Era Uma Vez... 2018


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INICIATIVA NOVA

O “Era uma vez…”, já nos dá, por si só, a ideia de encanto, magia, mistério. Por isso, TODOS OS ESCRITOS, POEMA OU PROSA, têm de começar por "Era uma vez", só assim a iniciativa fará sentido.  O que virá por aí, não sabemos e estamos todos ansiosos. Inspiração, imaginação e momentos que queiram partilhar, certamente que não faltarão. Em poema ou prosa, ofereçam-nos algo que nos solte a alma, ou até, nos arrebate o coração!


ATENÇÃO: SÓ SERÃO VÁLIDAS AS PUBLICAÇÕES FEITAS NO PRÓPRIO DIA - DAS 00:00H ÀS 23:45H. FORA DO DIA SERÃO ELIMINADAS

A DIVULGAÇÃO É SEMPRE FEITA NO DIA ANTERIOR!

1 - Obrigatório identificar a iniciativa com:
- ou com o nome da iniciativa,
- ou com a foto da iniciativa,
- ou com ambos.

2 - OBRIGATÓRIO O PRIMEIRO VERSO, OU PARAGRAFO, COMEÇAR POR "Era uma vez,"
 

3 - A foto a usar é sempre a da iniciativa.
 

4 - Poemas a publicar no Grupo

TODOS PODEM PARTICIPAR!




14-02-2018
 Era uma vez um jardim
de roseiras muito belas
mas entre essas...
algumas apenas singelas!
Então, numa roseira singela
que tinha por cor não aquela
floriu um dia ...
uma linda rosa branca!
Rosa degenerada ...
que saíu da sua cor
por tal sorte enjeitada
desabrochou frágil flor!
Tinha o branco d'alvura
a cor do poema que se canta
duma criança a candura....
essa linda rosa branca!
Cheirava a terra lavada
o seu perfume de rosa
pelo orvalho salpicada
era ainda mais formosa!
A beleza fresca e viçosa
que a manhã orvalhou
logo deixou de ser rosa
quando o vento a agitou!
Sua vida foi fugaz
rosa depois de botão
desfolhada agora jaz
caída pelo chão!

14-02-18 maria g. 




 O MEU CAMINHAR

A beleza que me envolvia,
enquanto criança,
era para satisfazer as coisas simples da vida,
as admirar, comprazer-me
e quão agraciado fui
por estar apto para admirar a pureza da natureza
e da convivência humana, fraterna.
Liberdade foi uma das grandes premissas
que logrei viver e estar apto
para assumir, quando jovem
o meu próprio caminho,
construindo o meu destino,
controlando dificuldades
com imaginação e sonhos,
como ave,
iniciando o meu voo.

José Lopes da Nave 




“UM SER CHAMADO MULHER”
Era uma vez
Uma mulher
Germinada de outra mulher
Terna e doce
Tens uma missão
Acordas a vida
És semente fecunda
Desbaratas sonhos
Floresces e encantas
És sedução e volúpia
Esperança e liberdade
Tens chama na alma
Mulher
Chamam-te assim
Ultrapassas obstáculos
Vais pelos atalhos traçados
És força e coragem
És rosa em botão
És mulher e mãe
Voas livremente
Á procura do amor
Não desistes
Mulher
Segues segura
Com os filhos debaixo da asa
Sem medos
Nem preconceitos
És destemida
Amante e sensual
Desinibida e provocante
Mulher inspiração
Mulher poesia
Presente em cada verso
Mulher
Em cada gesto, em cada frase
Trazes o amor no fundo dos olhos
E o carinho nas mãos que abraçam
Segues o trilho do amor
Traçando o teu destino
Na vida que te espera
Com um sorriso no rosto
Serás sempre mulher…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




O CAVALINHO (Conto já publicado em 2016)

Era uma vez um menino, que tinha cinco anos de idade, igual a tantos outros, traquinas e muito vivo, com uns olhos verdes expressivos e brilhantes.
Vivia com seus pais, tios e primos, numa casa grande e bonita. Nas traseiras, havia um enorme quintal, onde tinham árvores de fruta, animais e também uma horta para alimentar a família. Costumava lá brincar muitas vezes, com os seus três primos, alguns anos mais velhos do que ele.
Toda a família o tratava carinhosamente por Nelito, vivia feliz e contente, rodeado de amor e mimos, de todos eles.
Um dia adoeceu, tinha uma mancha num pulmão, suspeitava-se ser tuberculose.
Começou então o martírio e sofrimento, principalmente para o Nelito, mas também, para os seus familiares.
Durante vários meses, foi um andar de médico para médico e muitas idas ao hospital.
Mas esse menino tinha muita força de viver e um grande sonho. Desejava um dia ter um cavalinho e com ele, poder passear. Via ás vezes, passar na rua onde morava, pessoas montadas em cavalos e também ansiava ter um. Seus pais não lhe podiam concretizar esse sonho, era muito caro comprar um cavalo, não tendo sequer condições, para o sustentar.
Andavam num grande desespero também, estava a ser difícil de debelar, a doença do seu filho.
Para conseguir que ele dormisse, a mãe contava-lhe histórias que ia inventando e o pai lia-lhe contos e poesias, que lhe amenizavam o sofrimento.
O Natal estava quase a chegar, seus pais diziam-lhe para rezar e pedir ao Menino Jesus, o que desejava receber de prenda. Com a condição, de pedir apenas uma.
O Nelito queria ficar curado de vez, já estava farto de médicos e hospital, mas também queria o cavalinho. Rezava então mais ou menos, como lhe tinha ensinado sua mãe, pedindo não um, mas dois desejos, ficar curado e ter o cavalinho. Quando os pais, lhe perguntaram que prenda tinha pedido, disse ter pedido, apenas o cavalinho.
A família fez então um esforço conjunto e compraram um, de cartão muito forte e grosso, com uma estrutura de madeira no interior, fixado num suporte com rodinhas. Cor de café com leite, com crina e cauda de um branco pérola, com sela, rédeas e estribos. Era um Palomino, como lhe chamavam os entendidos.
Chegado o dia de Natal, lá estava junto do pinheirinho, o bonito cavalinho, para ele.
Não cabia em si de contente o Nelito, não lhe importava, que o cavalo não fosse verdadeiro. Andava nele com a ajuda dos primos, que tinham amarrado uma corda ao suporte, que puxavam, para o fazer andar. Também eles, muitas vezes andavam nele.
Estava muito feliz e agradecido ao Menino Jesus, pelo presente que tinha recebido.
Depois de passado o Natal, começou lentamente, a melhorar da sua doença.
A cor voltou às suas faces, o bonito sorriso também, assim como o brilho do seu olhar.
Seus pais e toda a família estavam muito felizes e quase não acreditavam que isso estava a acontecer. Os médicos igualmente, pois o diagnóstico que lhe haviam feito, era muito, muito reservado. Passados seis meses, estava totalmente curado.
O Nelito, que entretanto cresceu e se fez homem, nunca mais esqueceu esse lindo Natal, em que os seus dois desejos foram atendidos. O cavalinho, sabia terem sido os pais que lho tinham comprado. A cura da sua doença, ainda hoje acredita, ter sido dádiva do Menino Jesus. Foram-lhe oferecidos nesse longínquo Natal, os melhores presentes da sua vida.

António Henriques




07-02-2018 
 Naquela janela

Era uma vez e mais uma vez...
como tantas mais ainda serão
a tristeza debruçada á janela
desfolhando os dias de solidão!

Nessa janela virada para a saudade
que se mantém sempre aberta
vejo alguém com marcas de muita idade
que para ver passar a vida cedo desperta!

De gestos lentos na sua expressão ...
de cansaço, de tanto esperar
fica nessa janela da solidão...
todo o seu tempo a ver a vida passar!

Sobre as mãos cruzadas, seus poemas rasurados
mãos que bordaram crivos de esperanças
vazias das vivencias de tempos passados
só silêncio acompanha as suas lembranças!

É a essa janela...
que os meus olhos vão sempre dar
á espera de não ver mais nela...
quem já se despede da vida a passar!

Um dia...a janela não se abrirá
nunca mais será aberta de par em par
e nos meus olhos uma lágrima lembrará
quem nela morria a ver a vida passar!

07-02-18 maria g. 




Era uma vez uma mulher
Que tinha medo de envelhecer
Tinha medo de perder a memória
Ficar á deriva do tempo
Tinha medo que lhe dissessem
Lembras-te?
Já não me conheces?
Como faria?
Não queria quebrar
O cristal da memória
Não queria ficar insana
Não queria esquecer os pormenores
Os locais
Não queria que ficassem
Pedaços em branco
Imagens difusas
Só aguarelas de cores infindas
Não queria escrever na tela
Como se fosse uma criança
Não queria ser borrão
Dizer frases sem nexo
Sorrir sem saber de quê
Quem sou eu?
Quem és tu?
A que não sabe quem é
A que grava frases nas paredes transparentes
A que chama marido ao neto
A que já não se conhece
Ecos soam dentro de mim
A urgência de querer ficar
De não ir para outro lado
Não querer ferir e perder o amor
A dúvida vai persistir
Será que um dia vai acontecer?
Tenho medo de me perder no tempo
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 Era uma vez
uma mulher romântica
e sensível,
que flores via nascer
nos desertos inopinados da vida.
E batia as asas iridecentes
de borboleta estontante
na fragrância do doce instante.
Era a alma de mulher!
Aquela luminosidade
que teima em surgir no bem e na adversidade.
E o olhar, por vezes magoado,
vislumbrava beijos
de poentes perfumados
e de crenças sublimadas.
Era a voz da alma de mulher,
a declamar poemas
de amor e fantasia e alguns dilemas.
Um coração pleno de amor,
as mãos formosas,
desfolhando a alma das rosas.
Mulher...
Era uma vez...
Um ser naufragado
na senda da vida.
Forte e corajosa...
bebia da água da esperança.
No infinito prendia o olhar
com laivos puros do ACREDITAR!
Romântica mulher
Em beijos ardentes
na volúpia intensa do querer.
Era uma vez...
uma tentativa de poema,
um perfume a bailar no ser,
um amor e coragem ma alma de mulher.

Emilia Maria 




ERA UMA VEZ

Uma caminhada matinal
Subindo a montanha
Objecto fora do normal
Uma coisa estranha

Quando me aproximei
Uma barcaça de madeira
Longe do rio encontrei
Uma casinha branca perguntei

Um homem de idade
Cabelos brancos sorria
Grande minha curiosidade
Uma forte energia

Explicou-me a barcaça
Que para aqui arrastou
Respeito e graça
A passear me convidou

Sentados olhando a água
Foi bom conversar
Por vezes a mágoa
E a vontade de regressar

Bolhas de água dançavam
Discreto de voz baixa
que alguém me comunicava
Meu corpo se relaxa

esqueci onde estava
numa grande bolha
Minha mãe me falava
Fez boa escolha

Uma felicidade imensa
Meu corpo sorria
Comunicação intensa
Minha mãe não sofria

Escutando a água
Não a deixar morrer
Ela apaga a nossa mágoa
Mas está a sofrer

=====•••Serafim ======= 




 Era uma vez uma menina que dançava nas nuvens
Tinha a ilusão dos sonhos
E o fado na voz
Sonhava ser actriz
Pisar os palcos ,vestir mil personagens
Correr as estações da vida ,vivê-las na plenitude
Era a menina poeta ,de livro mão
De mochila às costas ,doce Cinderela
Pensava ela ...
Eram tantos os poemas de amor
Alguns de dor,de sonhos e fantasias
Escrevia ,guardava no baú escondido
Um dia encontrou o poeta
Oh!!!!!! Tão lindo conto de fadas
Se enamoram ,casaram
Fazendo das palavras o baloiço da vida
Foi a partida ....o meio ...o fim...

Os versos embrulhados nas lágrimas
As letras sem magia
Parou o tempo
A menina agora mulher ,se cansou
Um dia gritou ...
Virou o mundo do avesso
O poeta partiu ...seguiu o seu rumo
Ela fez dançar as vogais com as consoantes
A poesia a pintou na tela mais bela
Sorriu....
No trinar da velha guitarra ....se ouviu de novo cantar
O poema ....
Agora livre sem qualquer sensura

A menina fugiu da clausura....
Está por fim segura de ser MULHER

Anabela Fernandes 





Era uma vez …Uma estrela …caiu do céu!
 Uma luz brilhava ao longe, turvava o olhar. Fui andando orientada pelo brilho de olhos semicerrados. Era uma estrela deitada á beira da estrada, não estava magoada de tanto ter descido. Só estava cansada!
 Parei não lhe toquei, podia escaldar-me foi o que pensei.
 Tinha acabado de chegar, mas a noção do tempo não o tinha! Olhei em volta em circunferência, era um tapete de relva verde-esmeralda em seu redor, em contraste com o azul-turquesa do céu.
 Muitas flores platinadas muito bem semeadas no meio do verde.
 Árvores bem altas, no meio delas, as flores pareciam pirilampos a iluminar o caminho.
 Ao longe o céu tocava a terra! Fiz um gesto de me abaixar não tocasse eu no tecto do mundo.
 Fiquei confusa e pensei eu no tal jardim do Éden…
Fontes de águas frescas e transparentes em caprichosos motivos até me lembrou, das marchas populares, com os arcos e balões.
 Apercebi-me que a bela estrela, caiu ali, porque fugia…era daquelas que se chamam errantes, a quem se pede um desejo.
 Pensei; e se lhe pedisse um desejo? Ela adivinhou as minhas intensões e pensamentos, e disse!
 Cai, porque em cima das minhas costas, havia muitos desejos para concretizar, já não podia com esse fardo e desci de mansinho, para ver se se esqueciam de mim por umas horas, até que o peso me permita viajar...
 Não tive coragem calei só admirava aquela Divindade da eternidade, caída do tecto do Universo.
 Beleza natural perfumada de aromas raros que me pareceu a alpeces
 E amoras silvestres.
 Pela primeira vez olhou-me, grandes olhos azuis e pestanas de prata.
 Pede o que queres, foste corajosa ao te acercares de mim, eu já cai, não caio mais…só se a “Terra” abrisse um buraco, deu umas risadinhas, uns sons do outro mundo!
 Diz! Voltou a falar.
 Pedi Amor! Só quero Amor!
 Ela olhou e disse… já a entrar no por – do – sol perto das nuvens…
Todos aí por baixo terão amor, quando os homens e mulheres quiserem. Quando os terrestres se respeitarem, e houver a tão falada IGUALDADE! E seguiu subindo não tinha ainda chegado ao piso estrelar.

Maria Fernanda





 

ERA UMA VEZ.

Vão já muitos anos passados. Uma jovem mãe esperava o nascer da sua flor.
Por entre dores chegou a hora. Perante a inexperiência, muitas horas tinha seu bebé estado na posição de nascer, nasceu com a cabeça pisada e inchadinha.
Passou tudo isso. Regressaram a casa, ela feliz, ele o pequenino com a fragilidade de uma flor.
Decorreu o tempo, o menino cresceu, feliz, lindo risonho. Alegre como um rouxinol, travesso como um passarito. Rápido nos reflexos nada lhe escapava.
Vi tantas vivencias de cúmplice amor.
O tempo arrebatadoramente voou, outras crianças nasceram no mesmo lar, foi com renovado amor que essa mulher guiou a todos pela vida.
O menino louro caiu um dia de um alto muro,
Vi o desespero, a angustia dessa mulher. Rumo ao hospital, aparentemente nada de ferido havia. Ficou O menino sem poder andar uns dias. Resultado da queda, caiu sentado, sues membros inferiores estavam doloridos.
Com o tempo tudo passou, porém seu estar na escola e na vida era desatento.
Frequentou a escola os anos permitidos por lei.
Depois… Vi que tantas vezes se recusou crescer, Ouvi tanta vez, não quero ser grande.
Impiedosos os anos lhe fizeram branquear os cabelos.
Deu-lhe Deus um largo peito. Um coração piedoso sempre pronto a perdoar.
O vejo tanta vez.
Tem nos olhos escuros, uma luz a tremulejar. Tão só, diz por vezes sem lamento ninguém gosta de mim.
Guardo no coração esse sofrer sem lágrimas. Nunca dei porque ele chorasse.
Mas o vi crescer, sei quanto o olhar perdido e vago se traduz num grande amor fechado em seu peito.
Feliz será a pessoa que o tiver por perto num frágil momento.
Pois será a suave seda para amaciar a dor.
Ele saberá contar histórias de verdade.
Dirá. Era uma vez.

Augusta Maria Gonçalves.



 



 31-01-2018
 Era uma vez um contador de memórias e emoções, que com paixão escrevia as vivências do seu simples quotidiano. Puro exercício sem quaisquer pretensões de querer parecer... ser escritor, mas apenas por prazer e considerar essencial para se sentir realizado e feliz.
Manifesto
É Deus tenho a certeza
quem me ajuda de forma tão singular
dando- me inspiração e a beleza
que na minha vida estava a faltar!
O papel e o lápis que preparo
para o que me ocorre escrever
são também o meu amparo
cúmplices de assim viver!
Dá-me um enorme prazer
em momentos conseguir
com as palavras certas escrever
os sentimentos que estou a sentir!
Escrever é puro exercício na minha vida
para do vazio me libertar
é forma de me sentir viva...
e sem asas poder voar!

31-01-18 maria g. 




Era uma vez um mar
Um mar azul cor do céu
Às vezes calmo, outras tempestuoso
Este é o meu mar
Pertence-me de corpo e alma
Às minhas origens
Mergulhei em voo picado
Qual gaivota
Fundi-me no seu marear
Voltei á superfície
Saciei a minha saudade
Hoje fui mar
Origem do meu ser
Hoje ressurgi
Fui areia e sal
Fui onda e maresia
Fui sereia e mulher
Lavei a alma
Fui vaga em corpo meu
Fui tempestade
Fui mar calmo e sereno
Fui lágrima caída
Abri caminho á vida
Fui um pedaço de mim
Fui toque de musa
Fui concha em maré cheia
Fui barco á deriva
Fui farol no nevoeiro
Fui gaivota em voo rasante
Fui pôr-do-sol
Fui lua em quarto crescente
Fui o que o destino escolheu
Hoje voltei ao meu mar…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 Era uma vez um coração, que vivia preso num labirinto de pensamentos e emoções, sem saber que direção seguir. Por mais que refletisse, estava difícil decidir o que fazer, se lhe era impossível ver até onde cada caminho o poderia levar. Decidiu, então, calar de vez a sua voz e permanecer por tempo indefinido no seu cantinho, onde ninguém lhe poderia chegar… Talvez assim, mais nada o pudesse magoar e conseguisse a sua vida em paz viver, conseguindo esquecer todas as ilusões que tinha criado em si. E desta forma, aos pouquinhos foi definhando… sempre guardando, bem fechados a cadeado, os sentimentos que tinha revelado, mas ninguém soubera valorizar. Em breve, esse coração parará de respirar e será para sempre esquecido nesse labirinto, onde também sepultou toda a sua dor.

Clara Lopes 




Já a luz beijava as cercanias.
Todos os silêncios acordavam.
Festa nos ninhos.
Augureo de outros dias, sem chuva nem ventanias.
Sol, perfumadas flores luz, flores a rir num verde prado.
O céu azul,
Espelho de asas.
Cantam já os melros outra vez.
Juro ouvi um cucu.
Vou dar aos olhos o bailar das borboletas.
Essas pétalas suspensas entre sopros de vento
Como brilham as sedosas asas.
Já o sol a pino beija a natureza.
Há rente ao chão festa de vida.
Entre a grama verde e orvalhada, suspira ofegante uma formiga.
Com um grão perdido carregada.
Pé ante pé, para não assustar, dou por duas flores a festejar.
Pois o sol fez acordar muitas sementes já abrolhar.
Um regato corre bem traquina.
As pedras lavadas são diamantes.
Parecem estrelas pequeninas caídas da noite caminhante.
Não sei se é verdade, se só sonho.
Mas há lá maior beleza a desfrutar,
Que ser essa!
Que uma vez
Se fez pétala solta adormecida a sonhar no prado,.
Agurelado de cores orvalho e tempo.

Augusta Maria Gonçalves. 



24-01-2018

Era uma vez...Um povo simples e feliz que vivia numa época em que só aos médicos se chamava Dr. e estes contavam -se pelos dedos.
Muito dessa gente eram analfabetos ou quase, nesse tempo em que o trabalho era a alegria do povo!
Ora neste caso quem soubesse ler e escrever nesta terra era rei! Como em todos estes lugares, nesta terra havia uma figura que se destacava pelas suas artes e ofícios ...pois era sempre solicitado para tudo!
Era o barbeiro, homem simpático e solícito,bom chefe de família e homem bondoso.
A barbearia só abria às cinco da tarde , porque o Sr Tomaz trabalhava no dispensário da terra " hoje Centro de saúde" era então a sua segunda profissão...auxiliar de enfermagem , naquele tempo chamava - se " servente."
Ora o homem para a maioria das pessoas era o Sr enfermeiro!
Até aqui nesta história tudo é normal, se não houvesse uma outra faceta do Sr Tomaz...
Nas traseiras da sua casa bem nos fundos do quintal, construiu uma pequena Oficina que pretendia ser um consultório, místico lugar onde acudia a todas as aflições dos pobres que não tinham acesso ao medico,; então nessa Catedral do sofrimento era ver alicates para arrancar dentes que depois de arrancados eram exibidos como troféus e a boca do coitado desinfectada com bochechos de vinagre!
Por cima das bancadas viam -se pequenas bacias de alumínio e outros utensílios destinados a tratamentos de feridas e a pequenos acidentes domésticos...que eram trazidos á sucapa do dispensário onde durante o dia trabalhava .
O homem fazia naquele tempo o que hoje se diz ser um bom serviço público, pois nada cobrava pelos seus serviços prestados!
E assim era considerado e respeitado, sempre se deu bem , nunca se constou que tivesse corrido mal nesta sua missão de homem dos sete ofícios!

24-01-18 maria g.




“UM POETA”
Era uma vez um poeta
Que brincava com as palavras
Não sabia que lhes fazer
Não cabia nelas
Tinha os sentimentos á flor da pele
Gravava os poemas na mente
Dava voz ao silêncio
E ao coração… Tempo de amar
Resgatou as memórias
Do tempo que não existia
E do tempo que já passou
Persistiu na ideia louca
De saber mais e mais
Trilhou os passos do destino
Nas margens dos sonhos que passaram
Fez da insónia sua amiga
Adormeceu no regaço da madrugada
Fazendo da inquietude das noites
A sua musa encantada
Esperou que a manhã rosada
Lhe trouxesse a paz que procurava
Nas palavras que compôs
Nos sonhos que se esvaíram
Embriagou-se no amanhecer
Pedindo ao dia que nasceu
Mais palavras de amor
Para fazer dos seus dias
E dos dias de quem o sente
Dias de poesia e saudade
O poeta não sabe viver sem palavras
O que seria dele, sem elas?
Não saberia quem era, nem de onde vinha…
Obrigada, palavras…E poetas…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




 Um dia o sol encontrou a lua
Linda ,com um brilho especial
Transparente até ...
O sol tão de perto parecia que desnudava os seus mistérios
Não queria acreditar
Andava á sua volta ,numa dança sem igual
Tímido o astro rei
Se interrogava porque há tanto desejava a lua
Afinal ela às vezes até o esconde
Olhou á volta
Segredou á nuvem cinzenta
Que o escutou com atenção
Diz-me amiga porque estou apaixonado?
Não sei Sol talvez a lua seja tão mágica com os seus poderes te infeitiçou
Este não acreditou
Perguntou o mesmo á estrela
Há amigo Sol eu sei ....
Sabes?????
Quando vem o amanhecer e despoletas radioso
O dia passa ,os amantes sorriem ,o prazer é a dobrar
No entardecer a lua espreita formosa
Se põe o luar ,sem gotejar o céu
Sem o trovejar na noite escura
Se tornem amantes um dia distantes
Agora tão perto
Rasguem a autora
E fiquem ....
Sem ir embora
Cúmplices apenas

Anabela Fernandes 




 A garota que brincava no apeadeiro de comboio.
Em tempos era a pequena estação um lugar lindo muito movimento e gente apressada. Salete a garota sardenta vivia na encosta perto do apeadeiro. Ela e avó desfrutavam dessa paisagem sublime, onde o céu se deitava nas águas deixando embalar-se, brincando naágua o sol se refazia em beijos luminosos como estrelas. Este cenário era a linha do Douro. Salete travessa e alegre tinha um cão fagueiro de nome Tejo. Tinha um dia ficado por ali. Ao primeiro encontro se deu um abraço que traçou essa amizade para a vida. Tinha um velho burrito que só gostava de olhar o horizonte, como se recordasse tempos de trabalho pelos socalcos. Salete afagava-o, sempre se impressionava porque o Mulato deixava rolar duas lágrimas. Com a sua generosidade de criança corria a buscar dois trevos amarelos e lhe acariciava o focinho. Mulato zurrava, Salete ria. Já tinham passado todos os comboios nesse dia. A noite caminhava já sobre os montes sombrios, avó chamou! Salete… Ela respondeu a caminho vó, o Tejo de cauda contente subiu a ladeira feliz arteiro . Salet encheu a avó de beijos ternos. Avó pensativa suspirou, era a luz dos seus olhos esta Flor a única razão do seu viver. Que reservaria o destino filha de um pai riquíssimo, que sempre a rejeitou desde o nascer. Seria que Deus tinha para ela escrito, um papiro de vida radiosa, teria ela a dita de ser a moça amada e formosa. Salet adormecera, avó rezava pedia proteção. A candeia num sopro se apagou num clarão. Lá fora a lua ditosa ornava a noite.
Tudo era silencio e segredo. O vento açoite.
Amanhã tudo recomeçava,
Hoje tinha sido UMA VEZ.

Augusta Maria Gonçalves.



17-01-2018

Era uma vez ...um sorriso que procurava uns lábios onde pudesse mostrar os seus encantos.
Depois de tanto pensar, escolheu o portão de uma escola, aqui haveria por certo onde os seus dotes pudessem brilhar.
Mas todas as crianças mais ou menos saíam felizes com os seus belos sorrisos estridentes que mais pareciam avezinhas em liberdade!
Já o sorriso voltava costas abandonando aquele espaço ...quando se deparou com um rapazinho de cabeça baixa pensativo e a tentar sair despercebido!
Abordo- o perguntando qual o motivo por que não sorria? Ele com voz embargada apenas lhe disse... que já algum tempo era vítima de provocações que lhe chamavam ...o cromo da escola, que não sabia brincar e era o menino da mamã! Depois de ouvir a sua historia disse-lhe que queria ficar com ele para viver nos seus lábios e certamente eu seria uma arma ideal para combater tamanha humilhação!
No outro dia de manhã ao chegar á escola e ao entrar de cabeça levantada e cheio de confiança no seu amigo sorriso que irradiava, os que habitualmente lhe faziam frente a pouco e pouco se foram afastando!
E assim o sorriso ainda hoje é o seu melhor amigo que nunca lhe falha!!

17-01-18 maria g. 




Era uma vez
Uma menina traquina
Que gostava de passear na praia
Logo de manhã, descalça na areia
Sentir os grãozinhos nos pés
Caminhar na areia molhada
Sentir a brisa do mar no rosto
E os raios de sol a bater na face
Aquele ventinho morno de verão
Aquele céu e mar azuis sem par
Caminhar é como recordar
É reinventar a vida
Voltar á infância
De menina irreverente e feliz
Depois…
Mergulhava naquelas águas
Tranquilas e serenas
Nadava e ria á gargalhada
Ao ver os magotes de peixes
De volta dela como se dançassem
Voltava então a casa
Onde a esperava amor e carinho
Um banho morninho
E um repasto de pequeno-almoço
É bom voltar às recordações
Onde moram as lembranças
De menina feliz
É um renovar de energias
Como se o tempo voltasse para trás
E fosse, essa menina outra vez…
Recordar é viver…
“BRASA MAGDA BRAZINHA




Era uma vez um poeta e um poema, que caminhavam de mãos dadas, por caminhos desconhecidos. Não sabiam por onde iriam nem até onde iriam chegar, mas sabiam que não nunca se iriam separar, porque a vida ,um sem o outro ,já não fazia sentido.
Poeta e poema, cansados de tão longa caminhada, sentaram-se à beira da estrada, lado a lado, e, em sintonia, repousaram por momentos. Fecharam, brevemente, os olhos deixando a sua mente divagar sem destino. Unidos, dessa forma, sonharam, sonharam muito e, em todos esses sonhos, adivinhava-se tudo aquilo que sempre os iria unir: a vontade de ir mais longe do que todos os outros, descobrindo novos mundos, entrando em universos distantes e misteriosos, só ao alcance daqueles que têm a coragem de arriscar, sem receio.
Quando os seus olhos se abriram, poeta e poema sorriram em cumplicidade. Levantaram-se, então, e, de forma decidida, enfrentaram de novo o caminho que se estendia à sua frente. Continuavam sem saber por onde iriam ou até onde poderiam chegar, todavia sabiam que não podiam parar, visto que poeta e poema tinham sido feitos para cumprir uma missão sagrada, desafiando as leis dos homens e da Natureza!

Clara Lopes




 SÓ NO RASTO DE UMAS ASAS.
Duas ou três palavras mágicas.
Que entoam entre a nossa mente e o azul do céu.
Passam nuvens a correr. Pássaros a cantarolar.
O vento sempre a soprar.
Até nos rouba o chapéu.
Mas há uma história para contar.
Tento pedir ás flores risonhas perfume.
Ao vento a arte de beijar as dunas.
Visito ninhos escrevo melodia.
E num requebro de emoção.
Escuto cantar o coração.
Era uma vez a travessa borboleta.
Que ria, rodopiava na fragilidade das asas.
Ela sabia ser sua vida só um dia.
Sem temer quis ser feliz.
Foi de flor em flor' cruzou-se com uma libelinha mais um grilo cantador.
Desceram até ao leito do rio apressado.
As águas límpidas reproduziam,mais imagens.
A festa foi de colorida magia.
O sol se reclinou, a lua nascia.
Era tanta a luz que a borboleta em cama de seda adormeceu.
Sonhando que ao despertar da claridade teria um novo par de asas de seda pura, para viver feliz em liberdade.
Viver um dia tem de ser pura magia.

Augusta Maria Gonçalves.




10-01-2018 

Era uma vez uma matemática
Que aprendia gramática
Era uma menina prática
E nadinha enigmática

Divertida, andava a saltar
Com a corda a dar a dar
Entre verbos e preposições,
números infinitos ou anões

E se acaso lhe faltasse o 20
Cerrava os olhos pestanudos,
deixava de pensar nos estudos
E fixava-se no recreio seguinte!

Rute Pio Lopes 





Era uma vez uma menina-mulher que teve pressa de viver. Pressa de chegar onde não devia, onde não a deixavam sonhar, deixou de lado o sonho e enfrentou a dura realidade da vida. Correu riscos, abraçou o vento, contou os dias e os meses, passou por tempestades, sempre com um sorriso no rosto e a fantasia de ser feliz. Desejou névoas e sois, gotas de chuva e beijos, viver sentimentos jamais sentidos, encontrar o verdadeiro amor. Tinha pressa de partir e de viver, enfrentar desafios, olhar a vida com olhos de amor. Tinha pressa de encontrar a sua outra metade.Cresceu,amadureceu,sorriu,chorou.tropeçou,caiu, levantou-se e amou. Guardou na sua caixinha de recordações o seu passado, ao encontrar o verdadeiro amor numa curva da vida, percebeu que afinal tudo valeu a pena Hoje madura e serena ama como nunca amou e é amada. De vez em quando folheia as memórias que não lhe deixaram só mágoas. A vida também lhe deu coisas belas e maravilhosas que vivem no seu coração e ama acima de tudo. Essa menina-mulher, hoje é mulher-menina e feliz…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 






 SARDANISCA

Era uma vez uma linda menina
a quem sua vovó chamava
de sardanisca ,traquina e teimosa,
mas divertida muito arisca,no seu
reclamar,mas quando uma história
queria ouvir,
lá vinha a sardanisca no colo da avó
para que a avó a pudesse contar:

Sardanisca foi crescendo
é hoje uma linda mulher
sua avó vai escrevendo
porque nem pode parar sequer,
para tantos netos que vão lendo
e tanta sardanisca já mulher:

JOANA RODRIGUES




 ÊXODO--------

Era uma vez ...um povo que vivia
subjugado a uma guerra
numa terra ...
com cheiro a morte!
Um dia...alguém lhes veio contar...
que havia um paraíso ...
num lugar longínquo
lá para o Ocidente...
onde era feliz muita gente!
Então partiram aos milhares
de mãos vazias...
levados por ventos de esperança !
Fugiam ao inferno
da guerra que os vencia
e apesar de destino incerto...
esperavam encontrar..
um tempo de bonança !
Enfrentaram um mar hostil
que a tantos matou ...
para além de muitos mil
e todos sofreram privações !
Quando chegados...
ao paraíso anunciado
perderam o encanto ...
dos sonhos e ilusões
com os impiedosos ...
fantasmas levantados!!!!

10-01-18 maria g.





 ERA UMA VEZ QUATRO AMIGOS

Era uma vez quatro amigos
um flamingo e um casal de
gaivotas e seu filhote ...
Um dia resolveram ir à conquista da liberdade.
O flamingo procurou as margens do rio para passear,
as gaivotas voaram em direcção ao mar...
Os dias passaram, as gaivotas brincavam à beira da praia
a comerem o seu peixinho, a brincarem com as conchas,
a ouvir as ondas do mar e a brincarem com o seu filhinho ...
O flamingo , mais triste sem os seus amigos, passeava pelas
margens do rio a olhar para o ar, para descobrir nas nuvens
as gaivotas que andavam a voar ...
O vento passava a uivar, as gaivotas não conseguiam parar
de voar pois o vento empurrava-as com toda a força, até que
avistaram o seu amigo flamingo nas margens do rio a brincar .
As gaivotas começaram a chamá-lo para que ele pedisse ajuda para elas conseguirem parar de voar, junto de um abrigo.O flamingo começou a grasnar e um barco por milagre ali passava a navegar, começou a flutuar de mansinho e as
gaivotas ajudadas por uma brisa mais calma, no barco vieram pousar.Assim ,se encontraram de novo os quatro amigos, muito felizes por de novo estarem juntos e todos poderem conviver e brincar e nunca mais se separaram. Assim reza a história destes quatro amigos, que viveram muito felizes e nunca mais se separaram .

MARY HORTA  





 Era uma vez, um Mundo em extinção,
Onde para única salvação,
Era, só, procurar uma saída.
Por isso, um Flamingo, inventor,
Para salvar os outros desta dor,
Libertando-os de um fim tão trágico;
Criou um livro, tal qual uma nave,
Meteu em cada página, tudo que cabe,
Para partir para um Mundo Mágico.
E cada bicho, cantando e rindo,
Voaram com o seu amigo Flamingo,
Nesta viagem, só para sonhadores.
Criando um novo Mundo mais saudável,
Mais puro, mais terno e mais amável,
Deixando, só, no outro, os poluidores.

LAF10JAN2018 





 Á CONQUISTA

Plantei a semente
Num vaso com terra
Via crescer ....forte e sadia
Reguei com gosto
Fortaleci ,cada pedaço seu
Era um pouco meu
Floresceu na Primavera
Amor impera
Tudo ganha vida
Veio o Outono
Pétalas caíram
Amareleceu
Foi o frio
O triste abandono
Agora sem dono
Flor está carente
O sol se foi
As nuvens gotejam
Lareira acessa
Espera o Inverno
Flor recolheu
Ao amargo da terra
Escondida
Olha á sua volta
Conquista sozinha
Lugar de princesa
Com real certeza
Espera o Verão
Estação despojada
De preconceitos
Amores a seu jeito
Está determinada
Voltar a crescer
No mais lindo vaso
Daquela janela
Que espera por ela
Flor....

Anabela Fernandes 




 Era uma vez...

QUANDO!
Eu era pequenina, a(inda)
aprendi a contar até três,
Depois, cresci mais um pouquito
e aprendi a contar até dez.
E depois por aí fora,
aprendi a ler.
Fui adolescente
e de ir à vida... Chegou a hora.
Fui sem demora!
Fui determinada!
Aprendi que a vida, é uma jornada.
E depois... Depois, fui criando a minha estória.
Talvez a minha história seja a de alguém sem glória
mas o que fui fazendo, foi feito numa vida a dois
numa vida calma, uma vida de família e constituição
uma vida vivida com sentimento, bons valores e paixão.
Também encontrei pedras no caminho
e também tive medos... Medos medonhos.
E com tudo isto construí um castelo de sonhos.

Sonhos que sonhei...
Uns que perdi, outros, que realizei.

Amei...
Amei tanto, até o coração me doer.
Amei, e amo a(inda) casei, tive filhos, tenho netos,
Plantei uma árvore, escrevi um livro com amor
e dei-lhe como titulo, ''Na Eessência de uma Flor''

E a seguir... Não sei...
Não sei o que a(inda) serei.
Estou nas mãos de Deus,
ou de quem me domina.
Não sei ao certo quem É...
Eu chamo-lhe de Deus, o Nosso Criador,
Aquele que deu continuidade a esta menina.
Hoje MULHER.

Florinda Dias 




 Era uma vez…
A era da era
Já era!
Muitas eras têm havido
Há quanto tempo foi isso…
A era do desperdício?
A era já levou o tempo
Sim era nada havia!
Foi a escrita que nos contou.
Aquelas eras
Vão muito longe
Lonjuras e séculos de tempos
De damas e cavalheiros,
Nos passeios a passear
E no coche a descobrir
Os divertimentos e a luxuria.
Dos tempos de pés descalços,
Pelas calçadas e vielas
Sombrias, a cheirar a jaquinzinhos…
Pelas tabernas
E pelo fado,
E as marias Severas eram…
Peixeiras esbeltas
Exibindo as ancas
Levando o peixe fresco
Aos endinheirados
Dos negócios abastados.
Uma azáfama naquele cais
De pedintes a coxear
Para juntar pro jantar.
A era do marquês
Que tanto fez
Por essa Lisboa
Ficou na história
Assim é que foi
Melhor que o rei…
A era lembrada
As estórias escritas
Nos livros que li
E tanto aprendi!
Em todas as eras
Houve Primaveras
Agora não tanto!
Ainda as há…
Mas fora do tempo!

Fernanda Bizarro

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