempos de menina
 ela adoçou e transformou
 parceira de montaria
 tantas vezes me acompanhou

Ai querida amiga "Laranja"
 como tu não há igual
 agora já não se arranja
 como tu... só espiritual.


Fernanda Santos 




AMOR INCONDICIONAL

O amor não é só para os seres humanos,
 Na Natureza, também muito amor há,
 Se repararem, vejam, que não há enganos,
 Esse amor que falo, por todo o lado está.

Esse amor, que uma mãe tem por seus filhos,
 Por quem muitas vezes, dão, também suas vidas,
 Livrando-os de muitos e muitos, sarilhos
 Com desvelo, cuidam, de suas crias, queridas.

E se forem animais, que nós amamos,
 Daqueles que estão connosco dia-a-dia,
 Ainda mais nesse amor, reparamos,
 No seu viver diário, cheio de doce alegria.

Esse seu amor único e incondicional,
 Está bem patente na imagem apresentada,
 Estes dois belos seres, em pose natural,
 Um pequeno poldro, com sua mãe amada.

Dão eles exemplos, aos seres humanos,
 Do que o amor em todos, deveria ser,
 O seu amor é forte e puro, sem enganos,
 Apenas querem amar, e suas vidas, viver.


António Henriques 



Imagem a ser interpretada
Terça Feira 04-04-2017



CLAUSURA

Mas, porque o sol continua a brilhar, 
 o mar tão calmo, as aves cantam, 
 as estrelas brilham no espaço, 
 o meu coração até bate, 
 sou a vontade e o desejo em meu olhar,
 mas, eles não sabem que é o termo do meu mundo.
 Nesta solidão assustadora 
 de ser consumido, 
 o silêncio apodera-me 
 e torna-se parte de algo 
 que aparenta um sonho mau,
 mesmo, uma consumação.
 Desperto, tudo parece o mesmo, 
 mas sem ti não compreendo como a vida termina,
 caminhando pensativo no meu universo 
 com as curvas do tempo decorrendo, 
 olho para cima, nas minhas noites frias 
 e as estrelas brilham pelo infinito, 
 ainda que não possa tocar-lhes, 
 visto não existirem em mim, 
 mas elas insistem e a esperança permanece. 
 Os dias são confusos e eremíticos 
 e, mesmo que as nuvens me perturbem 
 elas regressam mais belas 
 e uma sensação de renovação 
 invade-me no vazio que me apavorava, 
 pois percebi a importância de observar 
 a dimensão da vida, de eterna compreensão 
 que me acompanha. 
 A lucidez, por vezes, confunde-me 
 e o imaginário desfila em mim 
 e tão próximo que parece existir-me!

José Lopes da Nave





“A BOLHA”
Dentro desta bolha translucida
 Vejo a vida cá fora
 Vejo o mundo doutra forma
 Divirto-me em ver
 A vida de cores diáfanas
 As pessoas a correrem apressadas
 Tudo se desenrola em câmara lenta
 Meus Deus!
 Como gostava
 De simplesmente
 Sentir a brisa nos cabelos
 Sentir o teu toque de pele
 O teu beijo e o teu abraço
 Aqui dentro não há vida
 O silêncio tomou conta da bolha
 Não há dias nem noites
 São todos iguais
 Envolvida neste véu transparente
 Há visões que se entrelaçam
 Tenho tempo de repensar na vida
 Será que alguém me poderá ajudar?
 Me rebenta esta bolha
 Será que vale a pena?
 Não sei como vim aqui parar
 Só sei que acordei aqui
 Estou aprisionada
 Eu e os meus sonhos de luxuria
 Os dias arrastam-se
 Entre chamas e faíscas
 Ao menos não vejo o mundo lá fora
 Estamos cada vez mais perto do fim
 Pensando melhor vou aguardar
 Se calhar será melhor ficar dentro da minha bolha
 Até um dia destes…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




Entre mim e ti, amor, aberto foi um foço… ficou um espaço 
 Não é o ar quem nos separa, é a falta de mais um abraço
 Uma nuvem fria em forma de vapor, aqui se veio depor
 Colidiu no peito do nosso amor… sinto dor, não sinto o teu calor!

Inquieta-me este estar de curvar e quebrar sem te poder falar
 Parente próximo de quem se quer ausentar de perdoar
 Mas tu amor, hás-de querer voltar a ter-me junto de ti, eu sei…
Sei que vais querer voltar a abraçar o tempo em que te beijei!

Neste espaço com que me revesti guardo o verbo com que te li
 Quero que me saibas perto, nas lembranças com que te vivi
 Olho-te de soslaio amor, pra que depressa se rompa este tempo
 Já se faz lento o lamento que me vem de dentro do que me lembro!

Sei que m’ enovelei e calei. Calei esta dor que te dei
 Em vez de calar… melhor seria falar e não só julgar
 Mas nunca é tarde pra te dizer que te quero voltar a falar
 Só tu serás capaz de abrir esta cela em que m’ enclausurei!

Amor, sufoca-me este estar de não te tocar ou beijar
 Sufoca-me este querer e não poder fugir deste curvar
 Mas nunca será tarde pra te pedir: por favor, vem me buscar!


Por Zita de Fátima Nogueira 




Bola de Sabão

Um dia eu soprava;
 e da minha boca,
 saiam bolhinhas de sabão
 afirmei o meu olhar; 
 sentia-me dentro duma bolha,
 aquela que não queria rebentar.
 E mais do que uma bolha;
 era a que se espelhava
 eu olhava, imaginava
 via o teu corpo que dentro dela se me retratava.
 Não... não queria sair de dentro daquela bolha de sabão
 aquela bolha d'água que tanto me parecia uma miragem, 
 numa cristalina paixão.
 E eu pedia; 
 pedia por favor ao Deus Maior
 que não a rebentasse
 e que fizesse durar este sonho, esta ilusão
 e eu sabia que um dia vinha o Sol, que vinha a chuva, 
 que vinha uma aragem que a rebentava, 
 que tudo se dílua e que tudo se acabava.
 E eu de dentro da bolha;
 sorria e dizia que te amava
 olhava e tudo me parecia colorido
 e tu olhavas-me apreensivo
 tu sabias que aquela bolha não tinha cor
 tu sabias da minha ilusão, do meu amor.
 Sabias e não me contastes
 até que e o meu sonho foi desfeito
 aquando de dentro da bola de sabão saístes e a rebentastes
 Ilisóriamente neste sonho;
 vi-me presa dentro de uma bola de Cristal aquando te vi voar...
 E não me levastes.


Florinda Dias





TRÁGICAS TRANSPARENCIAS

Trauteei de cor todas as canções da natureza. 
 Até o vento me embalou nos seus braços de brisa suave, mas não adormeci. 
 Caminhei dentro de um sonho com cheiro a terra molhada depois de chuvas torrenciais. 
 Escutei gritos e choros. na noite. onde o maior eco era um caudal de água. 
 Barrentos os caminhos. 
 Perdidas as vestes. Estendiam a mão dentro do sonho. 
 Não os alçancei. Vi tragicamente que se perderam nos arcos das pontes desabadas. Agitada no meu sonho. Acordei molhada, As roupas tinham o barro moldado da catástrofe. 
 Meu vulto se ergueu incrédulo. 
 Se tudo é tão distante, qual a razão de ecoarem choros na noite. 
 O ar se tornou pequeno para eu respirar. 
 Abri de par em par o peito, o musculo cardiaco batia doído. 
 Respirei o ar da noite. olhei todas as constelações. 
 Perdia a noção do tempo. Desejei ser estrela cadente rasgando a noite. 
 Assim talvez eu iluminasse a particula de esperança, de tantos a quem a força da água foi forca e açoite. 
 Nas árvores tombadas há imensos laços que o tempo foi preparando, para as mortes solitárias, na noite da inocencia. 
 Só porque rebentou a bola mágica de sabão, eu tive visões de dramas verdadeiros. Enquanto o coração bater a vida é a procura de uma centelha de felicidade. 


Augusta Maria Gonçalves.




NO MEU MUNDO

Entre bolhas de sabão 
 Está solto meu coração
 Sozinho,perdido 
 Ás vezes rendido 
 Confiante no amor
 Regado de esperança
 Do verde da natureza
 Absorve a beleza
 De vermelho tingido
 Pensa ser castigo
 Mas o amarelo 
 Diz-lhe que é belo 
 Na bolha que voa 
 P'lo céu que abençoa
 Encontra outra bolha 
 Uma e outra 
 Formam o mundo
 De ilusão vestido
 Nada está perdido
 O castanho é terra 
 Onde está a semente 
 Que brota e cresce
 Vida acontece 
 No mar azul 
 Rebentam as ondas
 Caem as bolhas 
 E se desvanecem
 Nesta imensidão


Anabela Fernandes.




Deixem-me-------estar--------

Não sei como vim aqui parar
 mas por cá vou ficar...
 deixem-me estar!
 Tenho o sossego...
 que me permite pensar
 tenho a paz que desejo ter
 tenho ar puro para respirar...
 e melhor poder viver
 tenho todo o tempo para sonhar!
 Aí fora nesse mundo não quero estar
------- não quero permanecer!
 Se o mundo não posso mudar...
 para quê continuar a lutar...
 se todo o seu mal...
-------- não consigo vencer!
 Sei que um dia irei morrer
 mas que seja assim ...
 com esta serenidade que sinto aqui...
 dentro desta bolha que me protege...
 e não por mão de loucos
 de uma qualquer atentado
 de um ato terrorista...
 auto-reivindicado !


maria g




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 28-03-2017

“BORBOLETA”
De semente a lagarta
 De lagarta a casulo
 De casulo a borboleta
 Depois da chuva
 Vem a linda borboleta
 Pousar nas flores e nas folhas
 Bela e etérea
 Simples e inocente
 Irreverente como eu
 Sorridente
 Pousa no jardim perfumado
 Vi as suas asas na minha alma
 Pousei em ti
 Levei-te sorrisos e amor
 Assim é a borboleta
 Em criança corria atrás das borboletas
 Fascinava-me a sua liberdade
 O seu voo seduz
 Frágil e serena 
 Esvoaça diáfana no jardim
 A nossa alma tem algo de borboleta
 Também como ela há metamorfose
 Comparo a felicidade á borboleta
 Às vezes foge-nos
 Outras já desistimos e vem pousar em nós
 A lagarta está no vazio do casulo
 A música precisa do vazio do silêncio
 O poema do vazio da folha em branco
 Todos nós precisamos de um vazio
 Dentro de nós, para amar e sermos amados
 Para sermos livres teríamos de enfrentar
 A metamorfose da vida
 Da larva sai esta maravilha
 Uma borboleta de múltiplas cores…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




VAGAROSAMENTE
Vagarosamente, na minha rotina
Vou até à margem, apanhar o sol
E vou-me deitar, sobre a areia fina
Também faço dela, macio lençol.
Estou dormitando, num lento torpor
Sinto comichões e que vejo eu
Voando em círculo e ao meu redor
Lindas borboletas, vindas lá do céu.
Em mim estão pousando, ó felicidade
Virem assim tantas, p´ra me visitar
Queridas meninas, é muita a bondade
Estejam à vontade para em mim poisar.
Esperem, esperem, não se vão embora
Ainda agora chegaram e já vão partir
O que vou fazer, só me resta agora
Ao sol me estender, voltar a dormir.
Ronc, zzzzzz, Ronc, zzzzzz……..

António Henriques 28/03/2017.




A SABEDORIA DA DONA CARAPAÇA.
 Era uma vez. 
 Um paraíso imenso. Habitado por seres Diversos. Uns pequenos quase os não viamos. Outros de porte senhoril. do seu focinho muito senhores. 
 Era a vida boa lá no paraíso. 
 Árvores, mil frutos. Flores a rir. Crianças a nascer. 
 Mães a sorrir. 
 Cortinas de água de mil rendas. 
 Desmanchadas nas pedras ao cair. 
 Arco iris em plenos prados. 
 Gente feliz a desfrutar. 
 Dessa dádiva de amor. 
 Pois foi o Criadorque tudo nos deu, 
 Nas margens do lago tantas flores. 
 Borboletas de seda, libelinhas.. 
 Paxorrenta a velha tartaruga. tão velhota. 
 Resmungava, 
 Caminhava vagarosa, E ainda para mais tinha uma perna torta, 
 Mas partiu afincada, no intiuto de vencer. A corrida era para ser vagarosa. Mas jovens tartarugas pensavam na velhota, riam, entreolhavam-se perguntando. 
 Que vai ela fazer?
 Decidida água bebeu. 
 Depois brincou feliz como quem compra uma viagem loucoste para ir viajar até outro país. 
 Reclinou-se no avião, pediu emprestadas as asas a um zangão. 
 Resolveu de skeit andar. 
 Cruzou por fim a meta. 
 Sábia e feliz. tartaruga cansada tem velhas manhas. Não só 
 Lembra os verdes anos de aprendiz. 
 Acreditou e venceu.

 Augusta Maria Gonçalves.



Imagem a ser interpretada
Terça Feira dia 21-03-2017




"Uma Imagem... Mil Sorrisos"

No Dia Mundial da Poesia
 tecerei, como a aranha tece a teia
 filigrana em medalhões de magia
 e quero dos seus braços, a cadeia.

Trepar à árvore da fantasia
 lá, galho a galho minha alma s’enleia
 porque dela, também, hoje é o dia
 serei força que sorrisos semeia.

Libertarei emoções d’alegria
 Que, subindo, minha mente trauteia
 Tal aves, gorjeando em sintonia.

Duas comemorações de … mão cheia
 envoltas em calor e harmonia
 encaixei, na sugerida… ideia.

Ausenda Ribeiro




UMA IMAGEM...MIL SORRISOS!

A verdade e a tolerância pertence aos honestos.
 A mentira e a intriga…
São como uma aranha, que tece a sua teia.
 Quando te apercebes, estás dentro dela…
Para saíres... É muito difícil. 


Rosete Cansado




TEIA DE ARANHA 


 Pela tarde soalheira
 teias de aranha tecendo
 cadeias de finos fios
 de vida tecida...
 Amores que ficaram pelo
 caminho,sonhos de vida
 por acontecer ....

Teia de aranha branca e fina,
 fios tecidos em xaile, agasalhando
 uma árvore despida de troncos
 e de folhagem....

Teia de aranha tecendo um fino
 brocado de renda, branca e leve,
 fio branco de cabelo, tecido com
 habilidade e desvelo ...

Teia de aranha xaile que agasalha 
 e protege, um pássaro no seu ninho,
 tecendo com carinho fios brancos
 de algodão que abrigam o passarinho! 

MARY HORTA 

 21-03-2017




“UMA IMAGEM…MIL SORRISOS”
 “TEIA DE ARANHA”
A teia de aranha é como o amor
 Prende-nos na sua teia
 Como a aranha nunca se cansa
 Para trás e para a frente
 Tece a sua teia
 Prende fios aqui e ali 
 Como a vida nos faz
 Cruzamo-nos, perdemo-nos
 Mas continuamos interligados
 Assim é a aranha
 Depressa ou devagar
 Tece-a como se de um poema se tratasse
 Depois de terminada
 Anda numa correria 
 Para ver se está bem-feita 
 Esplêndida a teia que a rodeia
 Finalmente descansa
 Parece uma rede de versos
 Resplandece a sua teia 
 Brilha ao sol que a incide
 Numa trama perfeita
 Como se escrevesse palavras
 Como num sonho
 Emaranha-se loucamente
 Á espera do primeiro inseto que caia nela
 Orgulhosa do seu trabalho
 É uma obra de arte a sua teia
 Poderia ser um belo poema
 Quem sabe se escreveu um poema?

“BRASA” MAGDA BRAZINHA




Uma Imagem...Mil Sorrisos
NA TEIA DA POESIA 🌸

....Envolvo em ti o meu sorriso....
 .....Visto as cores de mil amores...
 .....Saboreio o meu sentir...

....Desabrocha a minha esperança....
 ....Semeio amor aos molhos....
 ....No momento que preciso....

....Me enleio nas tuas asas ...
 ....De condor eu me transformo....
 .....A ti poesia e segrédo....

....De Primavera me vesti....
 .... Sem rugas no meu olhar....
 ....Plantei flores no coração...

....Verde é cada sonho meu....
 ....Raiando com o sol poente....
 ....Nas teias de cada verso....

...Me desnudo docemente....


Anabela Fernandes.



EM TUA TEIA

Em tua teia me enredei,
 Em teu corpo sou feliz,
 Em teu amor me encontrei,
 És tudo aquilo que quis.

Nessa teia amorosa,
 Em que vive o nosso amor,
 Sou eu, pobre mariposa,
 Tu, aranha multicor.

Estou nessa teia, enleado,
 Dela não quero voar,
 Estou por ti, encantado,
 Só a ti quero, amar.

Minha amorosa aranha,
 És meu amor, meu viver,
 Tenho-te paixão tamanha,
 Contigo quero, morrer.


António Henriques 21/03/2017




Uma Imagem- Mil Sorrisos 

Poema
 A poesia a aranha a teia e o poeta

São as palavras 
 rendadas teias
 que tudo descrevem
 tudo dão a ver 
 tudo dão a ouvir
 tudo dão a sentir

A minha teia começa 
 pelo inicio da emoção 
 pelo inicio da paixão
 pelo inicio de uma estranha sensação
 lágrima, riso, convulsão, 
 memória sonho ou ilusão

Nos meus dedos 
 a caneta ganha vida
 sabe de cor o abecedário
 os provérbios, sinónimos
 adjectivos Substantivos, 
 os antónimos o verbo, o sujeito

E até sabe de cor uma outra sílaba
 que estala de surpresa 
 numa folha em branco
 que se nada tinha 
 nasce enfim rabiscada
 contente por se ver vestida
 que de tão nua frio tinha

A minha mão 
 segue este mágico bico azul
 que escorre e não chora
 perde sangue e namora
 assim como a aranha 
 que segue o bordado
 por ela elaborado
 ponteando cada linha cruzada
 com uma ou outra ondulada

Não sei se a aranha sabe 
 que escrever podia
 fosse prosa ou poesia
 assim como tece 
 em qualquer recanto 
 telas de renda 
 com todas as cores da natureza
 sempre que o Sol e a Chuva se cruzam
 e lhe lambem os fios de rara beleza

É poeta quem assim labora
 é poeta quem assim se aprimora
 é poeta quem do bico da caneta suja 
 e num caderno em branco
 mostra a alma desnuda
 mostra uma outra tela

Que se não falada
 é lida sentida mordida engolida
 por quem em vida sabe da morte
 e no meio alimenta-se 
 das emoções de um poeta

Que sobrevive
 ás calmarias e explosões
 aos embaraços e tropeções
 à vida com que nasceu 
 e à morte 
 ... que não pediu

21 de Março de 2017

 ANA MARQUES






Ás vezes

ás vezes as minhas mãos tecem...

uma teia de ilusão! 

outras vezes vontade e determinação!

outras ainda sentimento e razão!

outras tantas trabalho e inquietação!

mas quase sempre tecem...

com tranquilidade e ternura...

sonho e ventura!

mãos que tecem com verdade...

igualdade e honestidade...

e também felicidade!

mãos que tecem com carinho...

que rezam baixinho...

que afagam e dão miminho!


21-3-17 maria g.



UMA TEIA 

Quantos enredos
 Quantos credos 
 E quantos medos
 Quantas teias que me refreiam!
 Quanto mais ando
 Mais me prendo
 E não aprendo… 
O que não entendo!
 No centro do poder
 Eis o crer do ser
 E o pensamento 
 De querer sobreviver!
 A força e a vida
 No tormento e no enredo
 No emaranhado 
 Da atracção
 Quando o poder da sobrevivência
 Está na envolvência 
 Do que me faz temer!
 No centro do mundo
 Um furacão… activo e astuto
 Acalmando a fome
 Com calma
 E sedução!


Por Zita de Fátima Nogueira





TEIA

Teia tecida
 a preceito
 que envolve
 que enleia
 que seduz
 que atrai
 que encandeia
 e nela cai
 o incauto
 deslumbrado
 maravilhado
 e quando dá conta...
 já foi arrastado
 não podendo
 soltar-se
 dessa teia
 emaranhada
 onde se prendeu
 e agora...
 para se libertar
 tem que lutar
 numa luta desigual
 de vida ou morte
 e se tiver sorte
 talvez sobreviva
 mas de certeza
 que a vida
 nunca mais
 será a mesma.

Fernanda Santos 

 21/03/2017





Imagem a ser interpretada
Terça Feira dia 14-03-2017


Nas Asas da Imaginação

Fiz-me ao Mar...
 Um barco à Vela, uma Caravela
 Um barco de Cruzeiro... que momento!

Naufraguei
 e deixei-me levar nas asas do pensamento.

Voei
 e entre nuvens, avistei, avistei o Sol e um Farol.

Senti-me salva, 
 quando o vi... Agradeci ao Deus Maior 
 ah e como eu estava perdida
 no meu daquela imensidão de água
 senti medo... Senti que ia perder a vida.

Terra à vista... Terra prometida.

Levitei nas nuvens,
 tão brancas... Algodão
 cruzei-me com o Sol... e eu: 
 Eu cantava uma canção.

Senti a terra... Senti o chão.

Acordei, era um sonho...
 Um sonho que me fez levitar
 Um sonho que me fez sorrir ao acordar
 Um sonho talvez a repetir
 Num momento de ilusão.

Florinda Dias


O FAROL

Tua luz, 
 em noites de calmaria
 se reflecte nas águas cálidas,
 o mar embelezando
 de reflexos tremeluzentes 
 coloridos
 que os olhares comtemplam 
 embevecidos.
 Em noites tempestuosas
 és o guia dos mareantes
 que procuram o sossego
 em porto de abrigo
 a aguardá-los
 longe dos perigos
 a persegui-los.

José Lopes da Nave



Há um farol no horizonte
 a iluminar, a indicar o caminho.
 Eu sigo... a luminosidade do seu trilho.

E o medo se esvai em ondas de luz
 nos raios de sol do arrebol.

Neste farol eu firmo meu olhar
 ele tem o brilho a me indicar.

Um brilho que reflecte a sublimidade do saber
 retirando de mim, o receio de me perder.

Um farol no meu horizonte
 afastando as sombras no seu poente.

Num sorriso se abrem meus lábios
 num acreditar singular,
 que o bréu não vai mais velejar.

Somente uma luz agora a brilhar.

Emilia Pedreiro



“FAROL”
Farol que iluminas a noite mais negra
 Que ajudas os pescadores
 A chegarem ao seu porto seguro
 Ladeado pelo mar
 Que te beija nos seus salpicos
 És como uma estrela
 És um viajante no tempo
 Deixas as ondas te marearem
 O nevoeiro que te surpreende
 As tempestades que ecoam
 Mas tu
 És a luz que guia
 Transformas a noite da vida
 Ajudas quem precisa
 A chegarem a terra firme
 Farol que vive tão só
 Na sua faina quotidiana
 Tem no faroleiro
 O seu eterno amigo de todas as horas
 Ele faz do farol a sua casa
 Todos seguimos uma luz
 Mas tu és diferente
 Se ninguém te acender
 És escuridão profunda
 Assim 
 Tu e o teu amigo são um só
 Numa tarefa difícil
 Importante e humana
 Completam-se
 Obrigada por existirem farol e faroleiro…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




ALTANEIRO FAROL.

De olhos cansados, teimo em percorrer a memória. 
 Praias ao entardecer. 
 Rotas de areia d’oiro, 
 Mapas de búzios, 
 Canções de marujar. 
 As rendas de espuma nas falésias. 
 As pegadas pequenas nos areais perdidos!
 Altaneiro o farol. 
 Tremulejando. 
 Era a estrela mais perto do mar. 
 Eram tempos de encanto e descoberta. 
 Perguntei? 
 Mãe porque tem um sino o farol? 
 A mãe disse. 
 Para alertar as casas flutuantes. 
 Criança, eu sonhei. 
 Haver estradas no nevoeiro.
 Levemente se erguia sobre o mar. 
 Meus lábios tinham sabor a mar. 
 Corri na leveza, desses pés que me levavam. 
 Até… 
Onde as luzes brilhavam. 
 Ia porem muito mais longe meu sonhar. 
 Eu já corria no túnel mágico do tempo, 
 Escutava o tlintar do sino no farol. 
 Suspensa via o mar, tal céu em movimento.
 Mas era no alto das montanhas do céu a minha casa. 
 Foi tão altivo o farol da minha infância. 

Augusta Maria Gonçalves.




O FAROL

Ficas bem altaneiro!
 Entre o mar e a serra,
 A todos saúdas brejeiro...
 Mar, ar e também a terra.
 És um Farol muito bonito,
 Saltas á vista de quem por ti passa,
 Tens a profundeza do mar, ,
 A beleza verde da natureza,
 No Cabo da Roca é o teu lugar,`
 O mais Ocidental da Europa.
 Estás sempre vigilante e atento...
 Para a tua Missão cumprir.
 A beleza natural que se avista!
 Faz desta Cabo um lugar maravilhoso...
 Passamos bons momentos de lazer,
 O mar dum azul sereno, a se perder.
 No horizonte, que parece incandescente!
 As ondas que se desfazem ...
 Formam castelos de espuma,
 Que se vão esfumando no ar
 As rochas rendilhadas...
 São beijadas pelas fragas do mar!
 Fazem deste lugar! uma bela tela
 Pintada pelas mãos d' um pintor.
 Já o poeta entre todos o primeiro!
 Luis de Camões, escreveu:
 Que ali!
 Se acaba a terra e o Mar começa!
 Uma maravilha imparável.
 .
Rosete Cansado





Será que levitei?

Olhei o "Gigante"... subi...

do cimo espraiei meu olhar,

nas nuvens, castelos construí;

neles conjuguei o verbo amar,

em todos os tempos que aprendi.

Passei então, ao verbo sonhar,

enleei-me nele e fiquei ali....

na leveza da alma a pairar,

um novo mundo, assim, descobri;

meu ego ele veio acalentar...

momento assaz feliz... vivi

dele, jamais irei abdicar...

não desço, não desço - decidi -

Quero para sempre, levitar....

Ausenda Ribeiro





Hoje e o mundo

Não se queda o Sol sem cor
 Nem a bruta luz do farol com pudor
 Não cai o dia
 Sem que daquela casa ao lado
 Escorra amor por todo o lado

Branda chega a noite
 Chega de mansinho o fim do dia
 Chega aquela aragem leve e fria
 Chega o rumor da maré vaza
 E o cheiro da maresia
 Que fala do vai e vem
 Que toda a vida contêm

Não é sombria a luz do fim do dia
 É esperança até onde a vista alcança
 É amor que vaga brejeiro nas nuvens clareadas
 Pelos raios que lentamente se apagam
 É amor o lusco-fusco
 Aquela hora incerta
 Onde tudo parece acabar
 E afinal tudo começa

Sera o farol capaz 
 De males maiores avisar
 Quem do mar pescado traz?
 Será a casa de olhos bem abertos
 Capaz de abraçar quem acaba de chegar?
 Será esta Arriba, palco central
 De um só sonhado sonho ideal?

Toda a minha visão se embacia
 Não importa que já seja o fim do dia
 Tenho nas mãos a certeza
 Que neste espaço do mundo
 Está o mundo que é amor em estado puro

E só se apagará no dia em que
 Retirem do dicionário
 Todas as palavras que falem de beleza
 De emoção paixão alegria e tristeza
 E obriguem o coração a sentir
 Que tudo o que sente 
 ... é pura ilusão

ANA MARQUES 




------luz-----que-----me-----guia-----

tu és a luz que me guia...
 no meio da escuridão...
 deserto em que me perco...
 feito de multidão!

teus olhos são farol que irradia...
 a luz que meus olhos procura.
 em ti amanheceu o meu dia...
 e nunca mais foi noite escura!

inventei de novo a vida... e...
 neste tempo me tornei...
 nas coisas que inventei!

nos luares do teu olhar...
 nasci de novo e inteira... és...
 farol na minha cegueira!

março 2017 maria g.



FAROL 

Farol amigo que espreitas o perigo,
 dos barcos que navegam no mar e no rio.
 Em noites de tempestade, solta a tua luz
 ao luar e traz os barcos ao teu porto de abrigo ...

Farol amigo tua luz é esperança quando os barcos
 chegam a porto seguro, sem serem colhidos pelo mar
 e, em mar de bonança, os barcos navegam felizes porque
 sempre a tua luz os vai guiar .

Farol amigo que espreitas o perigo dos barcos em alto 
 mar, senta-te no teu trono e, lá do alto ilumina com a tua luz
 os barcos que a bom porto hão-de chegar !

MARY HORTA 




NA NOITE...

Luz que irradias
 Na noite escura
 Até ser dia 
 Companheira de mil viagens
 Das que fiz em alto mar
 Solitário eu mesmo 
 Somente tu, guiavas minha sorte
 Entre temporais 
 Muitos vendavais
 Se agiganta​vão as ondas
 Empurrando o navio
 Horas a fio
 Onde o medo reinava 
 Mas continuava 
 Seguindo a tua luz 
 Que a bom porto sempre 
 Me conduz 
 Sem remos fiquei 
 Sem âncora nem vela
 Apenas ficou a velha caravela
 E tu farol amigo
 Sempre contei 
 Com o teu abrigo

Anabela Fernandes.



LUZ MAIS BRILHANTE

No escuro da minha vida,
 Foste minha luz, meu farol,
 E para ti, minha querida
 Fui eu, um raio de sol.
 Em mim pudeste afastar
 Os tempos, de solidão,
 Em ti, eu pude apagar, 
 A muita desilusão.
 Um ao outro, fomos dando, 
 Muito carinho e amor 
 E assim, suavizando,
 Nosso passado de dor.
 No calor dos nossos beijos,
 Esquecemos o passado,
 Saciámos os desejos,
 Num doce viver, amado.
 Fomos ao longo da vida,
 Escrevendo linda canção,
 De ambos é muito querida,
 Pois pelos dois foi vivida,
 Em doce e terna, união.
 Como tu minha amada,
 Meu amor, minha paixão,
 Andará sempre gravada,
 Dentro do meu coração.
 Tu és presença constante,
 És ternura, és carinho
 Tu és a luz mais brilhante
 Que ilumina o meu caminho.

António Henriques 




Um farol é um guia

No alto do monte
 há uma luz 
 que ilumina
 mar da vida
 é um farol
 é um guia 
 de um barco 
 á deriva 
 o vento e as ondas 
 batem-lhe com força
 e o barco vai seguindo
 nas águas do mar
 ás vezes traiçoeiras
 outras vezes calmo 
 guiado pela luz
 que o conduz
 e o faz ancorar
 lá na margem
 o farol é um guia
 que guia e conduz 
 quem está em perigo.

Mila Lopes



Imagem a ser interpretada
Terça Feira dia 07-03-2017


O TRAÇO DO TEMPO

Que tempo é agora?
 Há quanto tempo, este tempo não para de parar?
 Este tempo de amar!
 E o mar espraia-se na areia,
 O sol encobre-se no horizonte,
 As estrelas nascem no firmamento,
 Para se apagarem na tranquilidade do lago.
 Corações solitários,
 Folhas ao vento
 Na tristeza,
 Como amantes da solidão
 Que baixou às almas.
 Gotículas de orvalho remanescem
 Na esperança do amanhecer.

José Lopes da Nave




O RELÓGIO E O TEMPO
O tempo passa num ápice
O relógio parou no tempo
Já não sei a quantas ando...
O tempo vai-se passando
O relógio está numa boa
Só queria adormecer
Acordar quando o relógio andasse
Fico entediada
Como pode acontecer
Um corre
O outro estagnou
Tenho de pedir ao tempo
Que espere pelo relógio
Mas o tempo é imparável
Passa correndo até tropeça
O relógio não se preocupa
Podem viver sem ele
Mas sem tempo é que não
Tudo depende dele
Não sei a que horas chegas
Não sei que horas são
Mas que grande confusão
Oh tempo espera ai
Não vês que vou tomar banho
Vem ai o meu amor
Quero estar perfumada
E vestida a rigor
O tempo faz orelhas moucas
O relógio sorri e espreguiça-se
Pronto…Já sei o que fazer
Deitei o relógio fora
E fiquei só com o tempo
Que o tempo passa depressa…
“BRASA MAGDA BRAZINHA




ABRAÇOS DE TEMPO
...
Bela imagem.
Há coisas da antiguidade.
Um relógio antigo correndo num tic-tac, através dos numeros repetidos do tempo.
Oh! calendário! Te fito, incrédula.
Como? Já tantas folhas arrancaram de ti o vento dos anos.
Sim calendário, em cada dia um novo numero.
Correm apressados os dias.
Enquanto o relógio distraído.
suspira cada segundo ao compasso do bater do meu coração.
Sim! Calendário, relógio,medis o tempo.
Somam-se manhãs de céu claro.
Abraçadas aos astros rindo na noite.
O tempo, é relampago aceso que brilha, cai rasgando o ventre da terra.
Mais um dia, mais umas tantas horas divididas em suspiros e musica.
Já cheira outra vez a primavera, Março diz o calendário.
Já há flores para colher.
Está alindado o templo.
O relógio sussura segundos em segredo.
O tempo passa.
Os rios correm.
As aves enchem o espaço, o vácuo entre o alvorecer e a noite de enluarada.
E nós caminhantes sobre os astros envelhecidos.
Tateamos o rosto, com as mãos poídas de cansaço.
Sabemos as trilhas dos sorrisos em cada ruga profunda.
O tempo é um artesão implacavél.

Augusta Maria Gonçalves.



Tempo 

Tempo de reflexão 
 Tempo de respostas de uma forma mais simples e eficaz para os seguintes requisitos da vida 
 Tempo que roda grande parte dos casos em angústias 
 Tempo gasto com o refúgio e muitos outros géneros sentimentais 
 O tempo não pára 
 A vida é feita de pequenos prazeres da sua caixa emocional 
 Sentada olhar o vazio de um nada, o tempo não pára 
 Não existe um nada 
 Não existe um parar no tempo 
 Tudo gira mesmo dispersando a vida... O tempo leva a vida... 


Sónia Pinto





TIC-TAC, TIC-TAC, TIC-TAC

Tic -Tac, Tic -Tac, Tic -Tac
 Vem ao mundo uma criança
 Os pais com amor e esperança
 Só lhe querem muito bem
 A vida agora é diferente
 Com o novo ser vivente
 Que esta família tem.

Tic -Tac, Tic -Tac, Tic -Tac
 Um jovem vai para a escola
 Leva na sua sacola
 Seus sonhos e fantasias
 Amigos, vai conhecer
 Com professores, aprender
 Coisas novas, todos os dias.

Tic -Tac, Tic -Tac, Tic -Tac
 Vai-se um adulto casar
 Nova família formar
 Com o seu par muito amado
 Filhos, eles irão gerar
 Com amor os vão criar
 Nesse lar por eles, formado.

Tic -Tac, Tic -Tac, Tic -Tac
 A vida se foi passando
 E o casal trabalhando
 Levando a vida p´rá frente
 Veio agora a reforma
 Calma e descanso é norma
 Sempre com amor, presente.

Tic -Tac, Tic -Tac, Tic -Tac
 Com os filhos já criados
 E com os netos amados
 É o tempo de alegrias
 Passeios os dois vão dando
 Um ao outro se amando
 Nesse decorrer dos dias.

Tic -Tac, Tic -Tac, Tic -Tac
 Mas já é chegada a hora
 Toda a família já chora
 Nesse tempo de partida
 É uma dura realidade
 Deixam em todos, saudade
 Neste teatro da vida. 

Tic -Tac, Tic - ..…………………

António Henriques




O TEMPO

O tempo chama por mim...
 A cada segundo, a cada minuto
 E passa a hora...
 Passa o mês, passa o ano
 E é esse tempo que passa e que um dia, me deixa ir embora
 O tempo está à espreita, chama por mim
 O tempo, em nada me fica imune
 O tempo é vida, é aprendizado a cada queixume
 O tempo é o relógio da vida que me chama
 O tempo é um mundo redondo... 
 É tempo é tempo que arde em cada página do Calendário, 
 O tempo é fogo é lume
 É fogo que arde ao nascer e ao Pôr-do-Sol 
 É onde me resguardo apaixonada, ao ver o seu cume
 Tudo é luz, tudo é cor...
 O tempo, é quando eu vivo o meu tempo sem tempo
 Com sentimento, paz e amor.
 ...
 Tudo é leveza quando olho à minha volta a Natureza
 Tudo é Amor quando levito no Calendário do tempo, 
 olho o Relógio... Olho-o e quando o sinto ... Digo: 
 Tudo é mágico quando me sinto dona do meu Tempo
 Quando amo, quando me sinto amada
 Quando me sinto Gata Borralheira 
 Ou quando (dele) me sinto apaixonada
 Ao sentir-me uma bela Princesa.

Florinda Dias




Tempo

…e o relógio ficou
 Marcando as horas
 ...e badalou…badalou…
Sem parar…no seu somar
 Na monotonia…sincronia
…do tempo a passar
 E é a rotina da vida
 Que se apodera e devora
 Cada minuto …cada hora
 Numa batalha perdida
 E o tempo desliza…e corre
 Como areia escoando
 Por entre os dedos
 Que desaparece e morre
 No chão dos nossos medos
 Do avançar do tempo
 Como teoria a conspirar
 Nesta breve passagem
…tempo…miragem
…e o relógio ficou
 Marcando as horas
 Sem parar…no seu somar
 Que passa e nos ultrapassa
 E nos deixa ficar…sem respirar
 Em algum momento
…no tempo
……que o relógio irá marcar

FCJ

 Fernanda Carneiro Jacinto



TIC TAC, TIC TAC

Finda o dia… de mais um dia
 Que eu não queria ver acabar
 Chega a lua, começa a noite
 E já meu corpo se reclama... do calor
 Que ruge das abas do teu gostar!
 Ponho o relógio a despertar
 Não vá eu não querer acordar
 E passar o dia a reclamar
 Por me ter deixado atrasar!
 O meu relógio nunca pára
 Marca a hora e o compasso
 Que eu repasso no tic tac, 
 Que o dia leva a passar!
 O relógio marca a hora e marca o dia
 Seja alva, seja escura, 
 Aquela que me alumia!
 É o tempo que me desperta 
 Das horas que levo a pensar!
 No desgosto de ver o dia findar
 Peço ao tempo que ande mais devagar
 Que me dê tempo pra navegar
 Nos olhos que me fizeram apaixonar!
 A pressa leva-me a afogar 
 As mágoas que quero repousar
 Preciso de tempo, quero amar com vagar
 E quero saborear-me
 Neste escrever de me regalar!
 Quero ficar nos teus braços 
 E ler-te nos meus abraços
 Sem ter de pensar que a noite se vai acabar!


Por zita de Fátima Nogueira






Imagem a ser interpretada
Terça Feira dia 28-02-2017


 NUDEZ

A nudez dos corpos
se expõe ao prazer do sol
que os acaricia com o fervor
na radiância enleadora
amplectiva e desejada.
Corpos sequiosos de afeição
que se dão em amplexos
intimamente conjugados
por afagos e deleite embriagantes
que os desvanecem em voluptuosidade.

José Lopes da Nave



“DESERTO EM CORPO NU”
Em cada corpo
Há um deserto por descobrir
Árido e seco
O corpo nu é arte
É amor
Fala o que alguém não entende
Descreve o que não se vê
É lindo de se ver
Emite sensações
Em cada duna
Em cada curva um desejo
Em cada ruga um encanto
Como um deserto
Precisa ser desbravado
Emana emoções
Irradia vibrações
Como um deserto
É ávido de vida
Tem mistérios por desvendar
Caminhos sinuosos
Um corpo nu fala
Grita o amor
Que têm para lhe dar
Estou aqui para ti
Como um deserto clama atenção
Tem sentimentos á flor da pele
Um corpo nu
Quer ser tocado e amado
É como uma flor delicada
Não quer ser mais botão
Só quer outro corpo nu
Quer desabrochar
Ser feliz…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA




ÊXTASE
No teu corpo amor, deslizo,
Subo montanhas, desço aos vales,
Deleito-me neles, assim como,
Nas encostas dos teus seios.
Procuro os tesouros que teu corpo esconde,
Com minhas mãos, os vou descobrindo,
Em mil carícias, demoradas…
Encontro a tua boca sedenta, de mim,
Encosto os meus lábios aos teus
E vou mitigando, com doces beijos,
Essa sede de amor e desejo,
Que trazes contigo.
Mergulho, nessa fonte de prazer,
Que escondes, nas colunas de alabastro
Das tuas coxas.
Nessa viagem dos sentidos,
Que fazemos juntos,
Vivemos para o momento,
Numa entrega total, sem barreiras;
Esquecemos o Mundo, o tempo,
Vogamos no espaço,
Num êxtase intenso, profundo,
Indiferentes a tudo,
Só tu e eu existimos
E celebramos, felizes, o nosso amor.


António Henriques




------------------nudez---------------

A nudez de corpos que se fundem.....
e confundem....
com a cor da terra pelo sol queimada....
................. em montanhosa exposição humana...
numa explosão lasciva de indizível desejo!


maria g.




 MULHER É VIDA

....Corpo....
......Terra...
........ Vida...
..... MULHER....
.... Âncora...
..... Semente....
Que brota e sente
Teus seios as colinas
Teu sexo o prazer
Tua dor minha dor
No regaço tens amor
És fonte que nutre
Poder e vontade
Corres sem parar
Montanhas e vales
Ás vezes sem destino
Sempre pronta a amar
Mostra a tua garra
Tu mulher
Vulcão
Que abraças o mundo
Com o teu coração


Anabela Fernandes



 FRAGILIDADE!
Corpos sedosos.
Frageis.
Toque arrepio à flor da pele.
Pétala de rosa, nudez caricia.
Desejo, de mãos,
Suplicio dos sentidos.
Enlevo, perfeição.
Nascem do toque leve dos teus dedos.
Caminhos, rotas, beijos, nudez.
Estremecem os corpos desejosos.
De beber a taça dos sentidos.
É no auge do frio.
Que se ateia e arde um fogo desmedido.
Se apertam as mãos.
Dedos crispados na pele rasgada,
Sangue, suor, lágrima...
Apenas a fragil nudez de um corpo...
Tanta vez inerte, pelo ultraje da pouca humanidade.


Augusta Maria Gonçalves.




 CORPOS DESNUDADOS
Corpos desnudados
entrelaçados
entrecruzados
assim expostos
às agruras dos tempos
para ali caídos
desejosos de sol
e compaixão
pedem calor
mais amor
mãos que os afaguem
a pele sequiosa
desejosa
de áqua e mar
neles a escorrer
para satisfazer
a sede deste mundo
que gritam
e pedem razão
a ouvidos surdos
e impassíveis
com seus
corpos desnudados.


Fernanda Santos   



 Corpos rasantes aos molhos
Cruzados, impelidos a fazer
Impedidos de dizer serenidade
Dou-te, dou-me
Posição e alma
Na calma de te sentir
Sem ter de te omitir do meu querer!
Corpos rasantes e radiantes
Na encruzilhada dos tempos
Nos sentimentos que se libertam
Por entre os dedos
Ávidos e destemidos
Expostos para serem absorvidos…
Pilha, montanha, orgia
Excessiva de apeteceres
Enquanto somente pareceres
Massivos aos olhos de quem só vê
O momento profícuo do deleite!
Montanhas de corpos…
Planaltos angulosos e perigosos
Preguiçosos e dengosos escorridos
Do descer paradisíaco
Feito para tirar proveito
Do sentir e do saber
Que sobrevoa a mente
E se pavoneia dentro do peito!

Zita de Fátima Nogueira 



 ...Corpos nus
Desejando viver amor e paixão.
…Corpos nus
Entrelaçados e unidos.
…Corpos nus
Que se falam e se abraçam.
…Corpos nus
Vivendo em comunhão
…Corpos nus
Transpirando emoção.
…Corpos nus
São Junção d’almas em união .


Mila Lopes



Nudez é magia
Nudez é magia
ao olhar atento
do pintor sedento
duma fantasia.
Para ver na tela
o sonho sonhado
há tanto almejado:
A obra mais bela.


Agradece a Deus
o seu privilégio
sentindo-se régio
nos condados seus.
Uma mais valia
P´ra coleção sua
“a figura nua”
Nudez é magia

Ausenda Ribeiro




 TATUAGEM
O meu corpo está tatuado
pelos teus beijos
pelo teu carinho
tenho nele as marcas de cada momento
tenho nele as marcas do nosso sentimento
e mesmo que mais ninguém me beije
ou me acaricie como tu
eu vejo em cada tatuagem
o nosso corpo colado um no outro
relembro nossos corpos unidos...
num Cali ente... Nu
relembro cada carícia partilhada
relembro o calor do nosso abraço
relembro cada momento dos nossos corpos em alvoroço
relembro fortemente o tão a(inda) presente... Laço
vou, não vou, indecisões
vou, com certeza que vou tatuar as nossas paixões
vou porque o nosso amor é pureza
vou porque o nosso amor é escaldante
vou porque gosto de te amar
vou porque é contigo que quero ir por aí... Adiante.
...
Vou porque...
É pra Ti que escrevo...
Meu amor apaixonante.

Florinda Dias




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 21-02-2017


Lembras- te, Amor?

Daquela manhã de Agosto, numa praia da Caparica, onde, habitualmente, fazíamos a nossa caminhada diária, (durante as férias)….
Tu foste só e eu, alegando que ficava a terminar a leitura do livro “Os Sete Minutos”- de Irving Wallace –permaneci, sentada na areia. Acariciaste-me o rosto, beijaste-me, ternamente e foste caminhar.
No regresso, reparaste que ali, bem perto do meu local de leitura, estava uma garrafa… (talvez trazida pela maré) que recolheste e curioso olhavas para ela… e reparaste que no seu interior, havia um manuscrito, quiçá uma mensagem que se perdera no tempo, sem que o seu destinatário, dela chegasse a ter conhecimento.

Habilmente, conseguiste puxá-la para o exterior e leste:

“O BAILE

Foi aquele bolero que dançámos
Quem despertou em nós esta paixão
No seio da pista alada levitámos
Dançando sem roçar sequer o chão.


Então, os nossos corpos enleámos
Envoltos em loucura... que emoção!
Num clima doce, afável nos amámos
Ao ritmo sempre certo da canção!


Contentes, extasiados, ofegantes
Leve sorriso cúmplice, de amantes
Logo pairou nos lábios sequiosos


Dos beijos de trocámos suplicantes
Por entre sonhos belos delirantes
Permanecemos mudos e orgulhosos.” *


Terminada a leitura, olhaste-me nos olhos, disseste “levas-me sempre à certa”, pegaste-me na mão para que me erguesse e abraçámo-nos, esboçando o mesmo “sorriso cúmplice de amantes” referida no soneto… Lembras-te Amor?
* manuscrito.

Ausenda Ribeiro




------------despojos----------

Lancei os despojos de um amor....

..... sufocado aprisionado mal tratado...

e por mil razões... moribundo....

nas altas vagas do mar alto....

.... para que as engoli-se e as arrastasse....

.................... para o seu fundo!

Mas os meus despojos de mágoas....

...... feitas palavras foram ter .....

a uma praia deserta......

........... onde esperam novamente.....

serem arrastadas pelas suas águas!

............ e finalmente este amor

poder .................. morrer!


fevereiro. 2017 maria g




“NAQUELE TRAÇO”
Pensei surpreender-te
Resolvi enviar-te uma mensagem
Numa garrafa
Rolhei-a bem e atirei-a ao mar
Naquele traço amei
Fogem-me as palavras no traço
O traço das palavras
Em qualquer dia
Em qualquer lugar
Recordo o gesto
A tua mão no rosto
O teu olhar de espanto
Não acreditavas
Que te amava
Estava escrito no traço
Embalei o teu sorriso
Meti-o na garrafa
Medo de não ter volta
Medi forças com o tempo
Deixei que o olhar falasse
Lavei o sonho enviei-o
Na corrente que passa
E o traço fugiu das palavras
Desenhei palavras errantes
Fantasmas sem rosto
Perdem-se na noite
Alumias o corpo e a alma
A nudez transparece nas palavras
Os corpos abraçam-se
Bocas beijam-se
Imagens de amor
Esboços de paixão
Nascem naquele traço
Guardei todo o meu amor
Naquela garrafa…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




 O TESOURO
Na praia dourada,
pelo mar encaminhado,
se aquietou um tesouro,
tesouro que muito me alegrou,
pois trazia novas do meu amor,
de mim afastado por intempéries
que me apartaram.
As marés, minhas amigas
e protectoras o conduziram
a mim, para sossego meu
que inquieto andarilhava o dia
na espera desesperada
de um doce amanhecer
com sol raiado a florescer
e o ondeado mar de alvura prateada
a me deleitar.


José Lopes da Nave




 GARRAFA MENSAGEIRA
Pelos mares fora sem tino
uma garrafa mensageira,
percorreu muitos quilómetros de distância
mas por fim chegou ao seu destino.


Dentro um papel bem bordado,
de palavras doces como mel
dum pobre enamorado...

Pelo mar se dirigiu a correr,
ao sabor de ventos e marés,
a bela garrafa mensageira..

Veio parar à beira da praia,
desaguou em cima da areia
e deixou ficar o papel, com
uma mensagem de amor verdadeira.

Uma bela dama viu e correu,
apanhou a garrafa do chão
pegou no papel e leu...Amor
estou perto muito pertinho,
de chegar ao teu coração !!

MARY HORTA 



 Num entardecer junto ao mar,
minha alma passeia,
deixa-se enlevar pelas brisas
aniladas, salgadas.
Perfuma-me o sal no areal,
fico plena, sentimental!
Será ilusão,
confusão de meu coração?
Uma garrafa selada,
lá dentro uma mensagem romantizada.
tenho sede dessa água,
de amor e anilada,
em minha alma enfeitiçada.
Entardecer, um poema em meu ser,
ternura incondicional,
em versos no areal.
Um amor numa garrafa selada,
um mistério d'água salgada.
Ilusão d'ótica?
Um querer real de meu ser sentimental?
Neste sentir,
me deixo emergir e fico a sorrir.
Se é sublime este sentir!


Emilia Pedreiro



 NESTE MAR SEM FIM
Deitei meu amor ao mar
Neste mar de mim sem fim
Corri ao sabor do vento
Nas águas de ti me perdi
Das ondas fiz meu alento
Corrente que me levou
Num desnorte sem sorte
Uma onda me embalou
Em bom porto ela me deixou


Senti meu amor voltar
Embebido em doces carinhos
Mensagem por outros caminhos
Chegou até mim por mar
Gaivotas que vieram brindar
Cúmplices deste momento
Que serenamente eu soube
Um dia iria chegar....

Me abençoou a aurora boreal
Num sorriso desperto senti
O fascínio de ser amor
O tempo agora real

Anabela Fernandes.




  A garrafa encantada
Andava sozinha e triste na beira da praia
olhando para o mar de azul marinho
de repente vejo uma garrafa
que veio parar na areia dourada
mesmo ao pé de onde eu estava
devia andar pelas ondas do mar há muitos dias
pois ela estava tão bem rolhada
mas eu fiquei maravilhada
por ver uma garrafa encantada
e por ter sido eu a encontra-la.


Lá dentro estava um a carta
eu estava maravilhada e tão feliz
que a abri com muito cuidado para ela não se partir
pois ela estava iluminada que parecia feita de cristal
peguei na folha que tinha lá dentro
que ao lê-la fiquei emocionada
naquela carta estavam escritas palavras sentidas
palavras de incentivo de amor e paz
lindas palavras bordadas de emoção
que tocaram a minh’a alma e coração .

Com lágrimas nos olhos olhei para o céu e agradeci
e pensei !
Na nossa vida nada acontece por acaso
Eu!
Que passeava sozinha e triste na beira da praia
tinha sido escolhida ler a mensagem
que dentro da garrafa estava escrita.

Mila Lopes




 ALMA GÉMEA
Anda daí, vem comigo
Como quando éramos crianças
Vamos passear há praia
Ver as gaivotas a voar
E sentirmos o abraço do mar.
Sentirmos o seu odor a maresia
Sentirmos o pulsar do coração
Nas suas vagas de espuma
Mergulhar nas suas águas azuis
Sentindo o seu amor em nós
Dando-nos força e alquimia
Para nos encontrarmos tu e eu.
Perguntarmos ao vento que passa
No seu barco a navegar
Se nos pode levar com ele
Para um tempo de amar
Porque o amor é universal.
A indecisão é perene


Pois tudo é intemporal.
O amor não é paciente nem espera
Há que abrir a porta
Quando ele quiser entrar.
Darmos no todo e amar em cumplicidade.
Minha alma não entende
Voltamos serenas mas indecisas,
Pois ambas sabemos
Que amamos o amor
Com muito fervor.
Não devemos perder no tempo
Nem no lugar.

Rosete Cansado



 SONHO.
Era bela, sonhadora e só.
Sua casa era de neblinas.
Sua varanda estrada sobre o mar.
Feliz descia a falésia, decorada de búzios...
Dormiam algas entre estrelas do mar em abandono.
E Ela adornada de corais,
Via lá longe navios a passar.
Sonhava…
Era sua a praia de areias finas.
Tinha nessa areia todas as trilhas percorridas.
Desde o tempo de infância as conhecia.
Tinha um rochedo, seu castelo.
Onde se sonhara já rainha.
Esperava, sim o princepe belo.
Só lá onde o mar beija o céu,
Os barcos passavam.
Nem princepe, nem beijo nem adeus.
Um dia trazida pelo mar.
Uma garrafa na praia descansava.
Esvoaçavam gaivotas a brincar.
Ela pousara ali seus olhos,
Suspirara,
Será que vem de longe esta mensagem.
Abriu.
Seu coração estremeceu.
Tinha esse pergaminho.
Dois beijos perfumados.
Um anel de safiras delicado.
Um desenho de dois corações entrelaçados.
Um sonho.
Uma promessa de amor já sem idade.
De um sonhador.
Que um dia, seu amor aprisionou,
Numa garrafa que o mundo percorreu.
ELA nesse dia de noiva se vestiu.
Depois adormeceu!


Augusta Maria Gonçalves.




 Corria no rolar dos meus pensamentos
Quando m' acorriam hirtos os lamentos
Sortindo sorrisos
Pelo som barulhento de longínquos... guizos!
Caminhava rio abaixo de lanterna e facho
Águas... lamentos adentro
Da foz até ao cais
Água, diz-me: Pra onde vais?
Traz-me desses lados do lado de lá,
A melhor flor dos teus sais
Quais palavras…
Mesmo que engarrafadas... essas e outras mais!
Ser-te-ei toalha, mortalha e fornalha
Qual amada perdoada
Nesta palavra mergulhada e mareada
Que por ti me foi enviada
Assim… desta forma tão original!
Grata me seja esta prece
Que por benesse se me oferece
No instante que m’ aparece
Vindo desses lados do lado de lá!
Uma prece
Que nas águas se desvanece
E eu precipito-me
Na busca curvada do sentimento
Anseios e desejos sob pressão
Na visão que m’ iludia no que via
Desgosto, desilusão,
Não era isto que eu queria?
A mensagem que m’aparecia dizia:
“Se me leres deixarás de ser ilusão”!


Por Zita de Fátima Nogueira



 Amor guardado
Em cima do rochedo,
escrevi uma carta...
guardei-a numa garrafa... Rolhei-a,
lá dentro estava escrita uma mensagem de amor
deitei-a ao mar e junto com ela foi a minha dor.
...
Voltei à praia vezes sem conta,
tinha esperança que ela voltasse um dia...
e quando passeava na areia olhava-a com magia
e a garrafa andava perdida no mar,
por mais que olhasse, um olhar que se perdia no mar... Não a via,
e sempre voltava, voltava a qualquer hora,
voltava até a vontade de voltar no tempo.


O tempo em que vi a garrafa e o meu sonho, ir embora
Um dia voltei ao rochedo,
o mar estava bruma, tive medo...
e não é que com a força das ondas a garrafa voltou;
estava partida, já não tinha bilhete,
mas o vidro ainda tinha a mesma cor,
era verde esperança.
...
A cor do sonho... A cor do amor.
Teu e meu.

Florinda Dias




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 14-02-2017



 Olha-me, 
Procura-me
Não vês este ninho?
Sou uma ave
Vivo pendurada nesta trave
Aqui estou
Sou eu que daqui t’ espreito
E te encanto
Com o meu alegre canto!
Quero e exijo respeito 
Esta morada é meu feito
Meu ninho é sempre perfeito
Casa rara
Que me ampara!
Sou ave... voadora
Construtora
De mim mesma fiadora
De minha prole protectora!
A natureza me confiou 
E porfiou 
No saber e na inteligência
Não preciso d’ experiência
Por instinto e sapiência 
Faço minha própria residência!
Sou modesta no querer
E no ter
Minha riqueza é o saber
Que morrer… um dia
Terá de acontecer!
Sou de curta duração
Dou o que tenho... por herança
Levo a vida com esperança
Que o nada é minha pertença!
Por Zita de Fátima Nogueira



“O MEU NINHO”
Sem ninho sentia-me perdida
Faltava-me a outra metade
Sou como um passarinho
Encontrei o meu ninho
Nele sinto-me feliz
Estou no aconchego do meu lar
Sinto-me amada e segura
Não tenho fome nem frio
Fecho os olhos e abraço-te
Abro as asas e voamos juntos
Sei o sabor do teu beijo
O nosso ninho é feito de amor
De afetos e ternura sem fim
Encosto-me a ti
Sinto o pulsar do teu coração
Envolvo-me no teu abraço
Sinto-me protegida
Os nossos passarinhos já voaram
Mas voltam sempre ao ninho de origem
Sabem que têm sempre lugar
Vêm recolher as migalhas de amor
Que estão sempre no nosso coração
Vêm repartir o carinho que lhes demos
É tão bom ter um ninho
Onde mora a paz e o amor
É tão bom espalhar pedaços de amor
Pelos nossos passarinhos
Adoro o meu ninho…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




 BELO VIAJANTE
Até quando passarinho
Andarás tu a voar
E construirás teu ninho,
P´ra descendência, deixar.


Na floresta verdejante,
Em que te inseres tão bem,
Estás tu belo viajante
Vivendo, do que ela tem.

Em simbiose perfeita
Com tua Mãe Natureza,
Ela te acolhe e aceita,
Tu lhes mantens, a pureza.

Formoso e alado ser
Ao Mundo tu dás lições;
Só queres somente viver,
Sem causar destruições.

Não és tu, como os humanos,
Cuja ambição desmedida,
Vai-lhe causando tais danos,
Deixando-a ficar, ferida.

P´ró homens ambiciosos
Tu não representas nada,
Matando, gananciosos,
Tua floresta encantada.

Só o lucro, os desperta,
Isso é uma certeza,
Deixam, feia chaga, aberta,
Onde existia beleza.

Pelas leis da Natureza
Devia-se o Homem, reger,
Conservando-lhe a pureza,
Lutando para a manter!

António Henriques




 PASSARINHO!

Passarinho que tanto voas
Perto da minha janela
Com teu cantar melodioso
De ti não estava há espera.

De lindas cores são tuas penas
Que te dão brilho e cor
Não sei como te chamas
Mas para mim, chamo-te por amor.

Quem pudesse ir contigo
Por esses campos e prados fora
Poisar nas flores e nos ramos

Ver nascer o começo da aurora.
O sol a nascer no Infinito
Que bom seria ficares comigo.

Rosete Cansado




Olho o mundo de uma forma perplexo
e nele,
vejo a falta de liberdade.
Sou um pássaro receoso
preso ao meu ninho.
No imaginário voo e tenho o universo
sob as minhas asas,
mas
quando toco o solo,
tenho medo e escondo-me.
Porque será?
Será que a falta da cultura humana
condicionou a minha liberdade?
Meditem comigo!
Se todos os pássaros pudessem ver o mundo
à medida das suas asas,
e livremente
pudessem voar sem medo dos atropelos,
seguramente eu veria
o mundo,,
de cima para baixo.

José Maria... Z L




 NO MEU NINHO DE AMOR
N o meu ninho te acolhi
O nde havia muito espaço


M oras no meu coração
E nvolto em tantas ternuras
U m presente eu recebi

N o dia em que eu te vi
I nverti o meu pensar
N um bailado de magia
H oje e sempre será dia
O nde voas sem parar

D e manhã cantas ao vento
E ntretendo o pensamento

A liberdade é o teu lema
M uito menos um problema
O nde houver amor sentido
R egressas sempre rendido

Anabela Fernandes




 NINHO, A CASA GRACIOSA FEITA COM CARINHO.
Com encanto e graça
Segue meu olhar.
O voo das aves.
Enternece-me tanto seu belo trinar.


Sonho cá no chão.
O quanto é belo.
Ter na ramaria.
Um ninho aconchego.
Pequena casinha.

Já vou dando conta.
Pois se avizinha.
Dona primavera.
Vestida a rigor.

Namoram as aves
Cantam a trinar.
Tecem voos, acrobatas natos
Rasam céu e vento…
Mas sempre a cantar.

Eu sei de segredos.
De ninhos vazios.
Daqui por uns dias.
Depois de uns retoques.
Vai haver ovinhos.
Depois muita vida.
Nascem os filhotes.

Há festa nas árvores.
Cantam a rigor.
Passaros melodiam,
Louvam ao Senhor.

Augusta Maria Gonçalves.



 O passarinho e o ninho / acróstico
Onde ninguém o deve encontrar, o
P assarinho entra e sai do seu ninho
A nda ocupado trabalhando horas a fio., ele
S ai cantando pelo buraquinho
S ai de mansinho e entra devagarinho,pois
A ma e dá de comer aos seus filhinhos
R epousa lá na árvore e olha para todo o lado é
I casável no dia a dia ,e
N ada o detém
H oras e horas a fio voa
O lhando tudo ao seu redor

E ntra e sai do ninho caladinho
O nde pensa que ninguém o vê , pois

N aquela pequena casinha
I natingível para muitos moram lá os seus amorzinhos
N uma ninhada aconchegada onde é o seu
H abitat natural , mas mais tarde eles saem e
O lhando tudo ao seu redor com medo começam a voar.

Mila Lopes




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 07-02-2017

Entre nuvens e Mar te vejo
De belas cores, maravilha!
E por momentos como eu desejo
Ser Arco-íris, quão alegria!

Isabel Lucas Simões 



MAR DE CALMARIA

Oh mar do meu mar,
onde o sol nunca se põe.
de tua água cálida
emerge a sereia
que anjo parece
e, me aparece
em sua resplandecência.
No cinza firmamento
as nuvens se diluem
o azul comparece
raiado de cores,
tua luminosidade,
jamais fenece
a felicidade me traz
em promessas
de calmaria, perene.
José Lopes da Nave



“O MEU ARCO-ÍRIS”
Sonhei que caminhava no arco-íris
As suas cores ofuscavam-me
Era um belo arco-íris
Com as suas cores fulgentes
Vermelho- a cor da paixão
Laranja - a alegria e a ternura
Amarelo- o desespero do amor
Verde- a esperança num mundo melhor
Azul- a candura de ser criança
Anil- a felicidade
Violeta- as flores da vida
Metamorfose de cores
Dá colorido á vida
Ilumina o universo de mil cores
Trago o arco-íris no coração
Trago-o na ponta dos meus cabelos
Todos nós temos um arco-íris dentro de nós
Existe no rosto das pessoas felizes
Irradiam luz
Depois de uma tempestade
As nuvens abrem-se…Deixam passar o arco- íris
As lágrimas são o arco-íris da alma
Chove dentro de mim
Mas sei que a seguir vem o arco-íris
Tenho um arco- íris na minha caneta
Escreve poemas e prosa de cores
Enquanto houver arco-íris
Haverá sempre poetas e poesia…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





 Que tesouros se escondem
para lá do arco-íris?
Que segredos,
e perfumes e lendas?
Um mar abissal de luz sobrenatural.
Palpita-me o coração
no mistério ancestral do arco colorido!
Fonte a jorrar sorrisos e lendas,
potes de oiro,
castelos e sereias,
nas dunas perfumadas e areias.
Fecho meus olhos e mergulho nas águas
desse sonho que anseio descobrir,
e sou sereia, nereida,
ninfa encantada
em cantos de mar.
Segredos por decifrar num coração a transpirar.
Que tesouros se ocultam
para lá do arco-íris?
Quais as letras com que o nomear?
Navegando nas águas do mistério
imagino um mundo rico em sentimentos,
sem dor ou lamentos.
Sumptuosos lugares de luz e amor,
cheiro perene de flor.


Emília Pedreiro



 FESTIM DE CORES
Acordar! Acordar e tudo ver.
Em plenas sedas se desdobra um leque.
Azul celeste.
Ao toque da brisa delicada.
Dançam,
Nuvens acetinadas brancas leves.

Aves! Asas em sintonia, em revoadas.
Riscam no céu azul traços breves.
O Sol acorda, abraça o dia.
Riem as flores em seu perfume.
Vozes doces de crianças descuidadas.
Cantam versos de amor…

Entoa melodias o vento solto e leve.
Claves de sol, delicadas bailam.
Tangos drapeados…
Entre fusas e colcheias.
Tambem nos ninhos a melodia é doce.
Passarinhos novos cantam a trinar.

Repentinamente.
O céu mudou de cor.
As aves recolheram.
A musica parou.
Um arco de fitas todo cor.
Riu no céu que empalideceu.

Sete fitas de cetim…
Branca, amarela, verde, violeta,
E mais cores esbatidas,
Talvez rosa ou carmim.
As ondas do mar,
Com mãos de espuma.
As fitas de cetim queriam tocar.
Num azul cansado a matrejar.

O mantel verde da terra ajoelhou-se.
Fluiu um sorriso de cada flor.
A chuva caiu.
Fez lembrar uma tela, antiga iluminura.
Sim, talvez!
Onde tudo era brilho, melodia e cor.
Olhar a natureza é uma ventura!

Augusta Maria Gonçalves




 ECOS DO SILÊNCIO
Neste silêncio em que me embalo
deixo o meu espírito caminhar livremente
num inevitável desalinho de emoções.

O Universo, em sublime cumplicidade pára
fica expectante de mim.

Pára o tempo… aprisionado nos ponteiros do relógio;
Amaina o vento… suspenso na quietude das árvores;
Sossega o mar… na acalmia das ondas dormentes;
Clama o silêncio… gravado na imortalidade da pedra.

Quero implantar em mim as asas da gaivota
e voar para além do reino das palavras;
Fazer um voo rasante sobre as águas
e deixar as asas acariciarem a imagem espelhada.
Cruzar a magia daquele lugar
onde os relâmpagos se incendeiam no horizonte.
Acompanhar o compasso certo
em melodiosa harmonia com a Natureza.

© Antero Jeronimo




 LINDO MAR
Que lindo estás hoje ó mar
tão belo tão chão, pareces um lago
tuas ondas meus pés vem beijar
acariciar minha pele n'um afago.


Gosto de ti meu mar
do teu infinito ondular
vens e vais cheio de emoções
trazendo sonhos, levando ilusões.

Na doce areia te espraias
a beijas a todo o instante
nas suas orlas te recreias

Sei que tambem gostas de mim
pois um dia me quiseste levar
talvez um dia em ti vá mergulhar.

Fernanda Santos



 MAR SEM FIM

Mar onde me perco
...Na calma que absorvo...
...Nas ondas me envolvo....
E só tu sabes de mim
....Do céu teu aliado...
....Vestes as cores do arco-iris...
Íntimos por fim
....São os dois do meu agrado...
....Um anjo me segreda...
Uma música ancestral​
...Me embala cada dia...
....Afastando o que há de mal...
Mar ás vezes revolto
...Remando contra a maré...
...Sigo sempre o teu percurso...
E espero ter sempre pé
....Beija o sol que te abraça...
....A mim me cai em graça
Solto ao mar minhas amarras.

Anabela Fernandes.



AMAR O MAR
Desembarcar numa ilha deserta
Amar em mar amar e deliciar
Contar meus lamentos de amar
Do verbo amar pronunciar que te amo
Num tempo que não para, saciar doce amar.
Ler ao vento que passa pelo mar correndo.
Mar ardente de paixão longamente em sedução
Que nas brumas exaltadas faz mal ao coração.
Nesta forma de amar em mar de gratidão
E amar em mar que és tão perigoso
Que nos amas na imensidão do mar tempestuoso.
E… como dói as coisas perigosas
Do amar em mar doce.
Navegando ardentemente
Num mar sereno amar ao luar,
Mas sempre o verbo amar cúmplice
Em vagas de espuma que se espraiam na ilha
Num desejo de amar e sentir o mar.

(RC) Rosete Cansado




Caminhada
Paralela ao olhar
Desfrute de maresia
Fragâncias marítimas
Salvam o meu dia…

Nos passadiços da vida,
Passos conduzem
À luz
Num encontro…

De ti,
De mim…
Nesses aromas
Suaves…

Como faúlhas,
Assaltam o meu ser,

Numa maresia
Sonora,
Brilhante,
De prata guarnecida
Pelos beijos do sol…

Na minha caminhada…
Ana Matias




POR BAIXO DO ARCO ÍRIS
Mar insondável e infinito
onde a minha alma navega
leva contigo o meu grito
desta angústia que me cega...


Afoga as minhas dores em ti
leva-as pro cabo do mundo
meus medos em ti perdi
minhas lágrimas afundo...

No dealbar de um novo dia
serena-me a tua miragem
numa espécie de magia
meu "barco" segue a "viagem"...

Com ele o coração deixo ir...
a bom porto há-de aportar
por baixo desse Arco Íris
que vejo em ti despontar...

Aida Maria (Aida Marques)




era um azul ondulante
num sussurro
de emoções
num horizonte infinito
em que me embalei,
numa viagem
sonhada, num barco
feito de nuvens
e fui céu aberto
beijando o oceano,
gota de maresia
nas asas
de uma gaivota,
voo translúcido
bebendo o mar inteiro
erguendo-me
no cimo da vida
nua de mim, vestida
com a magia do
arco-íris em busca
da liberdade azul


Ana Cristina Macieira




 O ARCO-ÍRIS

O arco -íris que brota do chão
Sete são as suas cores
Parecem pintadas á mão
Têm as cores de flores.
Tão belo no azul do céu
Que não há mais nada a dizer
Vê o meu olhar vê o teu
Além de um sonho o que mais pode ser?
É coisa deste mundo
Vejo a nuvem que se levanta
Sinto minha alma sem fundo
Quando a natureza me encanta.
Quem sabe um dia...
O arco-íris será um enorme escorregador,
Assim dizem as crianças com alegria
Também com emoção e amor
Tudo isto para dizer
Quando vejo o arco-íris me sinto amada
E como posso esquecer
Que no céu há uma coisa maravilhosa chamada!!
Carmen Bettencourt





 Calmo, plano, longínquo
sem ângulos nem vértices
nem arestas d' empecilhos
onde se mareia a linha do horizonte
em tons d' azul e carmim
rasante... um arco íris
sem princípio nem fim
clamando com insistência... por mim!
Sete linhas, sete cores
sem pudores, paixões ou amores
que se diga serem de seus rumores!
Atraída, perdida, caminho
se ele me clama ter-me-á
mesmo que o caminho seja... ruim!
Estendo-lhe a mão
quero tê-lo dentro de mim
quero guardá-lo no meu coração.
Por instantes sou redoma
invólucro transparente
que não se furta ao recato
nem ao retrato da minha visão!
Adentro-me nas águas salgadas
plácidas, paradas, estagnadas
tábua rasa, que não s' atrasa
ao poder desta miragem!
Deslizo-me levemente
sem sinais de pensar temente
navego à deriva sem me perder da sua imagem!
Quero tocá-lo, tacteá-lo...
quanto mais ando, mais ele se afasta
não me seja nefasta
esta hora que sobre mim se agasta!
serei única, mesmo que naufragando
neste poder de o alcançar
contrariando a natureza
que me foge com esta certeza!


Por Zita de Fátima Nogueira 





 hoje
pouco atrás do dia
veio o sol um pouco envergonhado
olho para o céu
que está um pouco enevoado
e lá longe no horizonte
vejo um lindo arco íris
que com as suas sete cores
jorra raios de luz
raios de esperança
que brotam do céu
Extasiada!
Peço um desejo
e sinto-me iluminada
ao ver mais uma bela obra do criador
que nos presenteou com amor.


Mila Lopes




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 31-01-2017


“SEM TEMPO”
Sem tempo procuro a palavra no tempo
O tempo foge-me por entre os dedos
Como areia fina
A caneta corre célere no papel
Digo às palavras um segredo
Escrevo no teu corpo o eco das palavras
A poesia grita na minha alma
O tempo marca o tempo
De viver e de amar
O tempo escoa
Corre levezinho
Leva-nos no seu turbilhão
Nos sonhos e nos pesadelos
Sem réstia de humanidade
Sem perguntas
Sem respostas
Não vale chamar ou gritar
Leva-nos na enxurrada da vida
Por caminhos tortuosos
Deixa-nos aturdidos
E sem forças
Sem tempo
Para despedidas
Para amarmos
Para escrever o que sentimos
Para proclamar a verdade
Diz simplesmente…
Acabou o tempo…
O tempo marca o tempo
De viver e de amar…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





 TEMPO
Que tempo foi então
e de que mês,
onde permanece e reside?
Este meu relógio nunca
pareceu tão lento.
Qual o tempo de agora?
Não conseguimos prosseguir
nem retornar,
perdendo tempo demais.
Porque
somos tu e eu
com nada a fazer
e, tanto a perder,
nesta razão irracional
de estarmos atrasados,
afastados,
sem podermos encontrar
os olhares.


José Lopes da Nave




O meu tempo escasseia...
O meu tempo escasseia...
Sinto a impotência para o travar
Assim...
Escrevo...
Quero deixar o meu legado
Na escrita guardado!
E no meu tempo que já não tenho...
Que lentamente se esvai...
E que como a areia fina
Me escapa por entre os dedos
Numa qualquer praia...
Num qualquer Mar
De água doce ou salgada
Seca ou molhada...
Acometido de calmaria ou agitado...
Onde eu possa esperar...
Pelo tempo que não espera...
Pelo ( meu) tempo acabado!


Luís Farto



Tempo perdido
Entre mim e o mundo
Há um abismo profundo
De tempo perdido
Que não foi vivido!


Tempo sem razão
Semente que não deu pão
Todo esse tempo perdido
Que não foi vivido!

Feito de sonhos por sonhar
Sem memória pra contar
Esse tempo perdido
Que não foi vivido!

Até os sentimentos se esquecem
E as palavras envelhecem
Em todo esse tempo perdido
Que não foi vivido!

 Maria G




 AMAR SEM TEMPO
Num tempo, sem tempo,
Amor te encontrei,
Num tempo com tempo,
Amor, te amei.
Ao longo do tempo,
Nos fomos amando,
P´lo espaço e p´lo tempo,
Juntos caminhando.
Na longa jornada
Que os dois percorremos,
Com paixão desvelada
O amor, mantivemos.
Mas sinto amor
Meu tempo a findar,
Sem sentir temor
Por ele acabar.
Sei que o amor
Que entre nós existe,
É um doce licor!
Que ao tempo resiste.
Sei que te amarei
E tu a mim também,
A ti voltarei
De novo, meu bem.
Num dia, num tempo,
Num dado momento,
Mas quando, não sei!


António Henriques




 AMPULHETA
Meço o tempo
ao compasso do coração
meço o tempo
levando-o pela mão
meço o tempo
sem tempo nem razão
meço o tempo
que não tem duração
meço o tempo
em época d'outrora
meço o tempo nos dias d'agora
meço o tempo
nos meus sentimentos
meço o tempo
entre apontamentos
meço o tempo
com ampulheta de areia
esvaziando uma parte
deixando outra cheia.


Fernanda Santos   




 Descubro-me emocionada
sobre as linhas do tempo
que já muito vivi.
Desvendo segredos
em minh'alma guardados,
lindos,
perfumados,
alguns empoeirados.
E sigo escrevendo
as páginas da vida
que a custo vou vivendo.
Palavras que emanam amor,
sílabas rascunhadas de dor,
exclamações,
interrogações!
Eu descubro minhas divagações
em versos perfumados de mel
rasurados na alvura do papel.
Debruçada no pó do tempo,
choro e rio,
rio e choro.
Emociono-me na neblina do momento,
Leio o passado com emoção,
retenho o presente
com tulipas belas em minha mão.
Debruçada sobre as linhas do tempo,
escrevo a emoção do momento,
interrogo o amanhã,
na incerteza se virá a suceder.
O tempo que vivi e vivo
numa gratidão infinitamente grande,
é o que me inspira
as letras que esculpo, com a caneta do amor.
Ontem, hoje... amanhã
uma vida de alegria, ternura
na beleza duma bela flor!

Emilia Pedreiro 




 Poema
Tempo e tempo

Sobe e desce, vira e revira
Nasce e morre, acorda e dorme
Não pára quando parado parece
Não corre quando corrido enlouquece
Não se esgota quando esgotado se esquece
Não se engana quando enganado acontece

É ilusão, paixão, desvario, gelo e vulcão
É um mal , um bem, uma pressa , uma saudade
É uma lágrima, um grito, um choro
Amor e amizade

É tardio, sombrio, mentira e verdade
É prisão, evasão, sonho e liberdade
É fino é poeira é pó é chumbo é carvão
É cal, sal, mel, fruto, flor ,doce e salgado
É Seco, húmido, molhado, chorado, cantado, amaldiçoado
Crescido, novo, velho, jovem, criança bem e mal comportado

É realidade, história, fingimento, grande, pequeno
Inocente, honesto, puro , casto, esperança e vontade
É insolente, maledicente, mentiroso, narcisista
Egocêntrico , esquizofrénico, esquisito
muito papel, muita tinta, muita saudação e muita negação

É sozinho, é Rei é vassalo, pobre, lorde
visconde marquesa e lei
É Deus, deuses , anjo, demónio, satélites
astros, planetas, cosmos inteiros

É a pele de nós, é nas gentes relógio de cuco
Canto em glória, inglório, fino e simplório
Guerra, paz, eterno, fugaz, mordaz,
tão à frente tão atrás
tão pouco, tão grande, tão pequeno
tão mal gasto,, tão mal usado
é vicio é viciado, é useiro e vezeiro em ser estragado

É de nós companheiro, voraz
assaz amigo, assaz traiçoeiro
Um pouco fato para um corpo farto
Que se quer vestido e armado
Para um tempo que se espera longo
escorreito, direito com conceito e preceito
Sempre presente e a jeito
… de ser da gente um tempo perfeito
ANA MARQUES  



 O tempo e a vida
Eu tenho tempo para tudo na vida
eu sou assim feliz como sou
eu gosto de sorrir e de dar gargalhadas
eu gosto de pintar e de desenhar
e sou feliz a imaginar.
Eu gosto de ver lá no horizonte
os pássaros a voar
e no céu o sol a brilhar
e as nuvens a dançar.
Eu aprendi a viver sem dramas
e a seguir meu caminho em paz
não quero mais lamentar - me do passado
eu quero e preciso ser feliz e amar-me como sou-
Eu já dei tudo de mim ao tempo
agora quero viver com esperança no coração
e viver de amor e emoção
quero aproveitar o que a vida tem para me ofertar
eu vi a este mundo para amar, abraçar e sonhar .
O tempo ensinou-me que tenho de viver
um dia de cada vez
e não vou perder a chance
que o tempo tem novamente para me dar.


Mila Lopes




Imagem a ser interpretada
Terça Feira 24-01-2017

“A CHUVA”

Oiço a chuva a bater nas vidraças
Chove torrencialmente
Olho da minha janela
As pessoas caminham
Apressadas
Rostos molhados
Semblantes fechados
Sem sorrisos
Dia sombrio e triste
A chuva parece falar
Nas suas bátegas constantes
Dizem coisas que não se entendem
Têm magia
A paisagem sorri
Estão felizes
São lágrimas da natureza
Deixam um cheiro amargo
Murmuram segredos
Na tarde molhada e triste
Parece não ter fim
Gosto de andar á chuva
Senti-la bater na minha face
Mas hoje estou aqui
Nos teus braços
Enquanto a chuva continua a cair
Estás aqui…Quero-te
Como as bagas de chuva
Beijam os prados
Tu aqueces a minha alma
Dás voz ao amor
Enquanto chove lá fora
Consumamos o amor
Na tarde chuvosa e fria…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA






anonimato fugindo
num passo firme
despersonalizado
hoje molhado,
irritado pela chuva...
que trouxe chapéus
em cores sem perfume...

gotas que tombam do céu
aceleram a multidão
apressada pela chuva
fria, escorregadia
como a vida cansada
numa luta constante
monótona, sem tempo,
prisioneira de si própria
em busca de sonhos
talvez uma serenata
à chuva fosse o início
de uma mudança
mas apenas um mendigo
com o seu cão
se recolheu numa escada
enquanto a turba
ignorava tudo
e todos...
era apenas mais um dia
de chuva...
Ana Ana Cristina Macieira




Passos

Passos apressados,

Distraídos… 

Cruzam-se sem saber,

Olham-se sem se ver.

Todos os passos 

Largos estão

Camuflados pela

Máscara da solidão.

Não há um olhar

Não há vontade 

De falar…

Passos 

Que passam ao largo

Duma distância

Consentida

Ao redor 

de cada forma de vida…

Ana Matias



 VIDAS
Cai a chuva de mansinho,
Sobre as gentes apressadas.
Vai-lhes molhando o caminho
E entupindo as estradas.
Gente que tanto corre,
Pela vida labutando,
Gente que um dia morre…
Quase sem por isso, dando.
Vão passando pela vida,
Sem lhe acrescentar valor,
Levando-a muito sofrida,
Sem lugar para o amor.
Sem parar, sempre a correr…
Vai esta gente apressada,
No fim da vida vão ter,
A alma e os bolsos, sem nada.
Quando Deus quiser saber,
O que andaram a fazer,
No fim da sua jornada;
Não saberão responder,
Só conseguindo dizer:
-Meu Deus…
-Olho e não vejo nada!

António Henriques


 A CHUVA
Cai do céu em bolas de cristal
Trazendo no seu cair
Água pura e cristalina,
Para tudo alimentar...
Nascentes, rios e fontes,
Lagos, barragens e montes,
Prados, árvores e flores.
É um bem que a Natureza,
Nos dá de presente
Para tudo ressurgir.
Sem chuva, não se pode
Viver, pois sua água
Que do Infinito vem
Ao nosso corpo dá vida,
E vida sem ela não há.
Mas também é orgulhosa,
E nesses momentos tais
Cai com força de mais...
Levando tudo pela frente
Sem dó, nem piedade
Dos que ficam sofrendo,
Por seus bens e haveres até os
Abrigos, ficarem destruídos
E muitas vidas também.
Ninguém a pode controlar
Só mesmo esperando o acalmar
Pedindo ao Poderoso,
Que faça a chuva parar.
A chuva tem magia e alquimia
Nossos olhos a podem ver, com alegria
Mas também a podem ver com tristeza
Força natural no Mundo, que sendo água pura
Também se torna impura.

Rosete Cansado



Sonhei com a chuva!
Na ficção do meu sonho
havia uma rua de mil cores,
com gente apressada.
Acordei!
Da minha janela deparei com este quadro
uma autêntica pintura,
proporcionada pela magia da natureza.
Chove e indiferentemente
as pessoas seguem seus destinos,
talvez
para seus empregos,
ou,
alguns afazeres inadiáveis.
Nas mãos
levam a merenda e o chapéu de chuva,
tranquilos,
desaparecem ao fundo da rua
sem se deixarem intimidar,
pelos olhares indiscretos
das janelas.
E chove!

José Maria... Z L




CHUVA DE MAIO
A chuva que cai 
Molha-me o rosto
Numa dança latina
Volto a ser menina
Rodopio o chapéu
Mesmo sem jeito
Olho a multidão
Me esqueço onde estou
Entre olhares curiosos
Mostro o que sou
O vento maroto
Levanta-me a saia
Perna descoberta
Agora é pela certa 
Endoideci
Desde que te senti
Chuva de Maio 
Das frias manhãs
Das tardes quentes
Do ribombar dos trovões
Refresca a minha alma
Traz um pouco da calma
Também lucidez 
Vem de mansinho
Molhar a terra
Abençoar as searas
Vem chuva amanhã
Talvez....
Anabela Fernandes.



 Multidão

Uma multidão, uma avenida
passos apressados
agitação.
Chuviscos de verão
aromatizando o caminho
de quem segue rumo ao seu destino.
Rostos crispados,
tensos, angustiados!
Multidão numa praça,
passos frouxos...sufocados
numa dolorosa e compungida procissão.
Pessoas indiferentes a tudo,
correndo de pastas na mão.
Uma multidão... mil passos de solidão!
Chuvas perfumadas de verão
numa manhã encimada de ponderação.
Trabalho... obrigação...
pontos de interrogação,
em rostos roxos de cansaço e preocupação.
Chuvas de verão
passos rápidos de decisão!
O emprego, a responsabilidade
de quem prossegue sua jornada.
Rostos indiferentes ao seu redor
rostos transparentes,
alguns com amor!
Um mar de pessoas, uma avenida
passos apressados
agitação,
silêncio e solidão num caminho
de espessa multidão!


Emilia Pedreiro



 Chuva numa tarde!

Numa tarde de inverno cinzenta
Lá de cima cai sem cessar
Com o trovão que atormenta
Que faz assustar.
Como me aborrece o dia assim
O sol eu queria ver
Mas é a chuva que enfim
Faz tudo florescer.
Peço para o bom tempo voltar
Com calor e alegria
Para à praia voltar
Pois que o mar tem magia.
Faz falta.. Do céu cai a chuva
Confesso...Não gosto de gotas à janela
Nem do gorro,nem da luva
Quero o Verão, voltar com sua luz bela!!
Carmen Bettencourt





 Um dia de chuva
Os guarda-chuvas
dançam na melodia da chuva
na sinfonia das gotas
num canto de nuvens cinzentas
nas notas sonoras da água que cai
à poças de água por todo o lado
poças frias no chão gelado-
As pessoas passam umas pelas outras apressadas
com o frio e a chuva
os pés estão molhados
as mãos frias
os rostos pálidos
sentem o frio e a água que lhe congela os ossos
e os pensamentos.
Num dia de chuva
o vento sopra
e assobia aos ouvidos
levando guarda -chuvas pelo ar
dia que começa nublado
traz com ele a chuva
que cai gelada .


Mila Lopes



Lágrimas de Inverno
Chovem lágrimas
...no corpo do mundo
E escondem a luz
...da alegria
Espalhando nostalgia
São nuvens que cobrem
...o rosto do céu
E o olho de luz
... desapareceu
A fragrância da terra
...salta
Paira nos sentidos
...no olfacto
E o vento
...sempre ciumento
Sopra zangado
...irado
Nos rostos
...desprevenidos
.........destapados
Cabelos voam
...pelo ar
Chicoteando o frio
... desagalhado
..........de arrepiar
Trazendo a lembrança
...do inverno
..........a chegar
FCJ

Fernanda Carneiro Jacinto




 OS PATAMARES DAS NUVENS.
Por entre as vidraças de um décimo andar. Uma ampla sala, onde o sol habita.
Hoje diferente, há apenas uns rastos de asas a dar um pouco de vida á tarde cansada
Sombreada de nuvens, ela olha a chuva caindo.
Tem por fundo uma musica de piano. Entoa lenta, leve, macia como a neve... caindo em flocos brilhantes.
Sentada na cadeira que a conduz a todos os recantos do seu mundo de vidro, escuta a melodia do piano.
Sonha figuras graciosas a dançar nos patamares das nuvens.
Estremece, talvez acorde de mais um passeio embalada nos seus sonhos.Vê, pingos de chuva, beijam a vidraça transparente. Escorrem goticulas de água lembram pinturas em acrilico diluido em rastos de transparencia. Dirige sua cadeira mais perto da janela panoramica.
Olha o movimento da cidade.
Por entre a chuva há leques de cor em alvoroço.A chuva sem cadencia cai fresca, solta como água rindo nas cascatas.
Personagens da cidade e do tempo, fazem no palco do dia uma peça real em cor e movimento. Tantos se cruzam no espaço da vida entre a chuva, indiferentes aos olhos que se procuram. Sobressaem as cores garridas dos abrigos abertos como cogumelos salpicados de laminazinhas de vidro transparente. Ela ali na prisão sem grades.
Abre os braços, desejava ser personagem daquela peça real do tempo. Apenas sonha, caminha dentro das visões. Entristece. recomeça todos os dias uma nova página da vida.
Onde é caminhante do tempo.
Tão cansada da jornada. É sempre dentro dos seus sonhos a Ave liberta cujas asas lhe dão a liberdade que um desastre em criança lhe roubou.
É no décimos andar, seu ninho de sonho aberto em vidraças sobre a cidade, enfeitada de chuva... e guarda chuvas coloridos.
Entoa o piano na solitária sala que o céu abraça e a chuva de beijos acarinha.


Augusta Maria Gonçalves.



Imagem a ser interpretada
Terça Feira 17-01-2017


 DIÁRIO

Escrevo palavras sentidas

Sílabas soltas

Onde me perco

Versos de mim

Um pouco de ti

Que alimentas 

A inspiração

Poeto o amor

Reinvento a paixão

No diário da vida

Sou eu mentora

Eterna sonhadora

Não faz nenhum mal

Dou alguma cor 

Se não está ideal

D' alma genuína

Quero ser criança

Libertar a fantasia

Beber a alegria

Nos escritos meus

Sem ter fantasmas

Nem sombras passadas

Apenas a motivação

De voltar sempre 

A recriar

Um poema 

Um texto 

Onde me entrego

A dor descarrego

Depois simplesmente

Vou folheando 

Cada página do meu viver.

Anabela Fernandes.



“OS LIVROS”
 Um livro é uma riqueza 
Num livro descobrimos o mundo
 Leva-nos a lugares nunca antes sonhados 
São como portas encantadas
 Sorrisos escancarados, lágrimas sentidas
 Viajamos com eles, lemos e sonhamos
 A escrever abraçamos o prazer de ler 
Voamos com as palavras
 Amamos com a poesia
 Soletramos o amor
 Imaginamos histórias
 Somos protagonistas
 Dialogamos com as sílabas
 Escrevemos com a alma 
 Ler é sonhar acordado
 Viramos e reviramos 
Páginas e páginas
 De temas, perguntas e respostas
 Ondeamos as ideias 
Soltamos as emoções
 Parafraseamos mais e mais 
É emocionante ler nas entrelinhas 
O que nos baila no pensamento
 Amamos e vivemos o que escrevemos
 Libertamo-nos de tabus
 Somos livres de amar 
De olhar com olhos de ler
 Os livros, esses amigos invisíveis
 São como um bálsamo
 Fazem-nos companhia na solidão 
Dão cor e paixão á vida
 Vamos ler cada vez mais e melhor
 Obrigada livros…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



UM LIVRO DE MAGIA
Comprei um livro pensando
Que o que estava levando
Era um livro de magia
Mas quando o fui desfolhando
Fui com espanto constatando
Que nele só tinha poesia.
Estava eu no livro lendo
Palavras que não entendo
Mas tinha a mente desperta
E mesmo não o querendo
Foi a magia aparecendo
Numa grande descoberta.

Página após página, bebia
Dessa fonte de magia
Que estava descobrindo
Nesse livro que eu lia
Via surgir dia-a-dia
Um mundo novo se abrindo.

Fui lendo todos os dias
Essas lindas poesias
Que eu lia com prazer
E dei comigo a pensar
Que voltas teria que dar
Para assim poder escrever.

Quando ao final cheguei
Uma mensagem, lembrei
Da qual me recordo bem
Dizia:- Meu caro amigo
O que aprendeste comigo
Só te irá fazer bem.

Por isso não me deites fora
Pois sempre em qualquer hora
Me podes, voltar a ler
Eu sou um bem precioso
Um material valoroso
A ti quero pertencer.

Em mim tu viste a magia
Que em meus versos existia
E que gostaste de ler
Por isso escreve também
Quem sabe um dia, porém
Se poeta vens a ser.

António Henriques



 LIVRO DA VIDA
Descanso do livro da vida
que comecei a ler, uma flor esquecida,
me faz recordar tão bonito viver .

Desfolho as páginas velhinhas
de tanto tanto as desfolhar...
Acordo, ao ler as linhas escritas
dum sonho, que ficou por sonhar.
Poesia escrita em páginas frias
dum romance de amor ...
Personagens fantásticas que acabei de ler...
Sonho de amor feito poesia, escrito em páginas
dum livro, que ficou por viver ...
MARY HORTA





PÁGINAS DA VIDA
Cada um de nós é o escritor
do livro da sua existência,
páginas de alegria ou dor
relatam a sua vivência...

Páginas à alma arrancadas
letra a letra o coração gravou,
muitas vezes letras apagadas
pela lágrima que as desbotou...
Páginas de encanto e fantasia
de recordações ancestrais
de um tempo de doce magia
em que houve prazeres reais...
Páginas de luta e nostalgia
escritas com sangue e a punho,
que todos desejaríamos
fossem tão só, um rascunho...
Páginas que ficaram em branco
outras que foram rasgadas
testemunhas de um desencanto;
páginas apenas sonhadas...
Aida Maria (Aida Marques)




  Poema acróstico de LIVRO
Eu leio bastantes livros
gosto de ler poesia ,prosa
pintura e desenho espiritualidade
mas em geral todos os livros
sempre me fascinaram
com eles eu aprendi o muito do que hoje eu sou .

____ É por tudo isto que eu ____
L:eio porque gosto de ler
I:magino o final que nunca é igual
V:iajo nas letras encantadas
R:evejo muitas vezes o mesmo livro
O:lhando e lendo eu vou aprendendo.
Com muitos dos livros que leio eu me identifico
com eles gosto de viajar
sonho com eles e voo a sonhar
e nos livros que leio
há sempre algo que me encanta
e muitas vezes me espanta.
Direitos de @utor reservados
Mila Lopes





 LIVRO
Os meus livros, são tesouros!
São parte de mim, da minha vida
Que os escrevo com alma e coração...
Exemplo da minha sensibilidade sentida.
Entendo que as palavras essenciais!
Que em vão vou procurando nos espelhos
Não sem alguma lógica intemporal...
Com tristeza, amor, amargura e esperança...
As que me exprimem, estarão nessas folhas!
Que sabem quem eu sou e para onde vou.
O livro tem verdade, tem fantasia, tem suspence
O livro tem melodia, tem cheiro, tem canção
O livro tem ruído, tem acção...
O livro sai da mente e transmite ao coração
O livro é um diário do meu sentir
Rosete Cansado






O LIVRO QUE OFERECI!
Os Livros são uma parte de mim
São uma parte deste rosto
De têmporas e olhos já cinzentos,chegando ao fim
Que em vão vou procurando para ver seu rosto.
E que percorro com a minha mão
Não sem alguma lógica amargura
Lei-os com grande emoção
Até com grande ternura.
Entendo que as palavras essenciais,
As que me inspiram, lá estarão
Nesse livro são especiais
Leio-as com grande emoção.
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo
Mas um dia quem sabe escreverei
Assim eu prevejo
E com alegria amarei.
Leio e folheio com toda a minha alma
O livro quando leio me acalma
Lindo livro ,que não escrevi
O LIVRO QUE OFERECI
Carmen Bettencourt





Livro da vida
São de plasma e sangue
as páginas do livro da vida
são de pranto, encanto e espanto
são brancas, azuis,
são mangenta rosa e menta
São de alianças douradas
cinzeladas, amarelas prateadas
brilhantes,descamadas
São de fogo de artificio
quando soa entre as pernas
um novo grito
São mãe, pai, tios, primos e avós
são companheiros, amigos
prosa, poema e voz
São no meio aventura, bonança
tempestade, nau, navio, jangada
dança, passada
partida e chegada
São dos ventos revoltosos
e das águas copiosas
invernos passados, lareiras acesas
chá, bolos, histórias
sonhos e promessas
São do Sóis ardentes
quentes,nascentes e poentes
banhos de rio e mar
areias finas e douradas
onde o sonho se sonha quente e acordada
São das insónias
lua e vénus
horas de calores a dois
horas de solidão, remorsos
e tanta tanta recordação
São páginas vivas
que se remexem escrevinham
confidenciam escondem
e tanto tanto mostram
É a vida a acontecer
ficionada,real
alegre ou triste
sou eu e tu e ele e eles
Todos nós num livro começado
e nunca acabado
em folhas altruistas
que nos acolhem e ás palavras
Se abrem como pavões em namoro
mostrando nas suas penas coloridas
que nos querem bem
Sendo nós ou não artistas
da realeza da plebe
da riqueza ou da pobreza
classe alta. classe baixa
ou classe por qualificar
Sendo nós assim
somente gente
que num livro nasceu
nele cresceu
nele há-de fenecer
sobrando nele
o que nele se viveu
... e escreveu
17 de Janeiro de 2017
ANA MARQUES



 Livro
Sou livro... perdido
Em lento desfolhar
Livro...estendido
Aberto ao teu olhar
Fala e diz
...nas palavras
Que o sonho acorda
...a alma
Pela noite lenta
...e calma
Onde o romance...se lê
Em tempo esquecido
...que não vê
E sente- se...e perde-se
...nas letras faladas
Nas folhas
...por mãos afagadas
Livro perdido
...encontrado
Em história de amor
...falado
Num tempo que parou
No livro que sou
...e tu lês...


FCJ
Fernanda Carneiro Jacinto




 Livro meu
Guardo em ti poemas em flor.
De gestos delicados te enfeitei.
Tens escrito aí por minha mão.
A trémula flor que fui no dia
Que Por amar beijei.


Livro, papiro ou pergaminho gasto...
Te acaricio contra o peito.
Semi cerro os olhos.
Te sonho feito.
De pétalas de lírio orvalhadas.

Talvez porque ao escrever minhas palavras,
Minhas mãos têm a delicada macieza da flor.
São sedosas, brancas.
Leves como soltas penas.
Rasando a minha voz.
Que recita poemas.

Te escrevi, livro meu.
No tempo em que a esperança,
Foi semente!
Depois a vida floresceu.
Dentro de ti!
Moram meus sonhos,
Meus segredos de amor.

Linhas em branco.
Pontes de dias em que a vida por névoa se vestiu.
Mas tanta linha onde escrevi.
Sol em plena manhã.
São tantas as folhas escritas com amor.
Que ao abrir este segredo meu.
Acaricio páginas da vida.
Sempre em flor.
Moram aqui garridas primaveras...
Tens páginas rasgadas.
Pois escrevi também alguma dor.

Augusta Maria Gonçalves.



Imagem a ser interpretada
Terça feira 10-01-2017

 E, A TERRA GIRA
A terra gira, em contínuo,
diversas janelas se abrem
perante o nosso olhar,
paraisíacas umas, aterradoras outras
exibindo realidades expostas,
tão diferenciadas
e pergunta-se o porquê?
Desmandos do homem
que na sua inconsciência e ambição
ignoram o preceito
da cohabitalidade entre si
e com a natureza,
apesar das boas vontades
e esforços desenvolvidos.
E, assim, o planeta continua a girar,
diariamente…
Até quando?!

José Lopes da Nave



“MEMÓRIAS”
Hoje fui reviver memórias
Matar saudades de fotos antigas
Fotos do ontem e de hoje
As minhas mãos tocam-nas
Os meus olhos absorvem as imagens
Como é bom recordar
Saudades do tempo que não volta
Espelhadas em fotos
Aqui!
Tão pequenina que eras filha
Tens um sorriso tão lindo
Sei quando ta tirei
No 1º dia de infantário
Ias tão feliz
Olha esta!
Quando nasceu o mano
Quão feliz estavas
Tantas e tantas outras
Momentos bons e menos bons
Elas não mudam
Nós é que mudamos
Uma fotografia é um mundo
Dentro da nossa vida
Alegrias e tristezas
Marcos da nossa vivência
Deixam laivos de melancolia
Deixam saudade de quem está e de quem partiu
Hoje é tudo impessoal
Mas eu revelo todas de que gosto
Espalho pela casa em painéis
Gosto de as ver e rever
Vejo nelas a minha vida
Passado e presente
Guardei novamente o meu mundo
Obrigada por estes momentos…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





 O MUNDO
O meu Mundo roda em volta dos meus
Com muita alegria e amor…
Já rodou com muita mágoa
E também com muita dor…
Com alegria ou tristeza
Ele tem indo sempre rodando
Nos meus dias com esperança
Conhecendo também o encanto
Desta esfera celestial
Que roda noite e dia
E que junto a mim se estende
Tanto no bem como no mal.
De facto é um mundo real
Que nos devemos orgulhar
Maravilha invulgar que nos faz render
Tanto na terra como no mar
É sublime e misterioso
Assim ele foi criado com amor
Por alguém muito especial
Que lhe deu todo o valor.
Conturbado no momento
Ansioso e muito instável
Pelo homem não respeitado
Nem amado…
À de chegar o dia do julgamento
Que será por Deus julgado
Havendo
Amor, esperança e igualdade


Rosete Cansado



 Precisava respirar, abri uma janela
Para deixar entrar um raio de luz
Numa vida que me parecia tão singela!
Dei comigo a ver o mundo
Em vez de chorar comecei a sonhar
Nesse mundo eu encontrei quantos sorrisos
Que me quiseram aliviar
E amizades que não podia imaginar!
Grande surpresa foi a minha,
Tinha entrado numa bola de cristal
Gerida por uma rainha de sorriso divinal
Qual aurora boreal sempre pronta a despontar
Abelha-mestra desta colmeia universal
Perguntei-lhe se queria ser minha amiga virtual
Dizendo que sim, abriu-me logo seu portal!
E assim de forma casual não foi um, nem foram dois,
Encontrei mais de mil habitantes neste mundo universal
Uns do lado de cá, outros do lado de lá
Foram muitos os que quiseram entrar no meu perfil
Levando-me assim a ter amigos
De uma forma que nunca pensei ser possível
São sorrisos os diversos carinhos obtidos
E sortidas são as versões conforme são as interpretações
São palavras e corações e são rostos
Que s’ encantam com as nossas publicações!


Por Zita de Fátima Nogueira 



 O MUNDO!
Redondo em movimento.
Planeta azul, onde os mares se espraiam.
E rios correm, entre vales,
Galgam pedras. Abrem caminhos.
Amam pontes ao luar.
Em beijos de água enluarada.

Nasce um ser.
Uma delicada flor.
Tem preparado um ninho com amor.
Depois o tempo voa na fração dos dias.
Esse ser descobre, o céu e o vento.
As árvores, as flores.
As aves, seus cantares.

Depois já ser crescido e com vontade.
Parte para conhecer o mundo.
Uma mochila de ilusões,
Duas tiserts.
Dois pares de calções.
Um telemóvel com GPS.
Muita curiosidade.
A esperança comanda a vontade.

Bebe aromas em todos os lugares.
Prova sabores.
Troca sorrisos.
Fotografa o arco íris mais bonito.
Fotografa com a alma.
Uma morena.
Uns olhos traquinas e bonitos.

Dorme sob as palmeiras na praia paradisíaca.
Dá-se ao sonho de todas as belezas já descritas.
Mas, um dia o céu sombreou.
Ao longe havia fumo.
Em chamas um recanto desse mundo.
Era aterrador.
Ecos de guerra e dor.

O jovem chorou,
Ainda não tinha percorridas as trilhas do destino.
Orou ao Deus da criação.
Haja paz!
Olhou-se empoeirado, cansado.
Teve saudade do seu lar.
Apanhou para recordação.
Sementes de árvores, umas pedras do chão.

Ainda seus olhos tinham sede.
Tanta era a vontade de crescer.
Isso porém traz a consciência da injustiça.
Da dor. Da má compreensão.
Desejou ser criança,
Onde a maior ilusão eram bolas de sabão.
E o mundo era a bola colorida que avança.
Entre as mão de uma criança.

Augusta Maria Gonçalves.



 ALDEIA GLOBAL
O Mundo é hoje uma Aldeia Global
Onde tudo se sabe, tudo se pode ver
Onde existe o Bem e também o Mal
Onde há felicidade e muito sofrer.


Onde há muita miséria e muita riqueza
Muita gente séria, muitas falsidades
Imensos horrores e muita beleza
Muitas vidas boas e infelicidades.

Contrastam também as desigualdades
As cores das peles, a xenofobia
As crenças, a Fé, as sociedades
Feias ditaduras e democracias.

Vivemos a vida sem ter amanhã
Sem metas e rumo, o medo instalado
Depressa, depressa, tentativa vã
De querer chegar, ao fim desejado.

Gira Mundo, gira, nesse teu girar
Anda a Humanidade toda a dançar
Para onde vais? Onde vais parar?
Tentam os humanos, isso adivinhar.

António Henriques



 PURAS ILUSÕES
Imagens reais
De um mundo
Diferente
Com gentes capazes
De tudo mudar
Então o porquê?
Das guerras e da fome
Violência
Carência
Um mar sangrento
Rostos de dor
Já sem amor
Eterno é o paraíso
De verde vestido
Azul do céu
No manto que cobre
A nossa caminhada
Que venham alvoradas
Pintadas de branco
Bordadas de ouro
Sejam o tesouro
A paz a brindar
Este MUNDO
Sem regras
Nas asas de um anjo
Venha o redentor
Abraçar com amor
Cada ser humano
Com igualdade
Trazer a tranquilidade
Que hoje é apenas
Pura ilusão


Anabela Fernandes.



 Na roda do mundo
viajam várias fotografias
de homens, mulheres e crianças
com lágrimas nos olhos
em soluços profundos
eles carregam nos ombros
as dores muitos ser humanos .
São os corpos que caem
é o sangue que a terra molha
é a ganância dos homens
são as marcas da guerra
são os corpos despidos da vida
congelados da dor e do frio.
É a era do medo que os destrói
é o ódio que sentam
é a raiva que os consome
são os corações sem esperança
é a revolta por verem tanta dores .
São vozes caladas , com medo
a fé que têm que desaparece
ao verem os corpos que tombam
e as almas que padecem.
______________________*______________________


E eu que ouço todos os dias falarem em paz e humanidade
mas eu vejo a todo o momento tantos horrores e tanta maldade.

Mila Lopes




Imagem a ser interpretada 
Terça Feira 03 de Janeiro de 2017


“A MINHA CAIXINHA”

Na minha caixinha em forma de coração

Guardei os meus sonhos de menina

As minhas paixões de adolescente...

A minha vida de mãe e avó

Dentro dela existe amor

Enegrecida pelo tempo

A ficar encarquilhada

Com tesouros no seu interior

Sonhos aprisionados

Mas a vida ainda sorri

Momentos mágicos

Que me levaram 

Para lá da imaginação

Amores que se perderam

Mas aqueceram a minha caixinha

Nela guardo recordações

Fotos antigas

Pétalas de rosa secas pelo tempo

Um anel pequenino

Tantas e tantas lembranças

Que me rasam os olhos de água

Guarda a minha alma 

A minha caixinha é um jardim

Nela nasceram flores lindas

Sorrisos de criança

Lágrimas e gargalhadas

Nela viveu a alegria e a esperança

Mas também a desilusão e o desespero

Ainda mora a saudade

Misturada com amor e paixão

Está velhinha a minha caixinha

Mas continua no mesmo sitio

Nela morará sempre o meu coração

Pequenas recordações

Nela resgato o tempo que passa

Quando for velhinha

Vou desfiar a minha saudade

Na minha companheira de solidão…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA



CORAÇÕES NA BRISA
A brisa dançava uma valsa de amor, ...
as cores eram música aos sentidos,
as últimas folhas secas do ano,
como corações,
pareciam bailar comigo.
Experimentei a alma leve,
vi o céu azul
as estrelas brilhando,
imaginava as flores sorrir-me
ternamente,
a contar-me uma história,
onde amor era a minha canção.
Imaginava o paraíso,
azevinho iluminado,
o rasto de um cometa,
beijos de querubins
em mim,
amanhãs e auroras de nuvens violáceas,
entardecer de matiz índigo,
bosques de sonho,
um amor irradiante,
um mundo novo a esperar-me.

José Lopes da Nave



Para ti Amor.
No amor que em mim já habita...
Dentro do meu coração adormecido
Esperando por ti sem desdita
Volta que não estás esquecido

Das horas fizeram-se espaços em branco
Daquelas que não vivemos os dois
Da vida fazemos sempre o balanço
Esperando que dispoletem outros sois
Que nos embriaguem com a sua luz
Os raios aqueçam os corpos despidos
No mar se entrelacem em cruz
E voem corações de amor até ti
Te toquem de leve aos ouvidos
Ao vento que sopra eu já pedi
Anabela Fernandes.



Sonhos e vida
Numa caixinha feita de sonhos
guardo palavras sentidas...
que são retratos da minha vida
guardo momentos de valores
guardo intimidades da minh’alma
são coisas minhas que carrego comigo
são coisas do meu destino .

Numa caixinha feita de sonhos
guardo o meu estado de espírito
e as cicatrizes que tenho no meu corpo
guardo também as feridas
que marcaram o meu coração.
Mas!... Nesta caixinha de sonhos
quando eu a abro vejo também sair dela
a esperança, os meus sentimentos de amor
os meus sonhos a minha força e a minha fé
e principalmente a minha vontade inesgotável de viver.
Mila Lopes



Avé Avé
...
Leva a vela luz à janela
leva brilhando cada canto e recanto
solta lume num estrondo de vulcão
e entra em cena um palhaço
em queda num trambolhão
É confeti, é exaltação
é assim um fogo sem combustão
é na gíria uma alegria
explodir em cor esta minha dor
Solta a rolha da razão
brilha um Sol na minha mão
agarro um pedaço de papel
colo um beijo um abraço
e atiro ao espaço cada pedaço
Leva esta luz um brilho
um certo espirro de um zangão
uma certa razão em dizer não
diz esta coisa borbulhante
avé, avé
... em frente vida errante
ANA MARQUES



SEGREDO
Subi degraus de sonho. ...
Flutuei nas nuvens de seda e luz.
Percorri todo o céu,
Numa procura.
Palavras não tinha, apenas o olhar.
Era um olhar em busca de sonho.
Talvez até uma utopia.
Teria eu de descobrir,
A entrada onde o amor,
Secretamente num jardim morava.
Na terra o vi!
O estreitei em mil abraços.
Ofereci-lhe flores, meigos cansaços.
Emoldurei com ELA algumas dores.
Mas sempre um sopro de esperança.
Levava as sementes da melancolia.
O amor se sentava,
Na palma sedosa das nossas mãos.
Era pura magia.
Nascia por vezes poesia.
Hoje anoiteceu.
Apenas a recordação o amor e eu.
Mas por magia, desço os degraus do céu.
Sento na doçura do colo teu.
Escuto tua voz, teu afagar.
Não! Orfã não serei.
Tenho todas recordações,
Estás comigo Mãe.
Semeia amor, eu colho ilusões,
Guardo sementes de amor e… recordações.

Augusta Maria Gonçalves.




Caixa de amor
Numa caixa de amor eu guardei
Mil e um corações apaixonados
Hoje quando ao mundo os libertei...
Sorriram em beleza iluminados

Voaram livremente rumo ao destino
Formando um conjunto de bela imagem
Muito embora de tamanho pequenino
Transportam uma enorme mensagem
Talvez alguém os consiga decifrar…
Entenda o que querem dizer
E se alguém os conseguir segurar
Que nunca os deixe fugir
Pois só assim poderá entender
O porquê de um coração não mentir!
Luís Farto




 Seduz-me
Seduz-me...
A imagem do luar
Caindo dançando sobre a água do mar
Seduz-me...
As cores quentes, vibrantes
Do sol que se põe em nós, calmante
Seduz-me...
As ondas bravas que se levantam
Em sua raiva embrutecida, que nos fascina
Revelando seu gosto salgado
Perfumado
Seduz-me...
A paz, os sons da Terra, a glória do sol
Que sujeitam os sentidos a despertar e vibrar
Seduz-me...
Esta Terra imensa que dança embalada
Por sons e cheiros a terra lavrada
Seduz-me...
Os risos, as palavras, o choro, o amor
Os olhos que sorriem, que olham com calor
Seduz-me...
A vida repartida em mil imagens coloridas
Que passam em filmagens lentas e corridas
Seduz-me...
A vida

FCJ
Fernanda Carneiro Jacintoi

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