Eternamente Criança 2017


Com esta iniciativa vamos falar de nós, desde criança até à vida adulta. Contar experiências vividas, emoções e sonhos realizados ou não. As aventuras, diversões e momentos difíceis. As frustrações, pelo que não conseguimos, planos e desejos do que queremos realizar. Contar histórias, com um misto de realidade e ficção, falar do que somos, do que gostaríamos de ter sido e do que fomos. As palmadas, o primeiro amor, o primeiro beijo, os primeiros anos, a escola, primeiros amigos….tudo. Sejamos os realizadores do filme da nossa vida. Sem esquecer que o sonho comanda a vida sem esquecer a criança que há em nós….eternamente.


A ininiativa decorre à QUARTA FEIRA

ATENÇÃO: SÓ SERÃO VÁLIDAS  AS PUBLICAÇÕES FEITAS NO PRÓPRIO DIA - DAS 00:00H ÀS 24:00H. FORA DO DIA, SERÃO ELIMINADAS
A DIVULGAÇÃO É SEMPRE FEITA NO DIA ANTERIOR! 

1 - Obrigatório identificar a iniciativa com:
- ou com o nome da iniciativa,
- ou com a foto da iniciativa,
- ou com ambos.

2 - A foto a usar é sempre a da iniciativa. 
3 - Poemas a publicar no Grupo 

 TODOS PODEM PARTICIPAR!




19-04-2017
“ESPAÇO EM MIM”
Há um espaço em mim
Que não preencho
Onde me sinto outra vez criança...
Igual a mim
Longe da vida
Esse espaço
É um bosque encantado
Onde brinquei em criança
Esperava o meu olhar
De criança traquina
Que ainda mora em mim
Espaço sem tempo
Lembro esse lugar
Revejo rostos
Que amei e amo
Parte deles já partiram
Mas as boas recordações ficam
Resta a colina despida
De sentires de criança
Resta a pedra onde me sentava
Onde ria a bandeiras despregadas
Onde vivi sonhos de menina
Onde fui feliz
O espaço é o mesmo
O tempo passou
Deixou a saudade
As memórias e o amor partilhado
O passado permanece lá sentado
Há um espaço em mim
Á espera da criança que fui…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




Fecho os olhos e escuto os sons da natureza
Os zombidos que rompem o silêncio, o vento a soprar
Até de olhos fechados sinto esta beleza...

Deste verde que me envolve e embevece o meu olhar...

Abro os olhos e sorrio
Admirando as flores do campo
Recordam a minha infância 
momentos cheios de encanto
Sempre vivi neste meio
Noutro não me vejo a viver
Não tenho qualquer receio
Sou mulher do campo e assim gosto de ser
O campo trás-nos saúde
Poder Respirar este ar puro
A cidade não me ilude
Não deixo o meu porto seguro
Eu sei a vida é diferente
Trabalha-se de sol a sol
Ainda assim sinto-me contente
Por poder ouvir cantar o rouxinol
Tenho orgulho em estar aqui
E aqui minha filha criar
Tal como eu ela sorri
Por desta liberdade desfrutar
Poder brincar na rua, mexer na terra, ver os animais nascer
É esta a nossa escola da vida e nela gostamos de aprender
Adaptar-me à cidade? Claro que me adaptaria
Mas estou convicta e certa que não tinha a mesma alegria...
São meios muito diferentes, gosto deste ar puro sentir
Aqui quase tudo nos deixa contentes, quase tudo nos põe a sorrir
Aqui sou eternamente criança correndo em liberdade
Acho que não era quem sou a viver numa cidade
Gosto das coisas simples que a vida tem para oferecer
De olhar cada flor florida e se quiser entre elas deixar me adormecer
Isabel Susana Marouço




CRESCEU SÓ A MINHA SOMBRA.
Há como esqueci já o meu riso inocente. ...
Como fecho os olhos para me ver.
Sim.
Ver-me um pedacinho de gente.
De mãos pequeninas a rezar e agradecer.
A vida, dom por demais belo para percorrer.
Inclino-me sobre o canteiro dos amores perfeitos.
Como fiz em criança, queria-os eram tão lindos
Tal como brinquedos.
Ou estrelas a rir ao sol do meio dia.
Hoje beijo-os com o olhar,
Contemplo-os só!
Nada de os cortar.

Tenho tanta saudade dessa que dizem eu ter sido.
Boneca rosada, loirita, amarotada.
Deixou em mim o passar do tempo.
Risos de cetim. E rio, rio muito.
Com a musicalidade cantante,
Como água de rio que beija as margens.
Dou por mim a olhar a minha sombra.
Como cresci.
Bate-me no peito uma verdade.
Continuo amar com intensidade.
Colho por vezes flores.
Oferto-as com amor.
Porque da inocencia floresceu
A generosidade.
Augusta Maria Gonçalves.




Havia sempre uma canção pra eu cantar
Uma música que me fazia dançar
Um palco onde actuar...
Um sonho enorme por sonhar!

E eu criança ingénua e pura
Acreditava ser uma estrela e brilhar
Que o meu sonho seria ventura
E as noites sempre de luar!
Mas esse sonho um dia acabou
A criança cresceu e a jovem que era eu
Só então compreendeu
Que nem sempre há estrelas
No palco da vida
Para brilhar!
19-4-17 maria g



12-04-2017

O BANHO NO RIO

Férias de verão, na aldeia
 calor abrasador, 
 e, como refere a máxima,
 seis meses de inverno,
 três meses de inferno.
 Pelo fim da tarde,
 com um grupo de amigos
 a caminho do rio, 
 toalha ao ombro
 e calcorrear alguns quilómetros.
 Chegados, 
 era ver quem primeiro mergulhava
 em brincadeiras aquáticas.
 O tempo, assim,
 depressa passava
 e era o tempo de um regresso
 vagaroso, cansado
 e, como a fome apertava,
 não havia árvore de fruta,
 madura ou verde
 que escapasse, (por vezes com sequelas)
 até ao apetitoso lanche
 à espera em casa da avó.

José Lopes da Nave.



Eternamente criança

Vejo- me menina criança
 sempre pela mão de minha mãe...
 para todo o lado segura contente!

Passear... pra escola... catequese
 para todo o lado que fosse...
 essas coisas não se esquece!

Meu pai... eu ia sempre esperar
 quando chegava a tardinha...
 de braços estendidos sorridente!

Ao serão jogava-mos às cartas
 perdia sempre para tristeza minha...
 minha mãe fazia batota pra eu ficar contente!

Cansada de tanto brincar adormecia
 meu pai levava-me ao colo pra caminha...
 e os dois me beijavam e eu sorria!

Era a menina deles a sua esperança
 todas as atenções postas em mim...
 foi assim que vivi e fui criança!


12-4-17- maria g



“A MINHA ESTRELA”
Procuro a minha estrela 
 A que brilha mais lá no alto
 Na ilusão da vida
 Num vendaval de verdades
 Num mundo de mentiras
 Num sonho de ser criança
 Criança feliz e pura
 No mundo da brincadeira
 Com caminhos por descobrir
 No olhar da tal criança
 No jeito de ser mulher
 Á procura do amor
 No passar do tempo
 Entre um sopro de vento
 E uma tarde calma
 Vamos indo sem destino
 Fugindo da saudade
 E dos tempos de menina
 Que fui e sempre serei
 Vagueando por ai
 Deixando para trás
 A vida que já passou
 Num desatino de ideias
 De palavras submersas
 Vou no clamor da noite
 Procurando aquela estrela
 De que eu tanto preciso
 Para me alumiar a vida
 Procuro a minha estrela
 Que já andava perdida
 Estrela da minha infância…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




05-04-2017
FOSSE CRIANÇA

Quero a gata minha mansa
que me amava de coração
com qual em criança...

brincava no quintal

como se eu fosse o animal

da sua estimação...

Quero aquela caneta

que riscava minha camisa

quando em criança traquina

eu brincava aos poetas...

Ah... quando eu era menino!!!

Nesses tempos antigos

juntamente com amigos

todos nós pequeninos
num espaço sem horas
gozavamos o agora
a saltar e a correr
Pois nem sabia sequer
que em adulto eu iria
sentir a cada dia
imensa saudade
da tenra idade
em que pulava pra aqui
ou pulava para ali
e para lá também
às vezes no ora vem
às vezes no ora vai
nas costas do meu pai
E teria milhões
se ganhasse tostões
pelos beijos que eram tantos
nesses tempos sem prantos
Beijos que iguais não há
pois eram doces e quentes
de lábios ardentes
da minha mamã...
Quero a minha gata mansa
bicho lindo de estimação
que eu encostava ao coração
nos meus tempos de criança...

Eduardo Schultz



“O MEU SÓTÃO”
Saudades do meu sótão
 Do meu tempo de menina
 Há sempre um sótão
 Recantos escondidos
 Onde havia segredos
 Pedaços de nós
 Caixa sem chave
 Não sei onde ela anda
 Passou tanto tempo
 Esse tempo que voa
 Procuro incessantemente
 Encontro a chave
 No meio da tralha
 Boquiaberta
 Encontro pedaços de mim
 Ternuras esquecidas
 A cheirar a mofo
 Mas são pedaços de mim
 Fotos jamais lembradas
 De quando era pequenina
 Amarelecidas
 Vestidinhos de bebé
 Botinhas
 Tantas lembranças
 Caem-me as lágrimas
 Estavam abandonadas
 Pedaços de mim
 Recordações e saudades
 Ganhei um novo folgo
 Abracei-me a mim mesma
 Regressei ao passado
 Não dói
 Não magoa
 Resgatei pedaços de mim…
Do meu tempo de criança…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




----------- Já não há sorrisos ----------
Esvaiu-se a alegria das manhãs agitadas
de sorrisos e galhofadas ...
que a criancice permitia no seu furor....
Já as madrugadas perderam o seu esplendor​
e os dias ficaram enfadonhos...
vazios e frios sem os cuidados e os zelos...
e era vê-los ...eu numa correria e canseira...
a vida inteira!
Já não há as crianças da minha inquietude...
o sonho de as ver crescer em plenitude!
Já não há noites perdidas na espera ....
das sentir chegar da vivência da sua juventude!
Passou depressa demais esse tempo...
da sua primavera!
Ficaram por aí espalhadas...
imagens emolduradas...
para minha vida enfeitar.
Em cada canto ou recanto ....
há um sinal do encanto ....
das minhas crianças...
para as poder sentir tocar!


5-4-17- maria g.




À LUZ DA MEMÓRIA

Ah! Mulher menina. 
 Que te sobra desse tempo. 
 Algumas lembranças 
 Dos colos dos afagos. 
 Tempo esse de pés leves. 
 Cabelos anelados. 
 Caídos sobre os ombros. 
 Fadinha risonha 
 Nos lábios rosas em botão. 
 Que abriam em pétalas quando beijos repenicavas. 
 Nos rostos, hoje… quase todos são retratos . 
 Retratos gastos, que a memória retém alguns dos traços. 
 Chamas-te! Fitando o céu azul. 
 Menina!
 Vestido de seda aos folhos. 
 Mais parecia uma nuvem que pairava no jardim. 
 Corria atrás da borboleta colorida. 
 E no rir da tarde bolas de sabão 
 Soltava, bastava um sopro. 
 Logo o vácuo do tempo se enfeitava. 
 A menina ria. 
 A cada bola de sabão que se elevava no céu da fantasia. 
 Ela tinha expressões de pura melodia. 
 Eram já poemas, que ela, não sonhava, 
 Balbuciava já as primeiras palavras de poesia. 
 Depois o tempo passou veloz. 
 Cavalo de crinas despenteadas pelo açoite do vento. 
 A Menina vivia no recanto da infância. 
 Ouvia-se já a voz de coração. 
 Era urgência ter peito largo para recostar. 
 Era urgente degustar lábios com desejo. 
 A menina era já mulher. 
 Sua sombra esbelta, alindada de saltos altos. 
 Caminhando elegante na saia justa,
 Onde o bailar da anca era dança de véus em pleno dia. 
 Riu, brincou, dançou, amou. 
 Depois como árvore frondosa floresceu. 
 Amou profundamente. 
 Se deu inteiramente. 
 Chorou, semeou, regou, nem sempre colheu. 
 Mas aqui chegou, 
 Venceu. 


Augusta Maria Gonçalves. 




UMA MANHÃ NO RIO

Recordo o rio de cor amarela violácea da aurora
 matizado ainda de neblina
 desperta para a vida
 numa sinfonia de cor,
 espraiando-se,
 beijando sequiosamente a areia.
 As aves ensaiam o voo sobre a tranquilidade do rio
 E os barcos esperam os pescadores 
 que preparam a faina diária.
 As nuvens, ao longe, 
 resplandecem sob os auspícios do sol,
 espreguiçando-se, ainda.
 As árvores abraçam-se com a brisa matinal
 a magnólia acorda o seu colorido róseo
 as searas ondulam harmoniosamente
 numa dança sensual
 o vale verdejante canta a vida
 enquanto o rio se encaminha preguiçosamente.
 O orvalho dá o último beijo à planície.
 O sol acorda e aquece uma nova vida.


José Lopes da Nave




BRINCADEIRAS INOCENTES...

Como filha de cabeleireira
 sempre me atraíram os penteados
 e as longas cabeleiras
 cedo comecei a exercitar o meu talento
 fazendo minhas cobaias as bonecas
 tão logo as deixando carecas...

Traquina e irrequieta como eu era
 se o silêncio era total 
 meu nome soava num chamado de ansiedade
 descoberta numa qualquer "maldade"
 onde me encantava de prazer
 logo tinha um castigo à minha espera.

Teria uns cinco anos talvez
 fui brincar com uma vizinha
 enquanto as nossas mães conversavam
 nós as duas crianças brincávamos
 tomando o nosso "Chá de Bonecas"
 e tudo aconteceu dessa vez...

Aa mães por nós procuraram
 e por fim nos encontraram
 mas eram tristes as circunstancias 
 confiante no meu talento
 a minha amiguinha Guidinha
 ficara sem as lindas tranças...!


Aida Maria (Aida Marques)





29-03-2017


“PASSEIO”
Passeio nestas vielas encantadas
Como se navegasse no meu mar
Num atalho da maresia...

Entre becos e esquinas

Entre veredas de areia

Entre socalcos e pedras

Na rua dos meus segredos

Relembro as memórias

Dos meus tempos de criança

Rua dos meus silêncios

Do namorar às escondidas

De recordações sem fim

Becos da minha vida

Largo das brincadeiras

Entre sois e nortadas

Onde as ondas vão quebrar

Areias enamoradas
São conchas no meu olhar
Escamas da água do mar
São beijos de maresia
Nada nos detinha
Neste passeio de saudade
Caiu uma lágrima nua
Pelo tempo que passou
O passado já não volta
Mas a saudade ficou
Neste passeio da vida
Em que a criança voltou…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA



CAMINHANDO

Caminhando, ociosamente ,
 pelos campos da aldeia
 os meus passos me levam
 à casa velha da vinha.
 Percorro a antiga estrada romana,
 agora levada de água
 arada pelos rodados,
 quiçá de antigas quadrigas
 e, agora carros de bois e carroças
 que aprofundaram os sulcos.
 Forço-me a imaginar
 o modo de vida daquele então,
 em meio rural,
 mas de cruzamento
 de vias de comunicação
 direccionadas a lugares diversos.
 Mais adiante me deparo
 com duas sepulturas,
 lado a lado
 escavadas na rocha,
 porventura de dois entes amantes,
 aguardando a eternidade do amor.

José Lopes da Nave



A CRIANÇA QUE GUARDO EM MIM

Tantas vezes me pergunto
 como consigo fluir
 tantas vezes me pergunto
 como sou capaz de conseguir

Conseguir manter o sorriso
 conseguir ter um olhar doce mel
 conseguir não entristecer
 ao fazer rascunhos num papel

Desenhos
 desenhar a criança
 a criança que guardo em mim
 ternamente na lembrança

Criança animada, feliz
 criança que andou descalça na rua
 feita petiz

Criança tão terna, ternura
 crinaça que se aninhou
 num ninho de candura

Criança terna
 criança fraterna brincalhona
 criança cuidadosahoje já Mulher,
 e que os seus briquedos... Não abandona

E que brinquedos tivestes menina?
 e que recordações tu tens da vida?
 tu menina de olhar doce, rabina!
 tu menina a(inda) hoje... Eternamente Criança!
 e tão querida.

Florinda Dias


22-03-2017

“ÁRVORE DA MINHA VIDA”
Conheço-te desde criança
Minha árvore cintilante
O brincar de esconde-esconde
Quantas vezes baloiçaram em ti
Quantos sonhos guardaram
De menina adolescente
De mulher adulta
Até o vento te conta segredos
Quando a sua brisa te afaga
Quantos beijos presenciaram
Continuas uma bela árvore
Agasalhas na tua copa
Os pássaros que por ai passam
Dás guarida aos namorados
Às suas tagarelices
Aos seus arrufos
Árvores são como os poemas
São sempre mais e mais
Dão-nos paz e serenidade
Dão-nos aconchego e sombra
Amamos no seu restolhar
Protegem-nos da chuva
Vais envelhecer amiga
Mas não chores
Serás sempre forte e bela
Nunca te vou esquecer
Árvore da minha meninice
És uma velha amiga…
Árvore da minha vida…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




SORRISO DE UMA CRIANÇA
Como é belo o sorriso de uma criança.
É meigo, singelo e verdadeiro,
Igual ao de um anjo querubim,
Inocente, presente divino por inteiro.

O sorriso de uma criança transmite paz,
Luz de Deus, puro e cheio de amor.
Eterna esperança num mundo conturbado,
Ternura intensa dum jardim em flor.

Irradiando, vida, alegria e sentimentos,
Que nos desperta plena contemplação.
No bem viver dos nossos dias,
Pequenos seres que preenchem o coração.

Da alma vem o sorriso de uma criança.
Inocência ,fragilidade para proteger.
Doçura e sensibilidade que nos acalma.
Bênção infinita de Deus... a nos bem dizer.

O sorriso de uma criança é cristalino,
Como as gotas de chuva que caiem do céu,
Gargalhadas dadas em desatino.
Nossa vida muda com intenso amor seu.

Nos emocionam com a sua confiança,
Com sua graça e manto de protecção
Afagam...Acalentam e nos dão força
Filhos do amor... presentes no coração.

Rosete Cansado




ESSES DIAS DE FELICIDADE...
Quando a tristeza me invade
e o sorriso se evade
a minha vontade só tem um fim..
clamar pela criança que ainda existe em mim...
É ela que me transmite alguma alegria
e me ampara nas horas de nostalgia.

Quando o coração sofre e chora
e por alguma paz implora
recordo da infância a ternura
aquela inocência tão pura
que me adoça o pensamento
e o liberta do seu lamento...

Nesse relembrar da infância
volto a ser uma criança
recordações de menina
e dos sonhos que ela tinha
e então me invade a saudade
desses dias de felicidade...

Aida Maria (Aida Marques)



SONHO.
Anunciava-se a primavera.
Dizia a fada mãe.
Olha filha minha, como as aves alindam o céu com suas asas.
As árvores acordam.
Porque os pássaros fazem festa ao levantar.
Há ninhos em construção.
Riem as roseiras em botão.
E as camélias riem a brincar.
Minha mãe com pedaços de céu no olhar.
Me dizia teus olhos anjo meu são cor do mar.
E sempre que anoitecia.
As estrelas eu ia admirar.
Havia tanta melodia.
Os bichinhos da noite a conversar.
O vento corria a murmurar.
Abria eu as mãos de menina.
Tentando um sopro de vento agarrar.
Mas… que ilusão.
Na palma da mão.
Só um beijo de vento desenhado.
Eu criança ria.
Já a noite esfriava.
A mãe me dizia.
Vamos agradecer mais este dia.
Invocavamos a mãe de Jesus.
O anjo da guarda era amigo fiel de noite e dia.

Augusta Maria Gonçalves.





 


 
15-03-2017
“QUERIA SER SEMPRE CRIANÇA”
Queria ser sempre criança
 Ter no olhar a esperança
 De ter um mundo melhor
 Queria ter sempre em mim
 O olhar puro da infância
 O colo de minha mãe
 A inocência e a ingenuidade
 A alegria e a tristeza
 O meu sorriso feliz
 Hoje…Amanhã e sempre
 Queria ser sempre criança
 Criança feita de sonhos
 Nem que fossem de papel
 Caminhos coloridos
 Sorrisos e gargalhadas
 Sem pensar
 Nas crianças que existem
 Sem amor e sem pão
 Não sabem o que é ser criança
 Queria ser sempre criança
 Queria mudar o mundo
 Para que fossem felizes
 Vencerem todas as barreiras
 Ultrapassarem os medos
 Deixarem de lado a maldade 
 Terem paz em vez de guerra
 Haver fraternidade
 Sejam flor na infância
 Tenham amor no coração
 Queria ser sempre criança…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



CRIANÇA QUE ÉS

Criança, flor em botão
 teu sorriso sorri com o olhar
 perante a cor da natureza,
 acompanhada dos perfumes 
 que dela remanescem
 e te seguem 
 em brincadeiras
 que desfrutas.
 És a doçura e ternura
 dos amigos 
 que te auxiliam e auxilias
 e acompanharão, no provir
 que te está reservado.
 És a meiguice dos familiares
 que te protegem, complacentes
 e zelam pelo futuro, ansiosamente.

Criança, tu és a continuidade do presente.


José Lopes da Nave




------minha mãe não deixou------

era criança alegre e vivaz...

cantava representava ...

e na inocência de criança...

vir ser uma atriz eu sonhava...

------mas minha mãe não deixou------

era adolescente generosa ...

amiga carinhosa namoradeira...

pensava no enxoval era vaidosa...

estudar para vir a ser enfermeira...

------mas minha mãe não deixou------

hoje sou a criança contrariada...

que cresceu venceu...

mas não se convenceu...

muita coisa ficou adiada...

------porque minha mãe não deixou------


março 2017. maria g.





ERA UMA VEZ

Era uma vez uma menina

Que sonhava...sonhava... 

Que um dia a vida lhe dava

Aquilo que desejava.

Acreditava...acreditava...

No sonho de pequenina.


 Porém, a menina cresceu

Sempre a sonhar... a sonhar...

E a vida sem lhe dar.

E não parou de desejar

A acreditar...a acreditar...

E o sonho amadureceu.


 A menina, mulher ficou

E insistiu...insistiu...

De sonhar não desistiu.

O desejo não se cumpriu

Não conseguiu... não conseguiu

E o sonho se eternizou...


Ausenda Ribeiro








08-03-2017

TEMPOS QUE JÁ LÁ VÃO”
Como vão longe esses tempos
 Em que saltávamos á corda
 Presos num laço de ternura
 Jogávamos á cabra-cega
 Estávamos juntos
 Isso era importante
 A chamada amizade
 E a alegria de sermos crianças
 Crianças livres e felizes
 Atirávamos pedras á água
 Saltitavam 
 Pareciam bolinhas
 Dançavam nas nossas mãos
 O que atirasse mais longe ganhava
 Lutávamos pelas pedrinhas
 Como era salutar esta vivência
 Agora as crianças nem sabem
 O quanto representava para nós
 Estas brincadeiras
 Tudo era repartido
 Até o lanche que alguns tinham
 Amigos do coração
 Agora já não brinco às pedrinhas
 Já não salto á corda
 Nem brinco á cabra-cega
 Nem tu, criança de hoje
 Jogas no computador
 Passas o dia a enviar mensagens
 Tanta coisa maravilhosa
 Que se perdeu no tempo
 Éramos crianças felizes…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



01-03-2017

“TENHO SAUDADES”
Tenho saudades 
Da minha infância colorida
Dos segredos partilhados

Das nossas brincadeiras

Do teu ombro sempre pronto

Dos mimos trocados

Das palavras segredadas

Do jogar ao pião

Saudades de tudo o que vivi

De tudo o que tive

E do que não tive

Ter com quem partilhar a dor e o amor

Do apertar da tua mão

Dos teus conselhos sábios

Da nossa cumplicidade

Dos ralhetes que ouviste por mim

Do orgulho de te ter

Saber que estava segura

Do teu beijo de boa noite

Do teu aconchegar de amor

Da tua fidelidade

Saber que podia contar contigo

Do teu cuidado comigo

Do teu amor inigualável

Obrigada mano

Adoro-te…

Tenho saudades…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA


O CUCO
Férias de Pàscoa,
calcorreava montes e vales,
procurando a aventura,
conjuntamente com os amigos.
Nas azinhavras, riachos e arvoredo
ocultavam a vista,
todavia, ouvia-se o cuco,
no seu som timbrado
e monótono.
E, todos, um por um, perguntávamos:
“Ó cuco do ribeiro, quantos anos me dás de solteiro?”
E ele, na sua lenga - lenga,
começava o cu-cu, até descansar
e todos a contar.

José Lopes da Nave



INOCÊNCIA PERDIDA
Quero:
volver à infantil intuição
com os olhos da verdade tudo poder observar
libertar-me da manipuladora convenção
às coisas não estipular valor, ordem ou relação.

Não quero:
viver no permanente absurdo
a raiva, a vingança, a abjecta indiferença
as falsas paixões e as desilusões
em adultos rostos ver esculpidas.
Quero:
escancarar a janela do sonho
descansar o olhar
na pureza virgem dum novo contemplar
sentir no rosto a brisa da esperança
glorificar a vida
reaver a inocência perdida.
Antero Jeronimo
(reservados direitos de autor)



 ETERNAMENTE CRIANÇA
TRÁS ESPERANÇA!
Trás esperança e alegria
Transporta-nos no encanto
E no mundo da fantasia.
Quando rimos estamos bem
Sentimos o coração a palpitar
E quando juntos ao nosso amor
Um sinal para nos amar.
Tristezas não pagam dívidas
Sempre ouvi dizer
Vamos rindo sempre que apetecer
Pois não faltará tempo para sofrer.
Hoje o dia amanheceu brilhando
Na boca trazia um sorriso
Para saudar toda a gente
Uma criança a sorrir
É beleza é ternura é sincera
É magia, é alquimia
Ficamos felizes por vê-la crescer.
Quando já adulta
Ao olharmos para ela
Recordamos sempre o seu riso
Com saudade, mas com alegria
Nunca deixam de sorrir.
Pois fica para uma vida inteira
Nunca deixam morrer a criança
Que em nós existe,
Pois isso é ser feliz.
Rosete Cansado



 JAPONEIRA FLORIDA.
Tão possível ser criança, basta deixar o olhar rir.
Às crianças tudo encanta.
Crescemos sim, porém nos arbustos floridos da memória.
Nem todas as flores de desmancharam.
Pois vamos caminhando.
Sempre vivo encantada por nadas.
Continuo a dar por mim.
A subir ás árvores floridas da infância.
Abraço as flores e colho amor.
Pois esse que sonoramente canta nos ninhos.
No topo das japoneiras floridas.
Oh! Deslumbre,
Flores coloridas,
Onde as aves escrevem pautas de musica.
Tanta vez me reclino nos braços das árvores.
Depois sonho.
Sou flor que o vento embala.
Danço feliz nos patamares das nuvens.
Vestida de pingentes de chuva.
E raios de oiro.
Hoje, olho para traz,
Vejo as folhas gastas do livro do tempo.
Corro, ao encontro dessas páginas de poemas gastos.
Canso-me infrutiferamente.
Porque carrego no peito.
Todas as idades melodiosas de memória.
A criança que fui.
Serena dorme em meu cansado coração.

Augusta Maria Gonçalves.


22-02-2017


“CRIANÇA”
És criança
Ternurenta e doce
Foges do mundo

Rodopias sonhos

Sorris á vida

És promessa

És paixão

Acho-te nos meus olhos

De criança mulher

Tens neles o riso

És ingénua e traquina

Vais na maré cheia

Na maresia da ilusão

A vida te levará

No caminho da verdade

Por labirintos de magia

Te ensinará a crescer

Tens de contornar caminhos

Sem medos arriscas

Liberdades sem fim

Desabrochas para a vida

Vais encontrar nos escolhos

A maldade e a ilusão

Mas também encontrarás

O amor e o perdão

Tens de saber escolher

Qual é o melhor caminho

Para seres mais e melhor

Deixarás de ser menina

Passarás a ser mulher

Minha criança feliz

Que eras ternura e amor

Nunca deixes de ser criança…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA




 Menina dos meus olhos
Onde é que estás menina?
menina de cabelos loiros, pele branca
menina de sorriso fácil, olhos cor de mel
menina que olhastes a vida, com ternura
menina que te entregastes a ela, em candura
menina que te queres descrever no branco do papel.

Onde é que estás menina?
Menina de saia curta, ou de vestido cor de rosa,
Onde estás menina, onde é que te escondes...
Será num véu de nostalgia? Será entre vales e montes?
Será no meio de uma roça?
Mostra-te como És... Menina airosa.
Onde é que estás menina?
para onde fugistes...diz-me
Qual é a esteira que seguistes,
qual é a essência que sentistes,
Onde fica o espaço do teu jardim.
Onde estás menina criança?
Responde... Estás a(onde)
Responde... Ainda não me ouviste!
...
Ora bem... Estou aqui...
Perdida em recordações, talvez já um pouco cansada,
Estou aqui... Perdida dentro da minha infância, afim...
Estou aqui... Perdida na mais bela lembrança...
Perdida no auge da vida... Sorriso nos lábios.
...
Mas ainda sentindo a menina criança,
Que existe dentro de Mim.
Florinda Dias




MENINOS
Vem nas asas do vento
Esse eco de infancia.
Nuvens em movimento,
Melodias, cantos de inocencia.
Travessos meninos, do bairro de lata.
De corpos franzinos.
Tão mal vestidinhos.
Olhos tão profundos.
Brincam tão sujinhos.
Eles, o cão vira lata.
Brinquedos quebrados.
Pedras, uns pauzinhos.
São três, um grupinho.
Dois são rapazinhos.
Mais uma gaiata.
Pois, sós! Ao deus dará.
Mãe! Onde andará?
Brinca a inocencia.
Debaixo de sol.
Moldura de prata.
Retrato-os aqui.
De olhos profundos.
Os nomes não sei!
Para mim são anjos
De asas cortadas num mundo sem lei.
Augusta Maria Gonçalves.



15-02-2017

  DIÁLOGO, A CRIANÇA E EU.

Me dá vida por favor. 

Uma centelha de inocencia. 

Veste-me de gota de água límpida. 

Pura. 

Empresta-me das flores acordar um pouco de candura. 

Veste-me vida de sedas leves. 

As que brincam voando na alvura da manhã. 

Ajuda a que eu em plena inocencia. 

Voe com as pombas. 

Que minhas mãos sejam afagos miudinhos. 

Como as florinhas perfumadas de jasmim. 

Vida! Me deixa adormecer, 

Num desses degraus de pedra gastos. 

Que subo já tão cheia de cansaço. 

Deixa que a melodia do vento me adormeça. 

Me dá uma réstea de tempo para ser. 

A criança que em mim vive. 

Sei que ela, ri, canta sonha. 

Só que, a vida não tem complacência. 

Ordenou! És mulher,

Embala os sonhos, adormece-os. 

Um dia… muito mais além, 

Serás de novo inocente, anciã. 

Serão tuas memórias que alindaram. 

Os solitários dias, 

Que todo o ancião, no tempo gasto da vida. 

Tem para viver.

Augusta Maria Gonçalves.



 OS AMIGOS
Em criança,
a amizade foi a aleluia que me alegrou
e me fez sentir bem junto dos amigos,
em qualquer lugar, onde a alegria era.
A nossa amizade foi tão boa,
nos desânimos e alegrias diárias,
que nos ajudou, sem sequer a pedirmos.
Era uma alma que habitava nos nossos corpos,
um coração com muitas almas,
foi a claridade a iluminar-nos, no tempo.
Após semeá-la, recolhemos a felicidade,
a sequência segura da comunicação afectiva
e a recolha das nossas ânsias infantis.
Ela raramente nos magoou,
foi como uma medicina de vida futura,
quando se transformou em recordações
dos primeiros instantes,
mesmo vivenciados à distância,
revivendo os momentos existidos
e que viveríamos, estendendo as mãos,
preenchendo os âmagos.


José Lopes da Nave



“TENHO SAUDADES”
Sempre vivi junto ao mar
Neste jardim á beira-mar plantado
Conhecia o nome dos barcos
O nome dos peixes
Conhecia o olhar desta gente do mar
Daqueles que esperavam
Que o mar lhes desse o pão para os filhos
Aprendi que o mar é cruel
Amigo e inimigo
Aprendi a amá-lo e a odiá-lo
Aprendi a nadar aos 5 anos
Miúda da praia e do mar
Passava os dias deambulando
Entre barcos e mares
Gostava de ir com o meu pai
Dentro da “chata” com o meu nome
Buscar o peixe e o aparelho
Aos barcos grandes
Que atracavam na doca
Para vender na lota
Fui uma criança feliz
Mais nova de dois irmãos
Era o mimo lá de casa
Gostei de ir á escola
Aprendia depressa
Escrevia mil coisas
Sem saber que hoje
Estaria aqui convosco
A mostrar a minha “arte”
Criança que fui…Mulher que sou…
Tenho saudades…
“BRASA MAGDA BRAZINHA




QUANDO EU NASCI...
Quando eu nasci
vestiram a minha alma com ternura
ungiram-me o coração com a fé mais pura
pro amor foi o meu destino fadado
de doçura me alimentaram
e o espírito foi encantado
pela magia do sagrado.

Na inocência tudo foi guardado
nos sonhos de criança bordado...
a crença na felicidade
começava a florescer
a vida que então sonhava
havia de acontecer
num paraíso alcançado...

Um mundo de fantasia
que se perdeu no passado
de quando em vez resgatado
às memórias da infância
pela minha nostalgia...
dele restou-me a poesia
que hoje escrevo com agrado.

Aida Maria (Aida Marques)




 Crianças
Crianças são flores no jardim da vida
rendilhadas com perfume de flores
são puras, tem cores, e tem o dom do amor
crianças são humildes, queridas, sinceras.

Ah!...Mas algumas crianças não param de chorar
dormem na rua não tem casa
não tem amor não tem nada
são abandonadas pela guerra
são um estorvo para muitos
são esquecidas pela sociedade .

Nunca!...Nunca deixe uma criança sofrer
elas nasceram para ser amadas
elas nasceram para ter amor
elas nasceram para serem abraçadas.
________________________________________

Crianças são seres de luz abençoadas.
Mila Lopes




Ser criança
é carregar nos olhos a magia de um mundo perfeito,
é ver os pais sempre como seus heróis,
é ter o poder
de fazer amigos num curto espaço de tempo.
Ser criança
é ter a sinceridade e a coragem de responder "NÃO"
quando acaba de assistir um espectáculo,
que não gostou.
Ser criança
é não conseguir esconder no rosto o desalento
quando o adulto o decepciona.
Ser criança
é ver um mundo de todas as cores e nele julgar
que tudo são rosas.
Ser criança...é sorrir!


José Maria... Z L


 PENSAMENTO
Se eu fosse criança soltava a barreira da minha imaginação e flutuava nas asas do sonho que tenho reprimido...
Anabela Fernandes





08-02-2017


UM DESENHAR EM POESIA

Fui por mim. 

De mim tão perdida. 

Mas fui! Resvalando no muro do tempo. 

Fui procurar, essa menina que dizem eu ter sido. 

Procurei tateando meu peito. 

Só porém senti sopros de vento.

Já que o espelho dos dias, me não mente. 

Se o olho, diz! 

Um reflexo és.

Logo flutua um manto de saudade. 

Caem beijos lágrimas inocentes desse manto. 

Mas sempre as rosas riem num recanto.

Desnudo-me dos anos. 

Me vejo menina feliz, que um dia fui. 

Colho flores lá no jardim. 

Por perto a mãe sorri para mim. 

Cantam as andorinhas. 

Brincam pombas. 

Enquanto a menina despreocupada. 

Caminha entre canteiros de margaridas e alecrim.

Escuto-a cantar, debruçada sobre um lago. 

Á tona da água o sol de maio. 

Emoldura sua imagem delicada. 

Ela é pequena, 

Ainda não sonha. 

Que pela vida fora terá da claridade. 

Saudade, tanta saudade. 

Irá buscar nas margens do poema. 

O retrato dessa que tenta retratar, 

Menina ágil, travessa, risonha. 

Hoje a rabisco na mente, 

Escrevo em palavras delineadas,

Com a minha, mui… frágil e sonhada pena.

Augusta Maria Gonçalves




“TENHO SAUDADES AVÓ”
Tenho saudades tuas avó
Gostava tanto de estar na tua casa
Tanta brincadeira
Tinhas raparigas
A trabalhar para ti
Eras a melhor
Costureira de Sesimbra
Querias que eu aprendesse
Ensinaste-te tudo o que sabias
A ser mulher
Honesta e trabalhadora
Deixavas-me brincar na rua
Com as minhas amigas
Calcorreava aquelas ruelas
Subir e descer escadas
Gostava dos teus mimos
Fazias fatinhos para as minhas bonecas
Fazias bolachinhas
Cacau quentinho
Pão com manteiga
Gostava do cheiro da tua casa
Adorava-te avó Amélia
Tinhas longas conversas comigo
Eras uma grande mulher
Com muita garra
Eras demais para a época
Deverias ter nascido neste século
Sempre me apoiaste
Foste a minha bengala
Estavas lá nos bons e maus momentos
Foste uma avó 5 estrelas
Nunca te esquecerei
Viverás sempre no meu coração
Tenho saudades avó…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




 O MEU CAMINHAR
A beleza que me envolvia,
enquanto criança,
era para satisfazer as coisas simples da vida,
as admirar, comprazer-me
e quão agraciado fui
por estar apto para admirar a pureza da natureza
e da convivência humana, fraterna.
Liberdade foi uma das grandes premissas
que logrei viver e estar apto
para assumir, quando jovem
o meu próprio caminho,
construindo o meu destino,
controlando dificuldades
com imaginação e sonhos,
como ave,
iniciando o meu voo.


José Lopes da Nave




É tão bom ser criança
e nunca se impontar
com qualquer presença
de quem a esteja a olhar.
Descobrir o dia a dia
poder olhar sem desconfiança
ter sempre muita alegria
e em si confiança.
Sem algum preconceito comer,até lambuzar,
não ter hora para rir,brincar
é o querer sem medo tudo experimentar,
em casa na escola no jogo sempre ganhar.
O querer o mundo num instante descobrir,
olhar para tudo a sorrir
nem que seja por um instante,
é feliz é ser surpreendente.
Sempre,sempre a brincar
sem a encomendar qualquer presença
aprendendo assim amar....
Ah!Como eu queria ser:ETERNAMENTE CRIANÇA!!!
Carmen Bettencourt




VOLTAR A SER CRIANÇA
Ser criança não tem idade
Correr e saltar em liberdade
Aprender a ter saudade
Querer brincar com sanidade


Ter de volta a tenra idade
Ser de novo mocidade
Voltar a ser ingenuidade
Sem esquecer a honestidade

Ir crescendo devagarinho
Sem atropelos do vizinho
Cair e levantar sorrindo
Com as feridas que se vão abrindo

Ter de volta a tenra idade
Ser de novo mocidade
Desejar viver a integridade
Fugir de quem pensa com maldade

Ser criança pensadora
De mente positiva e criadora
Gestora d’ alegria voadora
Inocente paz inovadora

Voltar a ser ingenuidade
Sem esquecer a honestidade
Ser vontade e própria identidade
Poder gritar: Quero ser liberdade

Ter de volta a tenra idade
Crescer com calma na verdade
Ser justiça em vez de maldade
Esquecer que existe crueldade

Ser criança não tem idade
Qualquer um pode ser… paridade
Dar as mãos, ajudar nas quedas
Que as palavras não fiquem quedas

Ser criança não tem idade
Dentro e fora da realidade
Foi escrito na sina do meu nascer
Que crescer é envelhecer!

Por Zita de Fátima Nogueira 



01-02-2017


“BOA NOITE SOLIDÃO”
Voltei á minha rua
Meus passos lá me levaram
Sentei naquela pedra
Onde tantas vezes ri a bandeiras despregadas
Repaginei a vida
E vivi o momento
Menina e moça
Descia o corrimão das escadas
Sem olhar para trás
Minha mãe ralhava
Filha! Olha que cais
Qual será o dia
Que te escangalhas toda
Vejo o seu sorriso
Ouço as suas gargalhadas eternas
Sinto o roçar do beijo na face
Chama-me!
Anda lanchar! São horas
Ai vou eu
O meu café com leite
Lambuzo-me com o pão com marmelada
Foi ela que fez
Ninguém faz igual
Que saudades!
Ainda há tempo de brincar
Sentamo-nos a conversar
Partilhamos segredos
Crianças felizes e sonhadoras
Acordo do transe
Já se fez noite na minha rua deserta
Já não se vê vivalma
Agora é triste e só
Antes morava lá a alegria
O amor e a cumplicidade
Agora mora a saudade
Boa noite solidão…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





Ser criança
Ser criança é... saber colorir...
os pensamentos...
em todos os momentos...
com as cores do arco Íris!
É ser simples... natural...
criando a cada instante...
... um instante especial!
É saber usar a fantasia ...
... sem mentir...
É poder chorar quando dói...
"criança não sabe fingir"!
Ser criança é precisar...
de carinho ternura...
a força de se sentir segura...
para caminhar...
feliz e sorridente...
no meio de tanta gente...
... de mão dada .....
com quem lhe quer bem!


À noitinha ao deitar...
adormecer.... e sonhar!
Com o colo de sua ... Mãe!!!

Janeiro 2017
Maria G




 SER POETA DE FAZ DE CONTA
Hoje quero ser poeta
Um finjidor
Brincar com vogais
Dar vida às consoantes
Parar por instantes
Construir as palavras
Montar o puzzle
Desta vida de faz de conta
Chamar o amor
Atiçar a paixão
Abraçar um amigo
Sonhar contigo
Dar a paz ao mundo
Desvendar os segredos
E sem medos
Construir o castelo
Dos meus sonhos de poeta
Que não sou
Apenas deixo voar
A imaginação
Me entregando de alma
E coração
Á poesia minha eterna confidente
Que mesmo descontente
Sorri em cada verso
Nesta menina que vive
Dentro de mim


Anabela Fernandes.



 Em
Criança muito eu prendi
tinha esperança no olhar
e muito eu gostava de sonhar
eu viajava no meu mundo de encantar.

Agora a criança que fui cresceu
mas continuei sempre a apender
pois faço um pouco de tudo
no meu dia a dia.

Adoro escrever
palavras aladas
carregadas de emoção
que saem do coração.

Eu carrego na minh’alma
a paz a fé o amor o carinho
e a esperança de quando
eu era apenas uma criança.

E todos os dias
eu elevo a minha voz a Jesus
e agradeço por tudo o que sou
por tudo o que na minha vida se passou
e que no meu caminho se atravessou.

Mila Lopes



25-01-2017
“TEMPOS DE CRIANÇA”
Bailam-me imagens no pensamento
Sinto lágrimas nos olhos
Relembrar o passado é bom
Mas traz muitas saudades
Dos belos tempos de criança feliz
Lembrar as férias de verão
Em que vinham para nossa casa
Os meus primos e tia que viviam no Montijo
Só era uma tragédia
A guerra entre um dos meus irmãos
E o meu primo mais novo
Batiam-se constantemente
Mas eram tão boas essas férias
Ao Domingo íamos passar o dia á praia do Ouro
Levávamos almoço
Mergulhos no passadiço
Apanhar conchinhas e pedrinhas
Rebolar de cima do monte de areia
Era uma brincadeira pegada
Que saudades
Perderam-se tantas tradições
A evolução tomou conta dessas memórias
Era mais bela a minha Sesimbra
O passadiço foi trocado pela doca nova
Pelo molhe
Íamos á praia todos os dias
Brincar na rua com as amigas
Jogar á malha e ao prego
Jogar á macaca e ao lenço
As nossas crianças não são tão felizes
Belos tempos que nunca irei esquecer
Tenho os olhos brilhantes
Recordo a farinha torrada da minha mãe
Os biscoitos fritos
Tantas e tantas coisas
Fizeram a minha infância muito feliz
Que saudades Mãe!
Que saudades Pai!
Obrigada por terem sido meus pais
E me fazerem tão feliz…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





A LADEIRA
.


Corro a ladeira abaixo…
Cansaço não sinto, até me domino!
O ar me pertence num gozo fundido
De correria tanta
Que até parece que estou fugindo!
O meu limite não sei qual é…
Com os Anjos a ajudarem
Corro na ladeira na minha fé.
Levo nas faces
A cor das papoilas que ornam os campos,
Nas pupilas, o Sol que as quer tanto…
Na boca, cantigas que o tempo ensina
Na inocência da criança que sou ainda.
Passo por gente de olhares atentos
Que me acena e me avisa:
“Tem cuidado…não caias rapariga!”
Não sinto cansaço
No meu irrequieto peito
E alegre sigo como é meu jeito!
Não corro por prémio,
Ou valor qualquer,
Vou na toada do meu corre-corre
De menina- mulher.
E no fim da descida
Não cansada ainda…
Continuo a correria ladeira acima!
.
Isabel Lucas Simões 





GOSTEI DE MIM
...
Hoje gostei de mim!
Ao levantar - me pela manhã,
O meu rosto olhei no espelho
E gostei do que vi refletido.
Os meus olhos estavam
Brilhantes e bonitos,
O meu rosto sereno e rosado
Os meus lábios tinham,
Um sorriso maroto!
Que bom disse para mim...
Faz tempo que não sentia - me assim!
Vou sair, rir e correr no campo.
O dia está lindo, sinto o coração alegre
Vou viver com ele esta alegria
Sinto a magia do sol e do azul do céu,
Sinto-me como quando era criança
E porque não o ser ?
Essa criança que sempre viveu e vive em mim
Apesar da idade, nada conta,
Apenas os anos que passaram
Mas que deixaram as memórias
As lembranças e a alegria de viver a vida.
Sou mulher é certo mas também sou criança
Em muitos retalhos da minha vida
Continuando a sorrir, a brincar a correr
Sempre que possível.
Rosete Cansado


 SONHOS E BONECAS
Brincar, brincar!
Nos pátios da alma á luz do sol.
Brincar, sorrir.
Seguir o voo das aves com o olhar.
Logo a seguir também voar.

Mas logo de repente o sonho quebra.
Outro nasce nos olhos de candura.
Um gatinho pequeno, mia " chora "
Logo a menina pega acaricia e cura.
Sorri menina... gatinho dorme.

Corre a seda leve desse dia.
Ela a pequenita.
Agora é mãe, de uns tantos bonecos que adormece.
Olha-os com ternura imensa.
Afaga-os, com carinho de criança.
Recosta-se cansada e adormece.

Chega depois a mãe desse anjo.
Olha a ternura desse quadro.
Seu amor rosado,
Caracois em desalinho.
Vestidinho já enxovalhado.
Mas de faces cor de romã.
Dorme, sorri e sonha...´
Talvez que já cresceu e é mamã.

Brincar é só o ensaio para o amanhã.
Augusta Maria Gonçalves.





18-01-2017

A CARTA QUE NUNCA VAIS LER

Sou criança e gosto de brincar
Mas tenho sentimentos puros
Vejo tudo á minha volta
E sinto a maior revolta
De seres como és
Não sabes nada de mim
Não eu sequer de ti
Sempre foste ausente
Mesmo presente
Nunca te senti
Tudo é mais importante que eu
Usas de abusas do teu poder
Do que não devidas ter
Não o mereces
Se nem me conheces
Vives no teu mundo de fantasia
Que devia de ser o meu
Tenho o porto seguro
Até mais que um
Mas até isso tu críticas
Achas que eu sou ignorante
Mas já vi muita coisa
Nestes anos em que pensavas
Eu estar a dormir e ouvia tudo
Os ais,o choro de quem sofria
E...Onde estavas? E onde estás,?
Não sei...
Nas desculpas de última hora
Ou nas demoras em que acabas por não aparecer
Cansei de ti
Mas não te posso dizer ,não aceitas
E eu na minha revolta magoo quem não devia
Porque sou criança
Aquela que nunca quiseste ter
Deixa-me sonhar por um futuro diferente
A cima de tudo deixa que eu seja gente
E um dia saiba amar ...
E tu velhinho talvez sozinho sintas o que já senti.

Escrito na segunda pessoa
Anabela Fernandes.



 UMA HISTÓRIA
O meu avô Lopes era um homem pródigo e prosaico, mas com grande sentido de humor.
Enquanto criança, sempre que eu estava na aldeia, era minha companhia preferida, quando que se deslocava às vinhas e prédios, quer em visita, quer em trabalhos ligeiros, nomeadamente quando regava as hortas e eu me descalçava e de sachito nas mãos, ia conduzindo a água, pelas leiras, constantemente sob o seu olhar.
Tinha um grande amigo, a residir numa aldeia próxima que o visitava com frequência. Nessas ocasiões, o obsequiava com uma boa merenda de enchidos, presunto e queijo e bom vinho da safra.
Na despedida, o amigo lhe dizia, “quando me vai retribuir as minhas visitas?”
Ora um dia, meu avô lá se dispôs a visitá-lo.
Sentaram-se à lareira e o avô esperava a merenda, quando o amigo, surpreendentemente, acrescentou:
__ Amigo, chegue-se ao lume, porque ele é meia mantença.
E … de merenda nada!
Remoendo, o avô despediu-se, falando com os seus botões … ora esta!
Tempo mais tarde, foi a ocasião de o amigo o voltar a visitar. Como sempre sentaram-se à lareira, mas entretanto o avô levantou-se e foi falar com minha avó que, de seguida, trouxe uma braseira bem acesa, fumegante, que lhes colocou por detrás.
E, meu avô, ironicamente, comentou:
__ Amigo, aqueça-se, pois agora aqui, o lume é de mantença inteira!
E, as merendas cá em casa acabaram, dizia-me, sorrindo, meu avô.


José Lopes da Nave




“COMO É BOM SER CRIANÇA”
Enrosco-me na cama
Tapo a cabeça com os cobertores
Ouço a voz da minha mãe
Filha, levanta-te já são horas
Não me apetece nada
Estou tão quentinha
Mas minha mãe não perdoa
Destapa-me e beija-me
Vá lá filha
Vais chegar atrasada á escola
Levanto-me, espreguiço-me
Visto-me cheia de sono
Tomo o pequeno-almoço
E aí vou eu
Gosto de ir á escola
Gosto de aprender
Quero um dia ser alguém
Hora do recreio
Saltitamos, cochichamos
Risos matreiros
Todas gostamos de alguém
O meu por acaso é João
Olha-me, pisca-me o olho
Coro e escondo-me envergonhada
Coisas de crianças
Que saudades, Deus meu
Regresso a casa
Tenho de fazer os trabalhos
Depois brincar um pouco
É um vestir e despir as bonecas de papel
Tenho uma boneca de loiça
Ofereceu-me o meu irmão
Com o seu primeiro ordenado
Criança feliz e mimada
Recordo esse tempo
Com uma eterna saudade
Volta para trás, oh tempo…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





ASSIM... TRAQUINA...
Porque fui
uma criança traquina
mil e uma aventuras...
tenho para lembrar
e hoje quando as recordo
volto a ser a mesma menina
com vontade de brincar.

Corria ladina ao meu jeito
ninguém me fazia parar
teimosia meu defeito
os desastres aconteciam
eu acabava a chorar...
e esse meu modo travesso
ainda em mim tem o seu lugar.

Como um jogo de escondidas
quando a vida me arrelia
eu tento-a contrariar
e se ela se torna arredia
eu sempre a volto a encontrar...
e serei assim... traquina...
até ela me abandonar...

Aida Maria (Aida Marques)




Sou a criança que cresceu feliz
A pesar de ser contrariada...
Em fazer o que sempre quiz !
Ainda hoje tenho guardados...
Sonhos por sonhar...
Aqueles que foram contrariados
Talvez incompreendidos
Por isso rejeitados!
A pesar de sofridos!
Sempre lhes dei guarida...
E eternamente viverão...
Nesta criança crescida...
Dentro do seu coração!!!

18-01-17- Maria G.



Tenho saudades do meu tempo de criança
aquele tempo em que eu corria por tudo e por nada.
Corria no campo e não cansava,
subia árvores,
pendurava nos ramos com a maior das facilidades
e muitas das vezes,
desafiava a minha própria inocência.
Aquele tempo em que o medo não existia
o temor era apenas um aliciamento para
mais aventuras,
o tempo em que eu punha à prova a minha curiosidade
de criança.
Cresci no campo onde a vida se divide em jogos e labirintos
mas que em cada manhã,
há um motivo de sorriso no rosto de uma criança.
[...] tenho saudades desse tempo!
Tenho ainda mais
a saudade das histórias que os meus pais e vizinhos
contavam às tardes,
na penumbra, entre o dia e a noite.
Voltaria a ser criança!

José Maria... ZL




O TEU RISO
O teu riso me encanta
E me faz sorrir também
Com duas covinhas na cara
Quando ris, fica-te bem.
Parecemos almas gémeas
Quando os dois nos juntamos
Basta uma pequena palavra
Para sorrirmos gargalhando.
Rir faz bem ao ego
Trás esperança e alegria
Transporta-nos no encanto
E no mundo da fantasia.
Quando rimos estamos bem
Sentimos o coração a palpitar
E quando juntos ao nosso amor
Um sinal para nos amar.
Tristezas não pagam dívidas
Sempre ouvi dizer
Vamos rindo sempre que apetecer
Pois não faltará tempo para sofrer
Hoje o dia amanheceu brilhando
Na boca trazia um sorriso
Para saudar toda a gente
Neste dia do riso.
Uma criança a sorrir
É beleza é ternura é sinceridade
È magia, é alquimia 
Ficamos felizes por vê-la crescer
Quando já adulta
Ao olharmos para ela
Recordamos sempre o seu riso
Com saudade, mas com alegria. 
Nunca deixam de sorrir…
Pois fica para uma vida inteira
Nunca deixam morrer a criança
Que em nós existe,
Pois isso é ser feliz...
Rosete Cansado




 PASSITOS DELICADOS DA MEMÓRIA
Onde estás criança! 
Onde estás!? 
Onde deixas-te teus passos saltitantes? 
Pois eras ave em liberdade. 
Tudo foi teu. 
Tudo teus olhos viram com encanto. 
Tudo nas tuas maõzitas floresceu.
Oh!
Teus sonhos de crescer. 
Mas onde estão? 
Teus vestidos de folhos… 
De seda cor do céu!?
Tua leveza de asas de borboleta ou fada. 
Teus beijos doces como mel. 
Onde, tudo está!? 
Está dentro de ti! 
Pois podes crer. 
Tiveste a ousadia de crescer.
Porém guardou a vida ni livro das histórias. 
A boneca loirita. 
Depois a rapariga! 
Aquela que viveu sempre aprender. 
Que na vida se deve desbravar. 
O caminho sem medo. 
Com arte, esperança, um riso sonhador. 
Porque crescer, tendo olhar inocente de criança. 
Só pode ser, obra de amor.
Augusta Maria Gonçalves





11-01-2017

“FICA UM POUCO SILÊNCIO”
Fica um pouco silêncio
Por favor
Deixa-me pensar
Deixa que regresse
Aos meus tempos de menina
Só queria mesmo ser criança
Sonhar e olhar o mundo
De verdades e ilusões
De sorrisos e alegrias
De olhos abertos á vida
Ávida de brincadeiras
Aventuras e desventuras
Tropelias e correrias
Risos e gargalhadas
Ir á escola e aprender
Crescer e amar
Não esqueci o passado
Contornei os espinhos
Defini metas
Caminhei sem medos
Ao encontro da vida
Ao encontro do amor
A vida arranhou-me
Derramei lágrimas
Contornei amarguras
Vivi paixões e desilusões
Recordo a minha história
Mas passado é passado
São marcos de vida
Mas aqui estou
Vamos viver o presente…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





AQUELA MENINA


O dia hoje amanheceu risonho
O sol luminoso, o Céu azul celeste
A brisa amena e calma.
Abri a janela do meu quarto
Senti-me como se fosse uma garota
Alegre e marota
Voltei para dentro e olhei-me ao espelho
Como todos os dias o faço!
Engraçado que comecei a sorrir mesmo a sério.
Recordando
Aquela menina que nestes dias assim
Gostava de saltar e correr pela tapada
A cantar e a sorrir.
Toda a gente da aldeia a conhecia
Por ser tão brincalhona e risonha
Os cabelos sempre em caracóis
O que ela nada gostava e até
Ficava zangada quando alguém
Lhe dizia que tinha um cabelo bonito
Hoje sem querer viu-me de novo criança.
O espelho me deu essa imagem…
Senti-me contente por voltar no tempo
E recordar-me com alegria.
Muitos momentos conturbados vivi
Já mulher e mãe…
Mas esse meu sorriso e a alegria que tinha
Voltam sempre para o meu coração
Quando estou bem, ou menos bem
Bom dia vida! é o meu cumprimento
Todos os dias quando me olho no espelho
Dando-me força e energia
Para começar o meu dia…
Não sei viver sem sorrir
Por isso acho que aquela criança que fui outrora
Nunca me abandonou
Continuando a dar-me alegria para gostar de viver.

Rosete Cansado





 O CAVALINHO
Era uma vez um menino, que tinha cinco anos de idade, igual a tantos outros, traquinas e muito vivo, com uns olhos verdes expressivos e brilhantes.
Vivia com seus pais, tios e primos, numa casa grande e bonita. Nas traseiras, havia um enorme quintal, onde tinham árvores de fruta, animais e também uma horta para alimentar a família. Costumava lá brincar muitas vezes, com os seus três primos, alguns anos mais velhos do que ele.
Toda a família o tratava carinhosamente por Nelito, vivia feliz e contente, rodeado de amor e mimos, de todos eles.
Um dia adoeceu, tinha uma mancha num pulmão, suspeitava-se ser tuberculose.
Começou então o martírio e sofrimento, principalmente para o Nelito, mas também, para os seus familiares.
Durante vários meses, foi um andar de médico para médico e muitas idas ao hospital.
Mas esse menino tinha muita força de viver e um grande sonho. Desejava um dia ter um cavalinho e com ele, poder passear. Via ás vezes, passar na rua onde morava, pessoas montadas em cavalos e também ansiava ter um. Seus pais não lhe podiam concretizar esse sonho, era muito caro comprar um cavalo, não tendo sequer condições, para o sustentar.
Andavam num grande desespero também, estava a ser difícil de debelar, a doença do seu filho.
Para conseguir que ele dormisse, a mãe contava-lhe histórias que ia inventando e o pai lia-lhe contos e poesias, que lhe amenizavam o sofrimento.
O Natal estava quase a chegar, seus pais diziam-lhe para rezar e pedir ao Menino Jesus, o que desejava receber de prenda. Com a condição, de pedir apenas uma.
O Nelito queria ficar curado de vez, já estava farto de médicos e hospital, mas também queria o cavalinho. Rezava então mais ou menos, como lhe tinha ensinado sua mãe, pedindo não um, mas dois desejos, ficar curado e ter o cavalinho. Quando os pais, lhe perguntaram que prenda tinha pedido, disse ter pedido, apenas o cavalinho.
A família fez então um esforço conjunto e compraram um, de cartão muito forte e grosso, com uma estrutura de madeira no interior, fixado num suporte com rodinhas. Cor de café com leite, com crina e cauda de um branco pérola, com sela, rédeas e estribos. Era um Palomino, como lhe chamavam os entendidos.
Chegado o dia de Natal, lá estava junto do pinheirinho, o bonito cavalinho, para ele.
Não cabia em si de contente o Nelito, não lhe importava, que o cavalo não fosse verdadeiro. Andava nele com a ajuda dos primos, que tinham amarrado uma corda ao suporte, que puxavam, para o fazer andar. Também eles, muitas vezes andavam nele.
Estava muito feliz e agradecido ao Menino Jesus, pelo presente que tinha recebido.
Depois de passado o Natal, começou lentamente, a melhorar da sua doença.
A cor voltou às suas faces, o bonito sorriso também, assim como o brilho do seu olhar.
Seus pais e toda a família estavam muito felizes e quase não acreditavam que isso estava a acontecer. Os médicos igualmente, pois o diagnóstico que lhe haviam feito, era muito, muito reservado. Passados seis meses, estava totalmente curado.
O Nelito, que entretanto cresceu e se fez homem, nunca mais esqueceu esse lindo Natal, em que os seus dois desejos foram atendidos. O cavalinho, sabia terem sido os pais que lho tinham comprado. A cura da sua doença, ainda hoje acredita, ter sido dádiva do Menino Jesus. Foram-lhe oferecidos nesse longínquo Natal, os melhores presentes da sua vida.
António Henriques



 Mas porque voastes anos?
Dizei anos? Muitos...
Tantos.
Aqui crescida me acho,
Carregando todas as memórias desse tempo, afavel de crescer!
Carrego no coração a dor de colo já não ter.
Mas sei!
Sou fragil criança a envelhecer.
Abraço este eu!
Vendo a menina que fui!
Já duas lágrimas rolam neste rosto.
Fazendo com que eu lembre o sal do mar.
E corro menina rosto ao vento.
Beija-me o vento da saudade.
Diz-me o coração tiveste de crescer.
Vejo-me! Corro! Brinco com as ondas.
Perdem-se meus olhos azuis na imensidão desse mar que sempre amei.
Entre algas marinhas sonho beijos.
Foram tantas as conchas que apanhei.
Hoje criança perdida,
Neste coração que aprendeu.
A.
Amar cada sorriso que encontrar.
Dar-se a quem dela precisar.
Tenho a certeza!
Dou!
Mas estou a chorar.
Tenho saudades desse COLO!
Sou só a criança que cresceu.

Augusta Maria Gonçalves.





04-01-2017
Ser criança...
É ter puder para tudo o sorriso sincero...
E ter sempre confiança
Que se vive num paraíso.
É chorar sem medo
Quando der vontade
Guardar um segredo
Chio de amor e bondade.
É ter o coração inocente
Sem nunca maldade ter
Mesmo inconscientemente
No seu coração vai sempre ter.
Ser criança é sonhar colorido
No mundo do "faz de conta"
Ser o bonitinho o bonsinho e nunca o bandido
Naquela história que conta.
É dar asas a imaginação
É desenhar tudo num quadradinho
É pintar com as cores da emoção
E ter sua inocência em cada pedacinho.
Que bom é ser criança
É ficar sempre radiante
Ter aquela esperança
No seu coração presente.
Por qualquer motivo ter
No seu rosto um sorriso
Nunca pensar no sofrer.
Como é bonito olhar um arco-ires
Ter saudade e esperança
De ser sempre feliz
Voltar a ser eternamente criança
Carmen Bettencourt




“SER CRIANÇA”
Ser criança é ter o riso na voz
Os amigos são como irmãos
Brincar até cair...
Inventar brincadeiras
Ser corajoso e sem medos
Tornar-se gigante
Viver o presente
Ser feliz mesmo com pouco
Ser conquistador
Sonhar sempre
Saber perdoar
Ser amado e saber amar
Gostar de aventuras
Comer algodão doce
Sorrir com vontade de chorar
Gostar de desafios
Acreditar na magia
Rir deles mesmo
Dividir os momentos
Acreditar num mundo cor-de-rosa
Saber esperar
Saber confiar
Rolar na relva fresca
Brincar com o animal de estimação
Contar as nuvens
Jogar á bola
Errar e não assumir o erro
Perseguir a felicidade
Ter aquele brilho no olhar
Apanhar conchinhas na praia
Dançar e cantar á chuva
Ter alma de poeta
Ser criança eternamente…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





" BASTA SER CRIANÇA "
Criança!
É como a primavera...
Corre pelo campo...
Rola no chão
Coberto pelo um manto,
De flores
De diversas cores
Lilás, amarelas, vermelhas,laranjas,
Brancas a cor da pureza...
Criança acredita!
Esse lindo sorriso
Criança!
Enaltece a nossa alma...
Criança nos ensina a viver
Acreditar neste mundo...
Têm o brilho do sol
E o mar onde radia luz!
Criança vê luz da mãe do pai...
Pois! encontram-se por perto...
Criança sorri!
Sente felicidade?
É como o amor-perfeito!
Pensa no conto de fadas...
A primavera vai chegar!
Criança sonha com olhar risonho
Pois é esse o seu sonho...
Gosta pegar num pau
E riscar como uma caneta fosse
Lhe permitir
Fazer um desenho
Numa pequena, parede...
É o mergulho da infância!
Criança, gosta de salpicos
Quando as mãos lava
Com ternura!
Gosta de fazer bolinhas de sabão...
Pequenina, parece uma folhinha!
Quando acorda chora, não têm pressa,
Ela chama logo! atenção...
É espantosa!
Todos os dias faz descobertas
E perguntas
Até o sol do dia se esconder
Assim vai adormecer...
Para ser criança
Basta amar
A criança que existe em nós.
AUT: Clara Patachão

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