Profissões em Destaque 2017


É uma iniciativa que tem como objectivo poetar e ao mesmo tempo homenagear as inúmeras profissões existentes e outras quantas já extintas. São tantas as profissões ao dispor que teremos registos muito variados e interessantes, certamente. Cada poema deverá referir-se apenas a uma profissão. Nesta iniciativa terão a opção de juntar uma foto da profissão escolhida, conforme instruções abaixo.

ATENÇÃO: SÓ SERÃO VÁLIDAS AS PUBLICAÇÕES FEITAS NO PRÓPRIO DIA - DAS 00:00H ÀS 23:45H.

NO AR ÀS QUARTAS FEIRAS.......

1 -  Obrigatório identificar a iniciativa com:
- ou nome da profissão no cabeçalho,  foto da iniciativa e foto da profissão;
-  ou nome da iniciativa e nome da profissão, no cabeçalho;
- ou nome da profissão no cabeçalho e foto da iniciativa.

2 – Textos a publicar no grupo

FOTOS: OU SÓ DA INICIATIVA...OU DA INICIATIVA E DA PROFISSÃO. NUNCA SÓ DA PROFISSÃO.


24-05-2017


ENGRAXADOR.

Homem humilde, simpático. 
 Numa das ruas da cidade da baixa do Porto. 
 Tinha a arte de dar aos sapatos ar de novos, reluziam que nem verniz. 
 Seus clientes de todos os dias lhe confidenciavam, segredos, alguns pecados deles e certas senhoritas. Aprendeu este homem simples uma distinta linguagem. Tinha boa clientela. Gente de saber e boa alma. 
 Uns ricaços empertigados por lá passavam.
 Mas a maioria eram cavalheiros de distinta profissão e esmero no trato. 
 Sabia de politica e de politiquices. 
 Sabia de homens solidários que se debatiam por nobres causas. 
 Enquanto polia os sapatos, que calcorreavam a cidade, que assistiam a palestras, iam ao teatro, a salões de dança. Ia proseando com e cultivando o espirito. 
 Vestia humildemente. Mas sempre limpo, cabelo bem aparado, barba feita, e perfumado. 
 Perito em histórias divertidas, ria ao compasso de dar brilho aos sapatos da clientela. 
 Sabia-se humilde mas feliz. 
 Desde criança ganhava o pão de cada dia,colheu da vida sabedoria. 
 Confiavam nele os fregueses, vendia bons conselhos, no brilho conseguido com esmero de artista na arte de polir sapatos. 
 Tinha também por clientes meia dúzia de rufias. 
 Brilhantina no penteado, cigarros no bolso, á mistura com cotão de uma suja consciência. 
 A esses, dava ele bons conselhos, mesmo sabendo que árvore mal educada torta morre. 
 Contava de homens que sendo ricos, por amor tudo perderam. 
 Outros que bem vestidos, empenhavam o relógio de ouro. Para dar um presente á mulher amada, esposa ou amante. 
 Pois ele sabia, mas guardava. 
 Havia ainda um por outro que dava lustro aos sapatos. O engraxador sorria ao saber que as solas eram rotas e gastas. 
 Mas tinham os sapatos que ter brilho. 
 Ria ao pensar. 
 Presunção e água benta, cada qual tem a que quer. 
 Era perito na sua arte, tão pobre nascido. Era feliz. 
 Tem um irmão que é um sábio e doutorado barbeiro. 
 Honradas profissões. 

Augusta Maria Gonçalves. 




___ENCADERNAÇÃO___

Falando de profissões 
 Vou tentar descrever a minha
 Aquela que durante anos 
 No meu coração foi rainha.
 E falo dela com tanto amor
 Aquele que usava habitualmente
 Quando com tanto empenho 
 Eu trabalhava alegremente
 Fazer livros foi no que trabalhei
 E fazia-os de coração
 Chamando-se então esse trabalho
 A arte da encadernação.
 A arte de fazer um livro
 Não é assim tão complicado
 Mas não é só cozer as folhas
 Nem ficar muito bem colado
 Tem de se armar as capas e
 Também tem de se ter atenção
 Da dobragem das suas folhas
 E também da numeração.
 Mas depois de algum trabalho
 E ver o resultado final
 Foi sempre compensador
 Quando por gosto os vinham comprar.


Fátima Verissimo



“O AMOLADOR”
Que saudades da minha infância!
 Lá vem o amolador
 Com a sua gaita-de-beiços
 Assobiando chamando as gentes
 Sons curtos ou longos
 Calcorreia as ruas e pracetas
 Caminhando lentamente
 Levando a sua bicicleta pela mão
 Preso na parte de trás leva
 O seu caixotinho das ferramentas
 De vez em quando 
 Vai mais uma gaitada
 Até diziam que quando passa o amolador
 É presságio de chuva
 Ficava a vê-lo da minha janela
 E lá iam as mulheres amolar 
 As suas facas e tesouras
 girando a sua roda de amolar
 Ligada por uma correia á roda da bicicleta
 Ia amolando e dando dois dedos de conversa
 Gostava do seu assobio
 Do seu pregão
 É o amolador…
Amolo facas tesouras e outros afins
 As tradições acabam 
 Esta é mais uma que já pouco se vê
 Acabando o trabalho
 Lá seguia ele com a sua amiga
 Para outros lugares
 Sempre assobiando a sua gaita-de-beiços
 Será que já não existem amoladores?
 Tenho saudades tuas amolador
 E desse teu assobio único…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



"BISCATEIRO"

Não tem trabalho certo
 Ou tem muitos ao mesmo tempo,
 Faz biscates para ajudar
 ao pouco ordenado juntar,
 E á comida pra por mesa.
 têm uma profissão
 mas ficaram sem patrão...
 sabem fazer de tudo um pouco!
 são habilidosos e jeitosos
 A vida está cara e para dar
 Ele arranja, o que lhe pedem
 O que aparece.
 Muitas profissões numa só
 Nem tem horários
 Só tem trabalhos!
 Ele ajeita-se a concertar qualquer coisa
 mas é um curioso!
 Profissões antigas hoje ninguém as quer,
 Fazem falta ao homem e á mulher.
 Havia escolas profissionais,
 Onde se saia já a saber,
 Fazer bricolagem em casa
 Não é para toda a gente,
 Mas, para um biscateiro experiente!


Fernanda Bizarro




O sapateiro

Quando dantes nos caía um tacão
 Ou havia um buraco no sapato
 Recorria-se ao sapateiro remendão
 Que o colava ali no momento exato
 Trazendo cola e borracha na mão!
 Hoje, não é assim, não há calçado que dure
 Nem sapateiro que perdure
 O sapateiro de hoje, por muito bom que seja
 Faz apenas o que deseja!
 Não há sapato por medida feito
 E até se compara calçado já com defeito
 Pra romper e deitar fora!
 Já não se ouve o pregão:
 O que é nacional é bom
 Ou se se ouve, foge-se dele
 E do preço que aparece nele!
 O que era nosso e bom
 Viajou lá para fora 
 Embalado em caixas de pandora...!
 Pra cá veio o que faz o chinês
 E o que ele faz é pra usar de uma só vez! 
 O pobre do sapateiro
 Guardou a linha e a sovela
 Mesmo que queira servir-se dela 
 Nem que o faça por bom dinheiro
 Que o fisco busca-lhe agora o diploma
 Sem s' interessar se ele tem... pão que coma!


Por Zita de Fátima Nogueira 






17-05-2017


AMOLADOR
Entoava na rua da cidade o toque mágico daquele pequeno instrumento, 
Do qual o nome desconheço. 
Sempre entoava aquele som em dias cinzentos. 
Era dentro da musicalidade, 
Que as gentes diziam. 
Olha o Amolador. 
Carateristico era,
A mocidade tinha-a na melodia que entoava ao sopro de seus lábios. 
Já os cabelos tinha branqueado. 
Suas mãos tinham a destria de fazer arranjos em coisa uteis. 
Consertava guarda chuvas. 
Amolava tesouras e navalhas de barbeiro, facas de cozinha. 
Um pinguinho no fundo de um tacho, roto por tanto cozer toucinho. 
Consertava com gosto peças raras. 
Loiças de outras eras, que por descuido eram quebradas. 
Unia-as com agrafes de metal.
Ficavam consertadas, por vezes esbotenadas. 
Têm hoje em dia algum valor. 
Algumas eu guardo com carinho.
Porque se perdeu no tempo, a profissão. 
A melodia que entoava. 
Só talvez num recanto esquecido exista um carrinho de amolador. 
Uma grande roda, um pedal, artesão sem escola. 
Mas catedrático em saberes sem igual.
Augusta Maria Gonçalves.




 O MERCEEIRO DO TEMPO

Figura ímpar
nas comunidades do tempo
na sua loja característica
que de tudo tinha,
desde os bens alimentares,
bebidas diversas
aos utensílios de trabalho
e produtos para a lavoura,
sem esquecer
os guloseimas para as crianças.
Os sacos de semente alinhavam-se
em frente ao balcão,
odorando o ar de aromas particulares,
por vezes cáusticos
outras perfumados.
O rol de fiados
era a sua conta corrente
dos fregueses,
sempre cumpridores.
Surpreendente
era o não ter o produto desejado.


José Lopes da Nave



“O PADEIRO”
Ser padeiro é dar vida
É uma paixão
A massa que se cola às mãos
O seu rosto enfarinhado
Fazer pão é amor
Há tantas formas de o fazer
Acordam cedinho
Enquanto alguns se estão a deitar
Têm encontro marcado
Com o amor das suas vidas
O pão-amor
Fá-los viver
Usam a sua magia
Juntam-nos com carinho
Farinha,açucar,sal
Manteiga, fermento, água
Pão é vida é amor
São criadores de sonhos
Alimentos que tanto gosto
Acariciam-nos
Dão-lhes vida
Dão-lhes forma
Depois de os moldar
Com as suas mãos mágicas
Vão ao forno
Amam-se quentinhos
É uma emoção o resultado
Nos intervalos fazem os belos doces
É de lamber os beiços
Há de todos os feitios
Depois é a exposição
É um pouco da vida deles
Que é exposta ao público
Que orgulho ser padeiro
Viva o pão…Viva o padeiro…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA



10-05-2017


O pastor da minha vila



Passa o pastor assobiando…

Atrás o cão, a ladrar,

 Segue o gado que anda pastando,

 e com cuidado o quer guardar



Passa o pastor ansioso…

para o cão vai a gritar:

- Corre lá, oh bicho preguiçoso,

 Não vá o gado tresmalhar!



Passa o pastor, sossegado…

Com o cão a o acompanhar…

Para casa vai descansado,

 Levou o gado a bom lugar



E eu aqui… a vê-los passar…


Fátima Rodrigues




O FERREIRO

O tlim, tlim ouvia-se ao longe,
 do martelo, batendo insistentemente na bigorna.
 Por hábito, aproximava-me
 e, às vezes, levava o arco,
 da brincadeira,
 de novo quebrado,
 para concerto.
 O ti Amaro, afogueado,
 olhava-me e sorria sempre, comentando,
 outra vez!
 Passava o lenço pela testa
 e interrompia o trabalho
 para, brevemente,
 proceder ao arranjo.
 Ficava maravilhado,
 o fogo, constante, faiscava
 dando tons rubros ao ambiente.
 O ferro ia tomando forma,
 naquelas mãos calejadas.
 E, por aí, ficava tempos …

José Lopes da Nave



“O ENGRAXADOR”
Menino sem esperança
 Que nunca foi criança
 Seguiu as pisadas do pai
 E por lá ficou
 Não conheceu outra vida
 Quem não se lembra do eterno engraxador
 Com a sua caixa mágica
 Com o seu banquinho agregado
 Dele saem pomadas, escovas
 O seu pano mais preto que branco
 Suas mãos enfarruscadas
 Saem sonhos
 Conhecem de cor os seus clientes
 Sabem os seus segredos
 As amantes dos ricaços
 Desfiam conversas
 Coscuvilham vidas
 Deambulam pelas ruas
 Procurando o seu sustento
 Naquela caixa velha
 Guardam recordações e saudades
 Engraxam sapatos finos ou botas da tropa
 Tanto faz, a vida deles é sempre a mesma
 A vida muda mas eles só têm de deixar
 Os clientes com os sapatos a brilhar
 Passam as mãos com carinho
 Nos sapatos que abrilhantam
 Quase já não existem
 Mas são ícones da vida
 Obrigada amigo engraxador…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




" PROFISSÕES EM DESTAQUE "

AS MODISTAS PRODIGIOSAS.

Oh! Paixão por tecnologia.
 Verdade sei existir.
 Basta debruçar na janela.
 Logo se abrem mil imagens.
 Correm rios de palavras.
 Isto é gosto,
 Puro devaneio.
 Porque profissão.
 É livro a ler
 Devagar.
 Que sonho meu.
 Olhar montras onde os manequins eram intocáveis.
 Vestiam sedas, brocados.
 E saias pregueadas de xadrez.
 Tipo kilt holandês.
 Foi então um desafio.
 Entre tesouras sedas e brocados.
 Mãos á obra.
 Corpos vesti.
 Alguns, de uma elegância delicada.
 E tantos, que a arte de um bom tom, alindava.
 Corrigindo com bom corte.
 Certa barriguinha ou perna mal feitinha.
 Entre provas, picadelas de alfinetes e conversas ligeiras.
 Os tecidos se tornavam obras de arte.
 Desfilavam as noivas vestindo brancas sedas.
 Véus de tul, caudas de rendas e cetins, arrastar.
 Lindas, na candura que só o amor sabe doar.
 Era um desfile de bom gosto.
 Vestidos de elegância.
 Alguma cor.
 Pois Modista foi profissão,
 Que aprendi desde menina.
 A exerci com eximia destria.
 Gosto e amor.
 No presente não por profissão.
 Mas sei de linhas de bom corte
 De vestir com elegância seja quem for.

Augusta Maria Gonçalves.




RELATO DE UM CAMIONISTA

Parto sozinho
 Na bagagem levo a saudade e a esperança
 Olho o asfalto,sigo seguro de quem sabe o que quer
 Para trás deixo os filhos e a mulher
 Ouço a melodia que me embala
 Falo sozinho num silêncio mudo
 Sigo a rota marcada,vejo a natureza em todo o seu esplendor
 Anoitece ,encosto para repousar,tomo um banho em qualquer estação de serviço
 Às vezes água gelada ,mas que fazer????
 Ligo para casa,tudo está bem...
 Na certeza porém ...estou sozinho
 Sou poeta ,gosto de escrever,viajo nas palavras ,falo de amor...da vida...pensamentos meus
 Tantos países,tantos idiomas ...tento aprender
 Aqui vou eu... amanheceu...
 Outro dia ,outra estrada ,outra chegada
 Almoço requentado ,lembranças de casa
 Anos e anos no mesmo silêncio
 Chego mais cedo,meto a chave na porta
 Coração palpita,sigo a direito vou ao quarto
 Olho a cama,eu não mereço
 O meu lugar vazio está ocupado
 Saio para a rua ,olho á minha volta
 Afinal o que aconteceu...

Anabela Fernandes




Balconista de café

Quem tem ou teve um café
 está horas e horas a fio em pé
 atendendo clientes
 vende um pouco de tudo
 mas o vende mais
 é vinho, aguardente
 uísque , cervejas , agua e café

Quem tem ou teve um café
 Sabe bem como é
 não tem hora marcada
 nem para sair nem passear
 pois nem deixam fechar a porta
 para comer, nem para nada.

Quem tem ou teve um café
 ouve várias conversas
 conversas sem interesse
 muitas vezes repetidas
 mas tem de ter sempre
 sempre um sorriso no rosto
 mesmo que esteja mal disposto.

Quem tem ou teve um café
 e não tem empregados
 faz um pouco de tudo
 serve as mesas ao balcão
 lava a louca e limpa o chão

Quem tem ou teve um café
 atura muitas coisas
 é bêbados é mal educados
 que só dizem palavrões
 gente que não vale tostões .

Quem tem ou teve um café
 Também atende gente humana
 bem humorada e educada
 trata bem que os atende
 desses eu tenho saudades
 são amiga/os que guardo no coração
 alguns têm sempre a minha gratidão.

___________são __________________

Amigas/os verdadeiros onde há cumplicidade
 e até hoje permanece entre nós
 uma grande e sincera amizade.

Mila Lopes



Ferreiro

Braços fortes, desnudados,
 Mãos firmes e habilidosas
 Transformam ferros forjados
 Em peças únicas e maravilhosas.

A forja, o fole, o calor e a tenaz,
 São a sua, sempre, companhia,
 Com elas mostra como se faz
 Obra de arte, onde nada se via.

Aquece, malha e volta a aquecer,
 Até conseguir a sua moldura,
 Bate certo para o ferro retorcer.

Um espelho ou um candeeiro,
 Tudo é feito com muita ternura
 Pelas mãos hábeis do Ferreiro.

Francis D’Homem Martinho






03-05-2017

O TABERNEIRO

Mestre do equilíbrio,
 alegre e folgazão, 
 copos na mão, 
 beata apagada entre os lábios
 caminha entre as mesas,
 onde os fregueses jogam a sueca
 e, oscilando o corpo
 qual contorcionista,
 entrega o pedido feito.
 Reparos não ouve, 
 está entre gente sua, 
 apenas, anota
 mais uma rodada
 que a sede é muita
 e a mágoa também,
 há pois que apagá-las.
 E, vai mais um copinho
 para a sossega da noite.


José Lopes da Nave



“O SINALEIRO"”
Que saudades do “policia sinaleiro”!
Apita o sinaleiro
 No seu apito sonante
 Vibra com o som do apito
 Quem sabe se apita o amor
 Nas paragens obrigatórias
 Vai um olhinho às meninas?
 Que charme tem este sinaleiro
 Deus queira que demore a andar
 Gostava de o conhecer melhor
 Vai uma piscadela de olho
 Coitado do sinaleiro
 Ficou todo envergonhado
 Parece um malabarista
 Ainda por cima corado
 Mãos que se movem constantemente
 Para cima e para baixo
 Em cada apito um olhar
 Bate mais forte o coração do sinaleiro
 Mas tem de ter atenção
 Para o seu serviço cumprir
 É importante estar atento
 Às manobras dos automobilistas
 O meu amor vai a passar
 Ia engolindo o apito
 Fiquei mesmo nervoso
 Alguns são mais contidos
 Outros fazem equilibrismo
 Em cima da peanha
 De luvas brancas e cassetete
 Assim é o sinaleiro
 Quase já não se veem
 Mas quando é preciso lá estão
 Quem sabe não esquece…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



VARINAS de LISBOA​

De Alfama á Mouraria
 Se ouve o pregão da varina
 Sobe a Rua dos Remédios
 Apregoando que é fresco
 Olha a sardinha e o carapau!!!!!
 Comprem freguesas 
 Que é fresquinho!!!!!
 Lá continua a caminho da Sé
 Sempre com fé 
 Em vender 
 A cesta ficar vazia 
 No rosto se ver alegria 
 Desce a feira da Ladra 
 Continua na sua jornada 
 Vendendo todo o pescado
 Hoje seguramente​
 O jantar dos filhos está segurado
 Amanhã outro dia virá
 A canastra cheia novamente
 Começa na Mouraria 
 Sempre com a mesma cantoria 
 Tempos de outros tempos 
 Que no passado ficaram
 Hoje se vai ao supermercado
 Mas o pregão da varina 
 Será sempre recordado


Anabela Fernandes



O LAVRADOR!

A tua mão é dura e agreste como o cipreste
 Mas sabes o segredo!
 Quando tens que lavrar e semear
 Conheces a terra como ninguém
 Reges-te pela lua e pel`o sol.
 Mãos que mudam de cor de tanto segurar o arade,
 Que moram e contam os meses
 Para chegar ao resultado.
 Lavrador não precisas mostrar tuas mágoas
 Feridas no corpo que te acompanham
 E tens no pensamento.
 A tua mão calejada pelo arade, pela foice e enxada
 Já está acostumada ao trato da terra ríspida
 Que trabalhas com olhar firme.
 Trabalhas o campo desde manhã
 Até ao orvalho das estrelas
 Chegas ao curral tratas da junta de bois
 Aconchegando-os com carinho. 
 Não tens tempo para limpar o suor
 Vais para casa, cansado e suado
 Comes um naco de pão com chouriço…
Feijão, ou grão ou uma sopa de couves 
 Deitas-te sobre um colchão de palha
 Para o corpo descansar.
 Novo dia chegará e há terra voltas de novo
 São as ferramentas que tens para trabalhar,
 Trabalhas com canseira, mas com vontade.
 Tua família de ti depende
 Esperas com ansiedade pela colheita
 Espreitas nos morros quando começa a verdejar,
 É bom sinal e ficas a rezar feliz
 Para que venha o bom tempo e as sementes
 Que germinaram te traga o pão.
 Com suor, fadiga e tanto trabalho
 Com chuva, com frio e pouco alimento.
 Sejas pois recompensado.


Rosete Cansado



O PALHAÇO

O palhaço no circo, ri, 
 Faz feliz também toda a gente,
 Que com aquilo que ele faz, sorri,
 Sem muita vezes, notar,
 Que ele ri em vez de chorar,
 P´las dores, que na vida sente.
 Toca variados instrumentos,
 Dá cambalhotas e falsas bofetadas,
 Dá ao público felizes momentos,
 Provoca em todos, sonoras risadas.
 Goza com o público, volta e meia,
 Com a sua maneira de brincar
 Faz de suas palhaçadas, a panaceia
 E as dores de outros, consegue aliviar.
 Mas quando o pano cai e vai embora
 E finalmente, o seu disfarce, despir,
 É nesse momento, que por vezes, chora,
 Por ter nenhum palhaço, que o faça sorrir.


António Henriques




O PADEIRO.

Tarda já a hora 
 Foge o tempo. 
 Mas trago na alma ventos falantes. Que fezem eco de trabalhadores. 
 Que não dormem . 
 Para que haja em cada manhã. 
 Pão saboroso. 
 Quente perfumado de suor e sal. 
 Farinha da espiga triturada. 

Na eira o trigo foi malhado. 
 Depois o padeiro de mãos carinhosas com afago. 
 Com farinha fermento e doação. 
 Amassa, espera que fermente. 
 Enrola na palama da mão. 
 E nas mesas há perfume de amor flor de pão.


Augusta Maria Gonçalves.

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