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Ainda Há Natal 2019

Iniciativa  “AINDA HÁ NATAL”


Amigos Sorridentes

Caminhamos ao encontro do Natal, a passos largos. Como nunca sei quando posso vir aqui e quando venho o tempo não é muito, deixo já a iniciativa de Natal no ar. Assim, quem quiser participar terá tempo mais do que suficiente e a partir de hoje já podem enviar os vossos escritos.
Como prémios temos dois livros oferecidos…Um pelo Celso Cordeiro, outro pelo José Martinho e é possível que o Pai Natal traga mais alguma coisa.



PRÉMIOS A ATRIBUIR 


Informações complementares, no Grupo. Consultem.

Helena Santos

25-10-2019 


 03-12-2019

VENCEDORES DA INICIATIVA

1º LUGAR
Renato  Valadeiro


2º LUGAR
Maria Gonçalves
  

POEMAS MAIS VOTADOS

1º - Poema número 15 - Renato Valadeiro - O NOSSO NATAL – 4 votos
2º - Poema número 35 – Maria Gonçalves - SERÁ NATAL – 3 votos

VOTANTES:
José da Nave
Rosete Cansado
Fátima Andrade
Fátima Roque
Alice Cunha
Carlota Canha
Hermínio Mendes

VOTAÇÕES – Na coluna da esquerda está o número do poema e na da direito o número de votos
7 - 1
8 – 1+1
9 – 1
15 – 1+1+1+1
16 – 1
20 - 1
22 – 1
25 - 1
27 – 1
28 – 1
30 - 1
31 - 1
32 – 1
35 – 1+1+1
39 - 1 





1 -
NATAL

É uma mágica quadra
Onde as famílias se reúnem
Chamamos-lhe a consoada
Majestosa e encantada
Nossas vidas se unem
Em harmonias empolgadas.

Entre risos e alegria
As crianças se divertindo
Aguardando pela ceia
Entoam cânticos lindos.

Após a ceia de Natal
Jesus no seu presépio
Através do Pai Natal
Deixa prendinhas e afeto.

Mas nem tudo foi assim
Quando Jesus veio ao mundo
Ele nasceu em Belém
Entre palhinhas deitado
Com o burrinho e a vaquinha
Que com o bafo o aqueciam
Estando um de cada lado.

Naquela manjedoura
Entregue à sua mãe
Jesus humilde e pobre
Com S. José seu pai
E o anjo que guiando
Com a estela a brilhar
Iam todos correndo
A Jesus adorar.

Viajando de longe
Chegavam os Reis Magos
Trazendo nos seus alforges
Ouro incenso e mirra
Que ao Salvador entregaram.

Ao seu esplendoroso nascimento
Cheio de simbolismo e consolação
Veio até nós como humano
Sofrer nossa expiação.

Lurdes Bernardo



2 -
POEMA DE NATAL

Gostaria que neste Natal
Me lembrasse dos que vivem em guerra
Para poder criticar os que fazem mal
Destruindo famílias e a sua própria terra

Gostaria de me lembrar dos desesperados
Daqueles que vão perdendo a confiança
Fazer por eles uma prece
Para não perderem a esperança

Gostaria de esquecer as tristezas
Do ano que está quase a terminar
Lembrar-me apenas das alegrias
Que vivi com familiares e amigos no meu lar

Gostaria que todos tivessem alimento
Que se acabasse com a fome
Que tantos passam neste momento
Limitando-se  a verem, quem come

Gostaria que houvesse
Para todos um mundo justo
Mas assim não acontece
Porque este mundo é injusto

Gostaria que todos tivessem um lar
Que não dormissem nas ruas
Que os homens deixassem de bombardear
As casas que não são suas

Gostaria que todos perdoassem
A quem os magoou
E que se lembrassem
Que Deus, também perdoou

José Martinho


3 -
CONTRASTES

Sim, ainda há Natal, porém, frequentemente,
passado em hotéis e restaurantes.
Longe vai o tempo, quando vivido à lareira,
a reunir a família, com avós e netos em salutar convívio.
uns, regressando ao passado, os outros narrando
os recentes factos da vida da escola e das brincadeiras,
enquanto as gentes se reuniam à volta do madeiro,
se aquecendo , dialogando a contar as novidades.
Hoje, conversam sobre as vivências havidas
nos centros comerciais, enquanto compram as prendas,
por vezes, a despachar, pois o tempo urge.
E, olhando para o rol, desabafam, falta ainda tanto …

José da Nave


4 -
CONTO, DESSA VERDADE NATAL
Natal é aconchego, luzeiro de amor no peito aceso, é uma centelha de luz que embrulha e enobrece a nossa memória vestida de saudade.
Natal de antanho, narração dessa história de amor inigualável.
Quando um casal unido por amor, resguardava essa ventura de saber que no seio de Maria a flor crescia.
Ah!
Já no tempo antigo secular, um rei havia.
Herodes era seu nome. De palavras tão severas era esse rei vestido, por seus soldados temido, obedecido.
Herodes homem mau a ordem deu.
Soldados, ide por caminhos isolados, a toda a criança encontrada, dos braços da mãe
arrancai.
Ide! Cumpri sem temor a ordem real.
Desaustinados partiram os soldados, levando os ouvidos de medo atulhados para não escutarem os gritos horrorosos, estilhaços lancinantes dos seres inocentes e das mães, mulheres de coração retalhado, onde só havia amor, sem culpa nem pecado.
Havia um rasto de sangue e dor, corpos de anjos, nos braços da morte sem abraços.
Dizem!
Era uma noite gélida escura, só as estrelas como cristais acesos, faziam a diferença sempre dita!
Natal noite de paz e harmonia.
Num jumento cansado ia Maria. Num paciente murmúrio proferiu, José é chegada a hora.
Desviaram da trilha térrea procurando no telheiro abrigo.
Na meda de feno já Maria paria esse menino que sabia, rei era sem ouro nem manto, mas à sua voz o mar acalmaria.
E no gesto nobre de nascer, o rosto de Maria gotejava gotas de suor, sal e amor.
Pariu com dor o ser frágil e perfeito. Atearam-se os olhares de José e Maria, raios de luz, brilho, cantar de amor. Viram seus olhos muito mais além a dura escalada do caminho. Maria, mãe tinha o ser nascido estreitado contra o peito, balbuciou com amor.
Jesus meu filho amado.
Chegou até hoje esta mensagem. Rasgou seculares gerações, mudou talvez um pouco a nitidez desta história que contamos, uns dizem ser exemplo de humildade...
Outros vagueiam com olhos marejados as ruas iluminadas da cidade.
De conforto nada! De amor só a palavra quebrada, soletrada, os demais, os que amam e repartem, vêm em qualquer cantinho um presépio, no qual mãe e pai olham com enlevo a flor nascida na noite vestida de penumbra gélida.
Ao longe melodias, os anjos não se elevam, crer em cânticos de hosana nas alturas, como?
Neste mundo onde prospera a desumanidade.
Rei Herodes é um mito cheio de rancor.
Mas cegos são nossos olhos
Mudos nossos lábios
Está trancada e gasta a palavra amor.
Certo é!
Que Natal é união, partilha e amor.
Esteja nosso coração em festa. Há ainda Natal para quem acredita e pratica o amor.

Augusta Gonçalves

5 -
O REGRESSO DO IMIGRANTE

  Manel estivera na Venezuela durante 40 anos. Durante todos esses anos o Natal foi para ele uma época muito triste, pois lembrava-se sempre da sua família do Norte fazendo a lapinha e indo as missas do Parto.
Na Venezuela passava o Natal sozinho bebendo um copo de vinho, e depois mandava um postal a família para saber das novidades e para que a mãe fica-se com o coração descansado.
Tal como tantos sai da sua querida ilha em busca de vida melhor. A vida na agricultura já não era suficiente para sua sobrevivência. Quando consegue ter a fortuna almejada decide regressar na época natalícia.
Mas chegara atrasado. As missas do parto haviam acabado. Os “brincos” que tanto queriam ouvir deixaram de tocar. Ao menos ia a missa do galo.
   Ao chegar na Ponta Delgada sorriu. Nada havia mudado apesar dos 40 anos afastado. A sua casa era para cima da igreja. Entrou de mansinho. Não tinha comunicado, nem mesmo a mãe que nesse ano passaria o Natal.
“ Meu Manel! Estarei vendo bem. És mesmo tu, filho?”
“ Sim mãe. Regressei para ficar. E não volto mais.”
“ Que alegria! Vamos todos agradecer ao Menino Jesus. Que trouxe o nosso Manel salvo a casa”
  E assim homens e mulheres passaram essa noite toda a rezar. A lapinha estava feita em escadinha com o Menino no topo acompanhado com laranjas e maças a acompanhar. Para decorar também tinham as “cabrinhas” e os “sapatinhos”.
No dia seguinte era a véspera de Natal. Manel e toda a sua família foram a missa de Natal. Adoravam ouvir as músicas de Natal e a encenação do acto de Natal. Quando o anjo cantava, a mãe de Manel sempre chorava.
“ Como a rapariga tem uma voz divina! Foi nosso senhor que lhe deu”
Como eram uma família pobre não tinham prendas para partilhar. Contudo Manel trouxera algumas. E a mãe preparou naquele Natal com a ajuda do seu filho Manel a melhor ceia de sempre. Não faltava a carne de vinha de alhos, o peru recheado, o caldo de galinha, a espetada, o bolo de mel e o bolo de rei.
Para o ano Manel ouviria as missas do parto. Sua mãe lhe disse que era o que lembrava o Natal. E Manel concordou. A música não faltaria naquele natal daquela tão pobre família.

Sara Jesus

6 -
NATAL É AMOR

Celebremos o Natal com amor e reflexão…
A noite estava fria, as estrelas brilhavam no céu…
Os pastores guardavam os seus rebanhos no campo!
Eis que surge uma estrela com um brilho muito intenso…
Como que avisando que algo muito importante, aconteceu.
Todos os homens que eram humildes
Tiveram esta bela visão, seguiram a estrela com alegria,
A estrela fixou-se na entrada de um pequeno estábulo…
Ao entrarem os pastores viram o menino, igual a todos nós,
Mas diferente. O Salvador do Mundo nascera…
Todos se prostrarem por terra e louvaram a Deus…
Jesus foi concebido pelo Espirito Santo no ventre da Virgem
Maria. Podia ter nascido num berço de oiro, num palácio…
Mas nasceu como todos nós, humanado, para transmitir-nos
O seu amor, a sua humildade, a sua generosidade
Que não existem diferenças entre os homens e que todos
Somos irmãos…
Que este seja o espírito de celebrarmos o Natal,
Que haja o amor entre todos os povos, e generosidade,
Que haja bondade e felicidade,
Alimentos para quem tem fome,
Roupa para quem tem frio,
Saúde para quem está doente e sofre,
Um lar para quem não tem abrigo,
São dádivas que quem ama almeja.
Que se risque da estrada da vida…
As guerras, o ódio, a mentira, as diferenças,
E o sofrimento…
Assim o Natal terá mais sentido e será vivido
Em partilha e de mãos dadas…
Sei que é apenas um sonho o meu desejado
Mas com o meu sonho serei mais feliz…
Um Natal doce em amor, alquimia, e muita Paz

Rosete Cansado



7 -
OUTROS TEMPOS

Quanta nostalgia
nas velhas lembranças
adornadas de inocência
encanto e fantasia.

Parece-me ouvir
nos ecos distantes
as conversas amenas
e saudosas
noite inteira
à volta da lareira.

Ainda sinto
os cheiros
doces e quentes
das delícias da consoada
acabadas de fazer
postas na mesa
sobre toalha de linho
de azevinho enfeitada.

Ficou tatuada em mim
a alegria então sentida
dos presentes esperados
pelo tempo de Natal
dentro do sapatinho.

Maria Gonçalves


8 -
AFINAL AINDA HÁ NATAL

Chega no inverno e em dezembro
E com ele chega a soma a idade
À lareira falta a gente que me lembro
E o vazio dos lugares que dá saudade.

É Natal que aparece friorento
As crianças ficam cheias de alegria
E as famílias aproveitam o momento
Pois não tarda e logo a casa está vazia.

Afinal ainda há Natal e o seu recheio
E desejo de aconchego sempre eterno
Porque o homem no seu louco devaneio
E faz da Terra o refúgio do Inferno.

Há na fé de um Messias verdadeiro
O desejo de uma prenda de sossego
Sem vaidades nem a gula do dinheiro
E a alegria e a paz em vez do medo.

É Natal que nos traz bons sentimentos
E os desejos de uma Terra prometida
Uma quadra que nos traga bons momentos
E um ano que renove a nossa vida.

Hermínio Mendes


9 -
O MENINO CHORAVA

O menino chorava.
E sua mãe consumida
Se interrogava:
-Será que tem fome?
Pedaço da minha vida,
Não sei que possa fazer...
Já não temos que comer!

Nossa senhora embalava
...E o menino chorava.
-Estará doente talvez?
Filho do meu coração
Doente não por favor...
Além de não termos pão
Também não temos doutor!

Nossa senhora embalava
...E o menino chorava.
A mãe aflita:
-Será que tem frio?
Toma esta mantinha rota!
Perante a sua desdita
Nossa Senhora cantou
...E o menino se calou!

Fátima Roque


10 -
O NATAL PELO MUNDO!!!

É Natal por esse mundo,
Quantos corações sem esperança,
Quantas lágrimas rolando,
No rosto de uma criança.
Ah! Se os homens compreendessem,
O verdadeiro sentido de Natal,
Com igualdade se amassem,
O mundo não seria tão desigual,
Natal é nascer todo dia,
É doar-se com gestos e amor,
É sempre levar alegria,
A quem tanto sofre e tem dor.
Natal sempre orar.
Por todos, por um irmão,
Dobrando os joelhos e clamar,
E pedir para todos o pão.
Natal é viver com emoção,
Em comunhão com Jesus,
Trazer o próximo no coração,
Como Jesus fez na cruz.
Natal! Em toda Natureza,
Há lágrimas, sorrisos, alegria,
Salve Jesus a harmonia, a pobreza,
Enchendo corações com sua melodia.
Que este dia possa trazer,
Momentos de fé, esperança porque afinal,
Que se possa enfim fazer,
Todos os dias Natal!!!

Carmen Bettencout


11 -
JESUS NASCEU

Jesus nasceu. Na abóbada infinita
soam cânticos, vivas de alegria;
E toda a vida universal palpita
dentro daquela pobre estrebaria...
Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
no berço humilde em que nasceu Jesus,
Mas os pobres trouxeram oferendas
para quem tinha de morrer na cruz.
Sobre a palha risonho, e iluminado
pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o menino Deus, que está cercado
dos animais da pobre estrebaria.
Não nasceu entre pompas reluzentes;
Mas na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
foi para os pobres seu primeiro olhar.
No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presépio os guiou
vêm cobrir de perfumes e de flores
o chão daquela pobre estrebaria.
Sobem hinos de amor ao céu profundo:
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal.
Natal! Natal! Em toda a natureza
há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve o Deus da humanidade e da pobreza
nascido numa pobre estrebaria.

Olinda Valadeiro


12 -
NATAL (UMA POESIA DIFERENTE)

As estrelas que vejo,
São as meninas dos seus olhos;
Que num breve lampejo,
Mostram sinais de almejo,
Por um Natal feliz!

Assim o diz a quem perguntam
Fungando um pouco o nariz:
-Foi por um triz que por pouco não alumiavam,
Estes corações cismados.

"Há  muito que não passavam,
Um Natal agasalhados
De amor, debaixo daqueles telhados".

O marido era um errante
Nunca estava presente.
A comida pouca!
Louca e dilacerante; doía a barriga
Àquela gente!

Rôta a alma, literalmente!

A mãe que chorava por comer;
Viu uma mesa farta,
Por nunca desistir - "Ah raios que t'partam!"
Insistir, tinha sido o verbo correto,
- Agora algo de concreto,
Tinha para o estômago encher!

"É assim que os Homens se comportam!"

Unidos por uma difícil vida,
Onde carregavam tal cruz;
Tocou-lhes o Senhor no coração,
E no dia do nascimento de Jesus,
Encheram-lhes a mesa de pão!

Pena que o Natal não possa ser todos os dias,
Não se observava tão dor igual.
Mas sabemos que tudo vai mal,
Esperemos então mais alegrias!

Bem sei que são só fantasias!

E a estrelas que vi brilhar nas duas meninas,
Foram agora o brilhar de quatro
As duas, as dos olhos da sua mãe,
As outras; as das filhas, que tem!!

Rosa Domingos

13 -
AINDA HÁ NATAL
Porque o Natal existe, sempre haverá algo que nos assiste, um carinho uma lembrança; uma bonança. Porque o Natal existe, a minha vida n’Ele persiste, fazendo com que o Natal possa ser todos os dias.
Tantas lembranças de um Natal que já me fugiu.
Os presentes mais valiosos seriam uma mesa cheia de afectos.
Árvore Geológica Natais de amor, aconteceram tantos anos e tantos dias, que me fui abraçando em enfeites de magias.
E assim apegada a essa magia, ainda é visível na minha árvore de Natal o brilho da Estrela de Luz que mostra o caminho ao menino Jesus.
Iluminada neste estado de graça sinto a irmandade,
Sinto o dom que tanto me pede para aderir à bondade e continuar a sonhar.
Ainda há Natal n’alguns lares.
Ainda há Natal no meu imaginário.
Ainda há Natal, não quero transmitir o contrário.
O Natal não muda, o que muda; é a vida da gente,
que fica num estado do não contente.
O Natal é apenas o aniversário de Jesus, é uma data a festejar, e só é consumismo; se monetariamente tivermos dinheiro para gastar.
O Natal é das crianças, festejamos esta data de luz!
e até elas acreditarem no Pai Natal…! Vamos deixá-las sonhar.
Ainda há Natal, no aconchego do meu lar.

Florinda Dias

14 -
UM MENINO NASCEU

Vi uma estrela
tão linda a brilhar
no céu tão azul
em noite de luar.

Era uma estrela
que brilhava além,
tão brilhante e linda,
era um menino no colo da mãe.

Um menino nasceu
com ele veio a alegria
na terra e no céu
filho da Virgem Maria.

Menino tão cheio de valor
ao mundo vieste
foste o salvador a terras de Belém,
chegaste sorrindo
e com as tuas mãos espalhaste o amor

Mary Horta


15 -
O NOSSO NATAL

Meu Natal é a teu lado
Numa mesa a abarrotar
Vai ser adocicado
Sempre pró Amor virado
Muita paixão pelo ar.


As tradicionais azevias
As lindas velas acesas
Recheadas de poesias
E o toque de melodias
É que serão as sobremesas!


A toalha por adorno
Terá bolinhas brilhantes
E o peru do nosso forno
Não nos causará transtorno
Nessa noite…dos amantes!


Jesus vai chegar veloz
Ver a neve d` algodão
No presépio estamos nós
Com o calor da nossa voz
Cheios de paz no coração!

Lá fora ainda que o frio
Regele o rosto a quem passa
Não iremos sentir vazio
Pois nosso lar é pousio
Rezando em acções de Graça!

Renato Valadeiro


16 –

PRENDAS DE NATAL

Peço neste Natal em tempo de guaridas
criança, pobre, velho, a quem tomou a dor
tenham, como presente, um pouco mais  de amor
mais pão e menos frio em suas parcas vidas.

É nesta intenção , pensar no Deus-Menino
nascido em berço de palhinhas como templo
querendo ao humano  , transmitir exemplo
humildade do Ser, tão breve e pequenino

que ao ver nas ruas , mendigos e tristeza
em multidões angustiados solitários
anónima pobreza em luto envergonhada ,

peço aos "senhores do mundo": tenham a nobreza
de sair do egoísmo!..tirem dos calvários
os que, além da dor , da fome, têm NADA!

Adelino Pais


17 -
Ainda há Natal
na caixa dentro do meu peito.
Nesta caixa de cores tantas...
alegres, cinzentas, brilhantes, com lantejoulas...
Camadas sobre camadas de cores.
Desde um seco jardim, a "um" repleto de flores.

Ainda há Natal
nas minhas mãos quando acarinham, protegem, mimam, e nas tuas se aquecem ao esfriarem.
No ombro amigo até as lágrimas secarem.

Naquele olhar sentido e profundo, por vezes até esquecido ou magoado.
Nas diferentes vozes do Mundo e naquele belo fado.
No riso infantil e inocente das crianças.
Nos sorrisos mil, trazendo bem-aventuranças.

Ainda há Natal na ponta da esperança, mesmo que seja somente na pontinha.
Na vaga lembrança de criança,
e do Natal que antes se tinha.

Nos dias menos bons
Nas noites escuras como o breu
No singrar da vida de vários tons
No vermelho fogo, que por vezes tinge o céu.

Ainda há Natal nos pequenos gestos, naqueles gestos preenchendo os espaços, os corações... Criando laços, transbordando de emoções.

Ainda há Natal,
ao fazermos alguém feliz.
Na partilha
Na amizade
Nos carinhos e até na saudade.
Na humanidade em união
No estender da mão...

... Ainda há Natal no meu coração

Fátima Andrade

18 -
HOUVE UM MENINO

Que a Virgem Maria gerou
Como qualquer ser humano
Que a este mundo chegou.

Foi o anjo Gabriel que anunciou
Que a Virgem Maria ia dar à luz
Uma criança chamada Jesus
A quem todos nós deveríamos
Escutar e seguir com a alegria
E como bons cristãos O amar.

Nas casas os enfeites de Natal
Nas mesas os ornamentos natalícios
Numa ceia familiar sem igual
Saem das arcas as toalhas bordadas
Os talheres e os serviços
Em porcelanas finas e belos castiçais
As mesas brilham festivas
Cheias de vida e alegres de mais.

Lurdes Bernardo


19 -
NESTE NATAL

Neste Natal não estou sozinho
Tenho uma família adorada
Na consoada vamos comer bacalhau e beber vinho
Até que chegue a madrugada

Neste Natal não vai ser como o ano passado
Foi um Natal bastante triste
Este ano, estou bastante esperançado
Que a infelicidade não persiste

Vai ser um Natal animado
A árvore de Natal, já tem muitos presentes
Mas entre nós já está combinado
Que serão distribuídos, pelos mais carentes

Natal não é sobre brinquedos
Sobre dinheiro também não
Natal é sobre alimentos
Que deverão ser doados, a quem não tem pão

O Natal é um dia feriado
É um dia com outro sabor
Que deverá ser comemorado
Pelas famílias, com muita paz e amor

Estou bastante convencido
Que vai ser um Natal diferente
Para recuperar o Natal perdido
Por me encontrar doente

A neve já está no chão
Está um frio de rachar
Tenho que aquecer meu coração
Para poder fazer uma doação
Aos sem abrigo, alimentos dar.

José Martinho


20 -
NOSTALGIA

Ainda, há Natal,
mas perdeu o perfume de outrora,
que relembro em nostalgia,
a procura do musgo para o presépio
e a sua composição, bem decorada.
A azáfama vivida em casa,
mãe e tias na cozinha
na confecção dos acepipes,
a pequenada inquieta, à espera, das prendas.
A ceia e a família sentada, em redor da mesa,
conversando acerca das novidades vividas,
especialmente as mais interessantes,
a provocar risos e comentários estimulantes.
E … do campanário da igreja soam os sinos,
chamando para a Missa do Galo.

José da Nave


21 -
O ACTO DE NATAL
  Ritinha adorava o Natal. Esperava ansiosa todo o ano para a chegada da festa. Não sou por causa do presépio e da árvore de Natal. Nem por causa das prendas. Ritinha adorava o Natal porque ela estava todos os anos na representação do acto de Natal. Ainda não havia representando nenhuma das personagens. Era apenas uma das meninas do coro.
Este ano seria diferente. Ela fora escolhida para fazer do Anjo. Seus pais estavam muito orgulhosos. Era o Anjo que anunciava a chegada do menino Jesus. Ritinha poderia finalmente brilhar.
Finalmente chegou o dia esperado. Ritinha jà estava preparada com a sua túnica branca e a areola na cabeça. Tinha passado os dias antecedentes a praticar e decorar todas as falas e canções.
A igreja estava cheia. Todo era luz. Os rostos brilhavam de alegria. Amigos se reencontravam. Pais perdoavam seus filhos. Até os mendigos eram convidados a entrar para serem parte desta grande partilha. No fim serviriam uma grande ceia de Natal em que os mendigos e os mais pobres poderiam se servir.
O acto havia começado. Ritinha cantou com a sua voz suave e encantou todos. O sonho estava comprido. Quando acabou foi com os seus pais ver as luzes e celebrar o Natal.

Sara Jesus


22 -
NATAL

Caiu a noite fria na cidade
Vaidosas as árvores alindadas de mil cores
Entoa aquela melodia suave que ajuda a ver anjos nas alturas.
As casas tinham olhos acesos nas janelas
Vidros embaciados, pelo calor dos corações.
Entoavam risos infantis
Como também faziam eco festivas palavras.
Na rua iluminada da cidade
Pés urbanos, cansados palmilhavam a vida
Tendo o coração solitário, gelara-lhes a dor no peito.
Mãos sem luvas, rosto sulcado e olhos baços.
Não era só um por outro na cidade,
Perdidos eram alguns,
Sombras esguias de caxecol ao vento.
Da altiva janela iluminada
Um rapazinho espreita curioso.
Descobre por entre a névoa difusa da cidade uma sombra frágil pequenina.
Chama, avó!
Olha avó caminha na noite um anjo sem asas.
Avó afagou o rapazinho, disse.
Não meu amor é uma menina.
Os olhitos vivos iluminaram-se.
Avó eu não sabia que havia meninos sós de noite.
Avó!
Vamos buscar essa menina, vamos mostrar-lhe o pinheirinho, vamos dar-lhe um presente de Natal.
Avó sentiu no peito esse pedido.
Pediu ao chaufer" Alexandre!"
 Desce apressado, vês aquela criança?
Corre não a percas, diz-lhe que tem à sua espera um presente de natal.
Os olhinhos de Francisco eram sóis iluminados, avó afagava-o com ternura.
Alexandre correra até essa menina,
Tremeu ao ver como era linda, com ternura na voz, perguntou?
Estás só? É Natal, queres um presente? Olha aquela janela iluminada,
Um menino te viu, tem para ti um presente.
A menina estendeu a mão pequena, tão friínha.
Suas pernas nuas deram aos seus gastos sapatos o voo de asas.
Entraram, ali já o aconchego se sentia. Havia cheiro a doces, havia luz, havia Natal.
Avó e Francisco esperavam-na. Avó levou-a até Matilde. Disse Matilde dá um banho morno a esta menina, Matilde enquanto a ensaboava ia-lhe perguntando seu nome e donde vinha. A menina brincava com a espuma do sabonete. Era uma criança linda, disse chamar-se Leonor, disse viver com o avô, que havia dias sem o ver.
Matilde vestiu Leonor com roupas de uma outra menina que já cá não estava, partira num dia incerto numa longa viagem, depois nascera Francisco que era alegria daquele lar.
Avó e Francisco esperavam a menina, surpreenderam-se como ela com banho e roupa airosa se tornara uma graciosa princesa de olhar azul e tez morena.
Francisco pegou-lhe na mão, levando-a até à sala iluminada. A mãe de Francisco pulou da cadeira ao ver aquela criança. Francisco pendurou-se ao pescoço da Mãe, disse-lhe ao ouvido.
Mamy temos aqui um belo presente de Natal.
O olhar daquela mãe brilhou, enlaçou a menina num abraço quentinho de ternura.
Seguiu-se a ceia, todos na mesma mesa, a família, Matilde, Alexandre, reinava ali uma união de almas, um secreto agradecimento por aquela menina que na noite de Natal caminhava só.
Passaram horas, os presentes foram entregues um a um, Francisco nada pedira a não ser ser feliz. Uma caixa enorme tinha seu nome, dentro da caixa dois livros, para pintar, lápis de cera, um retalho de arco íris...Uma caixa de chocolates.
Feliz, muito feliz, Francisco deu os chocolates à Leonor, rindo de mão dada como quem se conhece desde sempre, ajoelharam-se num recanto da sala a pintar os livros, ELE...com todas as cores do arco íris. Ela todas as luzes que se acenderam ali, tão diferentes das luzes altas dos candeeiros das ruas que eram sua casa, o teto era de brumas transparentes e lá tão longe brilhavam as estrelas.
Todos olhavam enternecidos para as crianças, porque Natal é amor, essa menina foi o brilho de todos os olhares e esse Natal, um Natal de AMOR!
No presépio o Jesus Menino adormecera.
Anjos misteriosos cantavam ao Jesus Menino filho de José e Maria.

Augusta Gonçalves


23 -
NATAL, NASCEU JESUS

No lar…Entre a família aconchegados
A lareira acesa a fumegar
O amor no coração, sem ilusão
Por todos os que nos estão próximos.
A desilusão por todos os que sofrem
Nada têm, nem ninguém
São rostos tristes e desconhecidos
Que pelas ruas vagueiam, sem abrigos
O Natal para eles é igual a todos os dias
Vasculhando as feridas que lhe foram impostas
Sem respostas, apenas desilusões…
Tanto se consome no Natal, 
É apenas isso e só isso…
Não há amor, piedade generosidade.
Sou Cristão. Creio em Deus e muito!
Mas o que sinto na alma, pela injustiça
Deste mundo conturbado…
Não me deixa ficar indiferente ao sofrimento.
Amo a minha família e estamos unidos em amor
No Natal…
Sou humana mas fico desiludida com a humanidade.

Rosete Cansado


24 -
O MEU NATAL

O meu Natal não tem neve
O meu Natal não tem pinheiros gigantes
O meu Natal não sabe a rabanadas ou tarte de maça

O meu Natal tem o sabor de cascas de tangerina
Usadas para o licor
Sabe ao conforto do caldo de galinha

O meu Natal significa o nascimento de Jesus
Partilha e união
Compaixão e entendimento.

O meu Natal é feito de presépios de lapinha
Missas da parto e muita alegria
Não faltando “ Noite feliz” acompanhando este advento!

Sara Jesus


25 -
BRILHOU UMA ESTRELA

Venham dos confins da terra
os que viram a estrela
quanto sua luz encerra
olhos ao céu para vê-la.

Venham de alma pura aberta
sem guerras, confrontações
cada um a hora é certa
abri à paz, corações.

E voltai alegremente
contai aos que estão além
nasceu Jesus em Belém...

dizei aos que são gente:
são urgentes mundos novos
com paz, amor, entre os povos!

Maria Gonçalves


26 -
NATAL DOS HUMILDES. (2)

No píncaro de um monte, uma aldeiazinha.
As casinhas simples, uma igrejinha.
Um sino cansado
Na torre cismada, entre o nevoeiro.

Eram poucos, tão poucos os que ali moravam.
Os avós eram velhos de coração puro
De olhares videntes, viam o passado
Futuro e modernidade lhes passava ao lado.

Meninos alguns de olhos profundos
Com o brilho do sol que enfeita o mundo
Brincavam felizes em bando voavam
Como aves que correm pelo paraíso.
Não havia muros, nem grades nem portas, perderam-se as chaves.
Era tudo deles, nas pedras e arribas, brincavam aos reis e castelos.
Elas princesas, eles garbosos fidalgos, cavaleiros
Desses que cavalgam entre os nevoeiros.

Já a neve bordava os caminhos
Dezembro chegava tão vagarosinho.
Na Igreja o presépio por todos foi feito
Com musgo e pinhas, mais umas pedrinhas
O jesus deitado já sob as palhinhas
Maria e José com seu terno olhar
O burrito, a vaquinha, o pastor a cabrinha.
A velhinha...essa imagem, que trazia para doar
Ao Menino.
Uma branca pombinha.

Ao presépio descia
Uma estrada ingreme de areia feita, desci
Um pouco inclinada chegava ao lugar
Onde nas palhinhas Jesus já estava.
E tantas figuras a simbolizar
Natal vestido desse gesto nobre de repartir e dar.

O vento cortava, a noite caíra
Nos lares pequeninos a chama brilhava.
Havia um gatinho ali bem quentinho.
Avó desfiava contas, o terço rezava,
O pai na vida pensava.

A mãe ligeirinha de face corada
Olhava o jantar ao lume a ferver.
Passava a ferro roupinha lavada.
O lugar do avô estava vazio
No natal passado ainda cá estava.

Contando os dias as crianças da aldeia sonhavam
Com a festa de Natal.
Sempre havia encanto na noite gelada
O pinheiro enfeitado de laços vermelhos
Um presente ou outro sempre aparecia
Coisa pouca para eles era alegria.

Tão poucos que eram
Todos se juntavam no salão da igreja
O natal passavam, a um canto a lareira
Todos aquecia.
Havia filhós feitas pelas avós
Aletria doce, cheirinho a canela.

O prior era um jovem negro por sinal
Tendo a família no além do mundo
Festejava o natal com todas da terra
Pregava a humildade tão fraternamente
Que em cada ser daquela terrinha
Ele via os seus, tão longe ele os tinha.
Mas amar a todos, sorrir, ser feliz.
É renovar a festa de Natal sempre em cada dia.
Há no ser humilde um natal constante.
Há nos seres mais simples, um coração de ouro,
Um olhar brilhante.
Tal como estrelas de luz faiscante.
É assim a vida um Natal constante.

Augusta Gonçalves


27 -
O NATAL QUE EU QUERIA!

Com um lápis de cor desenhei,
A bondade, felicidade, alegria,
Com uma borracha apaguei,
Ódio, guerra, sofrimento, mentira,
Este Natal eu queria.
Com uma moeda comprar alimento,
Para quem tem fome, sem comida,
Levar ao homem bom sentimento,
E tudo de bom que há na vida.
Um lar para quem não tem abrigo,
A felicidade do meu sonho,
O sonho que trago comigo,
E que com rabiscos desenho.
Fazer sorrir a quem chora,
Apagando toda a tristeza,
Levar amor, felicidade a qualquer hora,
Queria assim ,o Natal com certeza.
Sem que os homens se matassem,
Sem guerras sem sofrimento e dor,
Sem que as crianças chorassem,
Com fome, frio, sem terem nada e nem amor.
O desejado eu desenhei,
Apagando o que estava errado,
Com este Natal sempre sonhei,
Mas tudo está baralhado.
Levaria a cada coração, linda canção de embalar,
Enchendo-os de grande alegria,
Sentir o som poético de um tambor a rufar,
Assim um Natal eu queria!

Carmen Bettencourt


28 -
O NATAL DE JESUS

Ah, se os homens compreendessem,
O sentido real do Natal,
Se todos se amassem com igualdade,
Tivessem o amor, a caridade,
O mundo não seria tão desigual.

Natal, é quando se ora,
Quando dobramos os joelhos e se chora,
As lágrimas do seu irmão,
Que passa por você e mendiga,
Um teto, um pedaço de pão.

Natal é nascer todo dia,
É doar-se em gestos de amor,
É ser o sol que aquece,
Ao irmão que adormece,
Sem teto e sem cobertor.

Natal, é ser o acalento,
Da criancinha faminta,
Que te estende a mão,
Com os olhos marejados,
Ela suplica calada,
Um pouco do teu amor.

O Natal é todo dia,
Quando se dá alegria,
Quando somos uma luz,
Iluminando os caminhos,
De todos os nossos irmãos.


Natal é viver plenamente,
Em comunhão com Jesus,
Natal, é ajudar seu irmão,
A carregar a sua cruz,
Esse é o Natal verdadeiro,
Esse é o Natal de Jesus

Olinda Valadeiro


29 -
NATAL DE OUTRORA E DE AGORA

Na Mulher de hoje.
Ainda há Natal num sonho de menina, que nem por isso; era traquina.
Era sonhadora e sonhava tanto… acho que até sonhava; ser escritora.
Os sonhos eram sublimes e tranquilos como. Ela,
Não pedia muito, só queria ser entendida ao ser um ser amor, e ser protetora.
Não pedia muito, mas hoje com a evolução da vida; chega-se a interrogar!
- Como é possível nunca ter tido uma boneca para brincar?
- Como é possível nem sequer se lembrar de ter tido um brinquedo?
- Como é possível se ter feito numa menina que a chamam de luz?
- Como é possível ter tido tão pouco e querer hoje; dar tanto de Si?
É possível SIM, porque ainda hoje lhe chamam de; ‘’Menina Cristal’’ e tudo isto pela sua bondade, pela sua Fé e por adorar Jesus!
Ainda há Natal na base do seu afecto.
Embora ela saiba que nem por isso, está a viver num Mundo esplendoroso e correto.
Ainda há Natal, enquanto ela sonhar e achar que um dia tudo possa mudar.
Por assim se poder respirar num mundo de felicidade,
Bastando só haver, assim tão completamente
Homens de boa vontade.

Florinda Dias


30 -
ERA UMA ESTRELA

Era uma estrela
 tão brilhante e bela
brilhava no céu
 e em toda a terra.

Para os lados de Belém
nasceu num belo dia
um lindo menino
 filho da Virgem Maria.

Menino Jesus
menino tão belo
sonhaste nascer
 na noite do caramelo.

Ao mundo vieste
e muito sofreste
 pregado na cruz
por todos padeceste

Era uma estrela
tão cheia de luz
amou, sofreu e chorou,
o lindo Menino Jesus.

Mary Horta


31 -
AINDA HÁ NATAL

Ainda há natal?
Pergunto afinal
Se às vezes duvido!
A Noel escrevo
Mas já sem enlevo
Não atende ao pedido!

Será que morreu
Ou que adormeceu
E não quer acordar?
Vivo eu ansioso
E esperançoso
Para o ver voltar!

Mas ainda acredito
Que se houver um grito
Dorido do mundo!
Ele o vai ouvir
E logo a seguir
Volta num segundo!

Que não venha só
No velho trenó
Com as suas renas!
E a paz nos traga
Tal qual uma vaga
De brisas amenas!

Que todos os meninos
Escutem os sinos
Da torre real.
Pois quando o Amor supera
Até na Primavera
Diz-se que há natal.

Renato Valadeiro


32 -
VI UMA ESTRELA

Quando já esperança ninguém consegue tê-la
e antevê o fim da vida, a sua sorte
nos olhos do enfermo em seu leito de morte
em tempo de Natal eu vi uma estrela!

Do pobre que resiste, a vida quer mantê-la
com angústia, com fome, o parco pão mendiga
a rua, sua casa, frio que fustiga
no Natal, no olhar, eu vi uma estrela!

Governos  que concedem míseros aumentos
aos velhos, inválidos, que não têm voz
(perderam dignidade, sofrimento atroz,):

a luz deste Natal lhes mude os sentimentos
(esta vida é fugaz, ninguém pode detê-la)
então possa dizer que vi uma estrela!

Adelino Pais


33 -
A AGUARDAR O DEUS MENINO

A aguardar o Deus menino,
Desde há 2019 anos
Como ele já está velhinho
Mas como nós o amamos.
Fez-se amor Ele entre nós
A dor do nosso pecado
Amor maior Ele nos deu
E mesmo assim
Não foi por nós amado.
Está sentado à direita
Do Pai
Aguardamos a sua chegada
Em ascensão celestial
Seu princípio e fim
Não têm época
Chegará sem demora
Em todo o seu resplendor
Ainda que já não seja pelo Natal
Irá chegar entre nós o Salvador.
 Novamente se doou e por nossos pecados
Se tornou também clemente.
Deus na terra ligação entre os homens
Que o Senhor nos traga a paz
Que prevaleça a união
Entre os povos
Isso muito o satisfaz.
Cheguemos até Ele em comunhão
Porque o Senhor além de nosso irmão
Morreu na cruz por nós, padeceu
E nem mesmo assim o mundo o acolheu.
Em todo o mundo o seu amor sem fim
É tão intenso que doou seu ser
Embora saiba que nem todos o querem
Ainda assim por Eles é o seu padecer.

Lurdes Bernardo


34 -
O NATAL

O Natal está a chegar!
Vamos todos festejar,
Com Paz e muito Amor
Com todos vamos partilhar.
Em Belém nasceu Jesus!
Concebido pelo Espírito Santo,
No ventre de Maria gerado,
Por ELES foi muito amado.
Nasceu Num velho estábulo!
Podia ter nascido como Rei,
Nasceu Como todos nós
Nasceu pobre e assim viveu.
Os pastores estavam no campo!
Os seus rebanhos a guardar
Foram avisados pel' o Anjo,
Que o foram muito adorar.
Uma Estrela no Céu brilhou,
Para os Reis Magos alertar,
Que tinha nascido o Salvador,
E também o foram adorar.
Levaram como presente!
Incenso, Ouro e Mirra
Que se traduz na vida,
O que eles tanto queria.
Nesta época tão festiva!
Que é de Paz e amor,
Lembremos os que sofrem,
E vivem com mágoa e dor.
Sejamos todos generosos!
E todos demos as mãos,
Fazendo a Deus uma prece,
Que ajude nossos irmãos.


Rosete Cansado


35 -
SERÁ NATAL

Será Natal
quando debaixo do mesmo céu
se possa viver em alegria...

Será Natal
quando se souber partilhar
o que cada um tem para dar...

Será Natal
quando formos capazes de sentir
a pureza de criança...

Será Natal
quando se sonhar ainda
com um mundo colorido
com as cores da esperança...

Será Natal
quando a palavra
na boca faminta
for canção...

É Natal
quando o amor
veste o corpo
frio de solidão!

Maria Gonçalves


36 -
CHEGOU O NATAL!!!

O Natal vem como vento,
Para reunir e formar laços,
Trazendo á humanidade o pensamento
Que é hora de abraços.

Quando o sino ouvir tocar,
Eu sei! Nasceu Jesus,
Em sua imagem vou orar,
Pregado naquela cruz.

Tempo de alegria e esperança,
No que o presépio irradia,
Aos olhos de uma criança,
Sorrindo de alegria.

Para que todos possam sentir,
A mensagem do Senhor,
Da época Natalícia, usufruir,
A paz, solidariedade, o amor.

Trazer esperança contida,
De amor e fraternidade,
Para haver mais sentido na vida,
Seja reciproca a amizade,

Amar, perdoar, qualidade de um cristão,
Não só em época de Natal,
Ter Jesus no coração,
É ser especial..

Esquecer a tristeza, cantar com alegria,
Serem sempre iguais,
Reunidos com amigos e família,
Sendo assim todos os Natais!!!

Carmen Bettencourt


37 -
MEU NINHO DE NATAL

Num misto de sentimentos,
E; sem esquecer os estados de confronto.

Não me anulo de dizer.
Ainda há Natal, na minha zona de conforto.

Tenho casa e Família, adultos e crianças à minha volta,
Sem por isso esquecer;
que são tantos os que vivem num ambiente de revolta.

Fizeram d’Eles seres assim ao abandono.
Sem abrigos!
Seres sem pão na mesa e nada de sobremesa,
sem afecto, sem Amor, sem amigos.

Natal é tão somente, uma Grande data a festejar,
é o Nascimento de Jesus,
Um ser iluminado. Um ser de Luz.

Ainda há Natal na minha casa, e; como essa data especial me seduz!
Lembro eu pequenina a pôr o sapatinho na chaminé, engraçado; não me lembro se havia brinquedos, mas sei que havia muita magia.
Lembro de quando os meus filhos eram pequeninos, e logo pela manhã corriam até à árvore de Natal e como ficavam felizes os meus petizes.
Hoje vejo os meus Netos na Noite da Consoada a pedirem que a meia noite chegue depressa.
E hoje, é no meio dessas emoções que fico tão feliz por os ver felizes!
E pelo meio, existe uma saudade tão profunda que a minha vida arremessa.
Ainda há Natal que se mistura na saudade de tanto encanto.
Existe, no brilho de uma estrela do céu,
a que me ilumina na luz do seu Manto e me transmite a Paz de ser.
De ser um ser Amor e me abraçar ao seu ADN na arte de escrever.
Ao dizer…! Sim ‘’Ainda há Natal’’
Enquanto (Eu) Viver.

Florinda Dias



38 -
BRILHO DAS LUZES EM TEMPO DE NATAL

Da minha janela
observo luzes a brilhar
que encadeiam o
meu olhar e projetam-se
em cada lar e espaço.
Têm uma história para contar, de início e fim a
vida começa e volta a recomeçar sem grandes
ilusões ou perfeições.
Da minha janela
sinto que é Natal,
momento
mágico de alegria,
momento de reflexão, de união, um momento que
é meu, teu e de todo o mundo, o Natal vive-se  e
sente-se em qualquer dia e
em qualquer lugar.

Carlota Canha


39 –
MEMÓRIAS DE NATAL.

Desponta aurora de mais um Natal
onde, entre prendas, vislumbrei teu rosto
num embrulho em que um sonho composto
se transformou, no tempo, em irreal!

Restam lembranças velhas que se apagam
como o madeiro que ardia na lareira
cinzas ficaram, memórias da fogueira
junto ao presépio, imagens que me afagam...

Tudo se foi na  voragem do vento
 pelo tempo consumido o advento
deixou ficar em mim eterno hino...

iluminado, bem dentro do peito
vejo um bercinho de palhinhas feito
sorrindo, para mim, o Deus-Menino!

Adelino Pais


40 -
CADA NATAL É DIFERENTE!

Dizem que o Natal está no ar
Trazendo à lembrança o sapatinho
E vem com amor, o mundo perfumar
Mas nele nem traz pr`a muitos um carinho!


Acenderam-se as luzes no pinheirinho
Só faltam acender-se n`alguns corações
Na voz quase rouca daquele vizinho
Que dele nem sente quaisquer vibrações!

Pois cada Natal, eu sei que é diferente
Para uns tão frio, pr`a outros tão quente
Há quem tenha tudo…alguns quase nada!


Por isso o clarão da Estrela de Belém
Ainda se esquece que existe também
Quem morra de fome…em tanta morada

Renato Valadeiro

…………………………………………………..FIM………………………………………




 01-12-2019
 POEMAS DA INICIATIVA PARA SEREM VOTADOS


1 -
NATAL

É uma mágica quadra
Onde as famílias se reúnem
Chamamos-lhe a consoada
Majestosa e encantada
Nossas vidas se unem
Em harmonias empolgadas.

Entre risos e alegria
As crianças se divertindo
Aguardando pela ceia
Entoam cânticos lindos.

Após a ceia de Natal
Jesus no seu presépio
Através do Pai Natal
Deixa prendinhas e afeto.

Mas nem tudo foi assim
Quando Jesus veio ao mundo
Ele nasceu em Belém
Entre palhinhas deitado
Com o burrinho e a vaquinha
Que com o bafo o aqueciam
Estando um de cada lado.

Naquela manjedoura
Entregue à sua mãe
Jesus humilde e pobre
Com S. José seu pai
E o anjo que guiando
Com a estela a brilhar
Iam todos correndo
A Jesus adorar.

Viajando de longe
Chegavam os Reis Magos
Trazendo nos seus alforges
Ouro incenso e mirra
Que ao Salvador entregaram.

Ao seu esplendoroso nascimento
Cheio de simbolismo e consolação
Veio até nós como humano
Sofrer nossa expiação.



2 -
POEMA DE NATAL

Gostaria que neste Natal
Me lembrasse dos que vivem em guerra
Para poder criticar os que fazem mal
Destruindo famílias e a sua própria terra

Gostaria de me lembrar dos desesperados
Daqueles que vão perdendo a confiança
Fazer por eles uma prece
Para não perderem a esperança

Gostaria de esquecer as tristezas
Do ano que está quase a terminar
Lembrar-me apenas das alegrias
Que vivi com familiares e amigos no meu lar

Gostaria que todos tivessem alimento
Que se acabasse com a fome
Que tantos passam neste momento
Limitando-se  a verem, quem come

Gostaria que houvesse
Para todos um mundo justo
Mas assim não acontece
Porque este mundo é injusto

Gostaria que todos tivessem um lar
Que não dormissem nas ruas
Que os homens deixassem de bombardear
As casas que não são suas

Gostaria que todos perdoassem
A quem os magoou
E que se lembrassem
Que Deus, também perdoou



3 -
CONTRASTES

Sim, ainda há Natal, porém, frequentemente,
passado em hotéis e restaurantes.
Longe vai o tempo, quando vivido à lareira,
a reunir a família, com avós e netos em salutar convívio.
uns, regressando ao passado, os outros narrando
os recentes factos da vida da escola e das brincadeiras,
enquanto as gentes se reuniam à volta do madeiro,
se aquecendo , dialogando a contar as novidades.
Hoje, conversam sobre as vivências havidas
nos centros comerciais, enquanto compram as prendas,
por vezes, a despachar, pois o tempo urge.
E, olhando para o rol, desabafam, falta ainda tanto …



4 -
CONTO, DESSA VERDADE NATAL


Natal é aconchego, luzeiro de amor no peito aceso, é uma centelha de luz que embrulha e enobrece a nossa memória vestida de saudade.
Natal de antanho, narração dessa história de amor inigualável.
Quando um casal unido por amor, resguardava essa ventura de saber que no seio de Maria a flor crescia.
Ah!
Já no tempo antigo secular, um rei havia.
Herodes era seu nome. De palavras tão severas era esse rei vestido, por seus soldados temido, obedecido.
Herodes homem mau a ordem deu.
Soldados, ide por caminhos isolados, a toda a criança encontrada, dos braços da mãe
arrancai.
Ide! Cumpri sem temor a ordem real.
Desaustinados partiram os soldados, levando os ouvidos de medo atulhados para não escutarem os gritos horrorosos, estilhaços lancinantes dos seres inocentes e das mães, mulheres de coração retalhado, onde só havia amor, sem culpa nem pecado.
Havia um rasto de sangue e dor, corpos de anjos, nos braços da morte sem abraços.
Dizem!
Era uma noite gélida escura, só as estrelas como cristais acesos, faziam a diferença sempre dita!
Natal noite de paz e harmonia.
Num jumento cansado ia Maria. Num paciente murmúrio proferiu, José é chegada a hora.
Desviaram da trilha térrea procurando no telheiro abrigo.
Na meda de feno já Maria paria esse menino que sabia, rei era sem ouro nem manto, mas à sua voz o mar acalmaria.
E no gesto nobre de nascer, o rosto de Maria gotejava gotas de suor, sal e amor.
Pariu com dor o ser frágil e perfeito. Atearam-se os olhares de José e Maria, raios de luz, brilho, cantar de amor. Viram seus olhos muito mais além a dura escalada do caminho. Maria, mãe tinha o ser nascido estreitado contra o peito, balbuciou com amor.
Jesus meu filho amado.
Chegou até hoje esta mensagem. Rasgou seculares gerações, mudou talvez um pouco a nitidez desta história que contamos, uns dizem ser exemplo de humildade...
Outros vagueiam com olhos marejados as ruas iluminadas da cidade.
De conforto nada! De amor só a palavra quebrada, soletrada, os demais, os que amam e repartem, vêm em qualquer cantinho um presépio, no qual mãe e pai olham com enlevo a flor nascida na noite vestida de penumbra gélida.
Ao longe melodias, os anjos não se elevam, crer em cânticos de hosana nas alturas, como?
Neste mundo onde prospera a desumanidade.
Rei Herodes é um mito cheio de rancor.
Mas cegos são nossos olhos
Mudos nossos lábios
Está trancada e gasta a palavra amor.
Certo é!
Que Natal é união, partilha e amor.
Esteja nosso coração em festa. Há ainda Natal para quem acredita e pratica o amor.



5 -
O REGRESSO DO IMIGRANTE

  Manel estivera na Venezuela durante 40 anos. Durante todos esses anos o Natal foi para ele uma época muito triste, pois lembrava-se sempre da sua família do Norte fazendo a lapinha e indo as missas do Parto.
Na Venezuela passava o Natal sozinho bebendo um copo de vinho, e depois mandava um postal a família para saber das novidades e para que a mãe fica-se com o coração descansado.
Tal como tantos sai da sua querida ilha em busca de vida melhor. A vida na agricultura já não era suficiente para sua sobrevivência. Quando consegue ter a fortuna almejada decide regressar na época natalícia.
Mas chegara atrasado. As missas do parto haviam acabado. Os “brincos” que tanto queriam ouvir deixaram de tocar. Ao menos ia a missa do galo.
   Ao chegar na Ponta Delgada sorriu. Nada havia mudado apesar dos 40 anos afastado. A sua casa era para cima da igreja. Entrou de mansinho. Não tinha comunicado, nem mesmo a mãe que nesse ano passaria o Natal.
“ Meu Manel! Estarei vendo bem. És mesmo tu, filho?”
“ Sim mãe. Regressei para ficar. E não volto mais.”
“ Que alegria! Vamos todos agradecer ao Menino Jesus. Que trouxe o nosso Manel salvo a casa”
  E assim homens e mulheres passaram essa noite toda a rezar. A lapinha estava feita em escadinha com o Menino no topo acompanhado com laranjas e maças a acompanhar. Para decorar também tinham as “cabrinhas” e os “sapatinhos”.
No dia seguinte era a véspera de Natal. Manel e toda a sua família foram a missa de Natal. Adoravam ouvir as músicas de Natal e a encenação do acto de Natal. Quando o anjo cantava, a mãe de Manel sempre chorava.
“ Como a rapariga tem uma voz divina! Foi nosso senhor que lhe deu”
Como eram uma família pobre não tinham prendas para partilhar. Contudo Manel trouxera algumas. E a mãe preparou naquele Natal com a ajuda do seu filho Manel a melhor ceia de sempre. Não faltava a carne de vinha de alhos, o peru recheado, o caldo de galinha, a espetada, o bolo de mel e o bolo de rei.
Para o ano Manel ouviria as missas do parto. Sua mãe lhe disse que era o que lembrava o Natal. E Manel concordou. A música não faltaria naquele natal daquela tão pobre família.



6 -
NATAL É AMOR

Celebremos o Natal com amor e reflexão…
A noite estava fria, as estrelas brilhavam no céu…
Os pastores guardavam os seus rebanhos no campo!
Eis que surge uma estrela com um brilho muito intenso…
Como que avisando que algo muito importante, aconteceu.
Todos os homens que eram humildes
Tiveram esta bela visão, seguiram a estrela com alegria,
A estrela fixou-se na entrada de um pequeno estábulo…
Ao entrarem os pastores viram o menino, igual a todos nós,
Mas diferente. O Salvador do Mundo nascera…
Todos se prostrarem por terra e louvaram a Deus…
Jesus foi concebido pelo Espirito Santo no ventre da Virgem
Maria. Podia ter nascido num berço de oiro, num palácio…
Mas nasceu como todos nós, humanado, para transmitir-nos
O seu amor, a sua humildade, a sua generosidade
Que não existem diferenças entre os homens e que todos
Somos irmãos…
Que este seja o espírito de celebrarmos o Natal,
Que haja o amor entre todos os povos, e generosidade,
Que haja bondade e felicidade,
Alimentos para quem tem fome,
Roupa para quem tem frio,
Saúde para quem está doente e sofre,
Um lar para quem não tem abrigo,
São dádivas que quem ama almeja.
Que se risque da estrada da vida…
As guerras, o ódio, a mentira, as diferenças,
E o sofrimento…
Assim o Natal terá mais sentido e será vivido
Em partilha e de mãos dadas…
Sei que é apenas um sonho o meu desejado
Mas com o meu sonho serei mais feliz…
Um Natal doce em amor, alquimia, e muita Paz


7 -
OUTROS TEMPOS

Quanta nostalgia
nas velhas lembranças
adornadas de inocência
encanto e fantasia.

Parece-me ouvir
nos ecos distantes
as conversas amenas
e saudosas
noite inteira
à volta da lareira.

Ainda sinto
os cheiros
doces e quentes
das delícias da consoada
acabadas de fazer
postas na mesa
sobre toalha de linho
de azevinho enfeitada.

Ficou tatuada em mim
a alegria então sentida
dos presentes esperados
pelo tempo de Natal
dentro do sapatinho.



8 -
AFINAL AINDA HÁ NATAL

Chega no inverno e em dezembro
E com ele chega a soma a idade
À lareira falta a gente que me lembro
E o vazio dos lugares que dá saudade.

É Natal que aparece friorento
As crianças ficam cheias de alegria
E as famílias aproveitam o momento
Pois não tarda e logo a casa está vazia.

Afinal ainda há Natal e o seu recheio
E desejo de aconchego sempre eterno
Porque o homem no seu louco devaneio
E faz da Terra o refúgio do Inferno.

Há na fé de um Messias verdadeiro
O desejo de uma prenda de sossego
Sem vaidades nem a gula do dinheiro
E a alegria e a paz em vez do medo.

É Natal que nos traz bons sentimentos
E os desejos de uma Terra prometida
Uma quadra que nos traga bons momentos
E um ano que renove a nossa vida.



9 -
O MENINO CHORAVA

O menino chorava.
E sua mãe consumida
Se interrogava:
-Será que tem fome?
Pedaço da minha vida,
Não sei que possa fazer...
Já não temos que comer!

Nossa senhora embalava
...E o menino chorava.
-Estará doente talvez?
Filho do meu coração
Doente não por favor...
Além de não termos pão
Também não temos doutor!

Nossa senhora embalava
...E o menino chorava.
A mãe aflita:
-Será que tem frio?
Toma esta mantinha rota!
Perante a sua desdita
Nossa Senhora cantou
...E o menino se calou!



10 -
O NATAL PELO MUNDO!!!

É Natal por esse mundo,
Quantos corações sem esperança,
Quantas lágrimas rolando,
No rosto de uma criança.
Ah! Se os homens compreendessem,
O verdadeiro sentido de Natal,
Com igualdade se amassem,
O mundo não seria tão desigual,
Natal é nascer todo dia,
É doar-se com gestos e amor,
É sempre levar alegria,
A quem tanto sofre e tem dor.
Natal sempre orar.
Por todos, por um irmão,
Dobrando os joelhos e clamar,
E pedir para todos o pão.
Natal é viver com emoção,
Em comunhão com Jesus,
Trazer o próximo no coração,
Como Jesus fez na cruz.
Natal! Em toda Natureza,
Há lágrimas, sorrisos, alegria,
Salve Jesus a harmonia, a pobreza,
Enchendo corações com sua melodia.
Que este dia possa trazer,
Momentos de fé, esperança porque afinal,
Que se possa enfim fazer,
Todos os dias Natal!!!



11 -
JESUS NASCEU

Jesus nasceu. Na abóbada infinita
soam cânticos, vivas de alegria;
E toda a vida universal palpita
dentro daquela pobre estrebaria...
Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
no berço humilde em que nasceu Jesus,
Mas os pobres trouxeram oferendas
para quem tinha de morrer na cruz.
Sobre a palha risonho, e iluminado
pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o menino Deus, que está cercado
dos animais da pobre estrebaria.
Não nasceu entre pompas reluzentes;
Mas na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
foi para os pobres seu primeiro olhar.
No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presépio os guiou
vêm cobrir de perfumes e de flores
o chão daquela pobre estrebaria.
Sobem hinos de amor ao céu profundo:
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal.
Natal! Natal! Em toda a natureza
há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve o Deus da humanidade e da pobreza
nascido numa pobre estrebaria.



12 -
NATAL (UMA POESIA DIFERENTE)

As estrelas que vejo,
São as meninas dos seus olhos;
Que num breve lampejo,
Mostram sinais de almejo,
Por um Natal feliz!

Assim o diz a quem perguntam
Fungando um pouco o nariz:
-Foi por um triz que por pouco não alumiavam,
Estes corações cismados.

"Há  muito que não passavam,
Um Natal agasalhados
De amor, debaixo daqueles telhados".

O marido era um errante
Nunca estava presente.
A comida pouca!
Louca e dilacerante; doía a barriga
Àquela gente!

Rôta a alma, literalmente!

A mãe que chorava por comer;
Viu uma mesa farta,
Por nunca desistir - "Ah raios que t'partam!"
Insistir, tinha sido o verbo correto,
- Agora algo de concreto,
Tinha para o estômago encher!

"É assim que os Homens se comportam!"

Unidos por uma difícil vida,
Onde carregavam tal cruz;
Tocou-lhes o Senhor no coração,
E no dia do nascimento de Jesus,
Encheram-lhes a mesa de pão!

Pena que o Natal não possa ser todos os dias,
Não se observava tão dor igual.
Mas sabemos que tudo vai mal,
Esperemos então mais alegrias!

Bem sei que são só fantasias!

E a estrelas que vi brilhar nas duas meninas,
Foram agora o brilhar de quatro
As duas, as dos olhos da sua mãe,
As outras; as das filhas, que tem!!



13 -
AINDA HÁ NATAL


Porque o Natal existe, sempre haverá algo que nos assiste, um carinho uma lembrança; uma bonança. Porque o Natal existe, a minha vida n’Ele persiste, fazendo com que o Natal possa ser todos os dias.
Tantas lembranças de um Natal que já me fugiu.
Os presentes mais valiosos seriam uma mesa cheia de afectos.
Árvore Geológica Natais de amor, aconteceram tantos anos e tantos dias, que me fui abraçando em enfeites de magias.
E assim apegada a essa magia, ainda é visível na minha árvore de Natal o brilho da Estrela de Luz que mostra o caminho ao menino Jesus.
Iluminada neste estado de graça sinto a irmandade,
Sinto o dom que tanto me pede para aderir à bondade e continuar a sonhar.
Ainda há Natal n’alguns lares.
Ainda há Natal no meu imaginário.
Ainda há Natal, não quero transmitir o contrário.
O Natal não muda, o que muda; é a vida da gente,
que fica num estado do não contente.
O Natal é apenas o aniversário de Jesus, é uma data a festejar, e só é consumismo; se monetariamente tivermos dinheiro para gastar.
O Natal é das crianças, festejamos esta data de luz!
e até elas acreditarem no Pai Natal…! Vamos deixá-las sonhar.
Ainda há Natal, no aconchego do meu lar.



14 -
UM MENINO NASCEU

Vi uma estrela
tão linda a brilhar
no céu tão azul
em noite de luar.

Era uma estrela
que brilhava além,
tão brilhante e linda,
era um menino no colo da mãe.

Um menino nasceu
com ele veio a alegria
na terra e no céu
filho da Virgem Maria.

Menino tão cheio de valor
ao mundo vieste
foste o salvador a terras de Belém,
chegaste sorrindo
e com as tuas mãos espalhaste o amor




15 -
O NOSSO NATAL

Meu Natal é a teu lado
Numa mesa a abarrotar
Vai ser adocicado
Sempre pró Amor virado
Muita paixão pelo ar.


As tradicionais azevias
As lindas velas acesas
Recheadas de poesias
E o toque de melodias
É que serão as sobremesas!


A toalha por adorno
Terá bolinhas brilhantes
E o peru do nosso forno
Não nos causará transtorno
Nessa noite…dos amantes!


Jesus vai chegar veloz
Ver a neve d` algodão
No presépio estamos nós
Com o calor da nossa voz
Cheios de paz no coração!

Lá fora ainda que o frio
Regele o rosto a quem passa
Não iremos sentir vazio
Pois nosso lar é pousio
Rezando em acções de Graça!



16 –
PRENDAS DE NATAL

Peço neste Natal em tempo de guaridas
criança, pobre, velho, a quem tomou a dor
tenham, como presente, um pouco mais  de amor
mais pão e menos frio em suas parcas vidas.

É nesta intenção , pensar no Deus-Menino
nascido em berço de palhinhas como templo
querendo ao humano  , transmitir exemplo
humildade do Ser, tão breve e pequenino

que ao ver nas ruas , mendigos e tristeza
em multidões angustiados solitários
anónima pobreza em luto envergonhada ,

peço aos "senhores do mundo": tenham a nobreza
de sair do egoísmo!..tirem dos calvários
os que, além da dor , da fome, têm NADA!



17 -
Ainda há Natal
na caixa dentro do meu peito.
Nesta caixa de cores tantas...
alegres, cinzentas, brilhantes, com lantejoulas...
Camadas sobre camadas de cores.
Desde um seco jardim, a "um" repleto de flores.

Ainda há Natal
nas minhas mãos quando acarinham, protegem, mimam, e nas tuas se aquecem ao esfriarem.
No ombro amigo até as lágrimas secarem.

Naquele olhar sentido e profundo, por vezes até esquecido ou magoado.
Nas diferentes vozes do Mundo e naquele belo fado.
No riso infantil e inocente das crianças.
Nos sorrisos mil, trazendo bem-aventuranças.

Ainda há Natal na ponta da esperança, mesmo que seja somente na pontinha.
Na vaga lembrança de criança,
e do Natal que antes se tinha.

Nos dias menos bons
Nas noites escuras como o breu
No singrar da vida de vários tons
No vermelho fogo, que por vezes tinge o céu.

Ainda há Natal nos pequenos gestos, naqueles gestos preenchendo os espaços, os corações... Criando laços, transbordando de emoções.

Ainda há Natal,
ao fazermos alguém feliz.
Na partilha
Na amizade
Nos carinhos e até na saudade.
Na humanidade em união
No estender da mão...

... Ainda há Natal no meu coração



18 -
HOUVE UM MENINO

Que a Virgem Maria gerou
Como qualquer ser humano
Que a este mundo chegou.

Foi o anjo Gabriel que anunciou
Que a Virgem Maria ia dar à luz
Uma criança chamada Jesus
A quem todos nós deveríamos
Escutar e seguir com a alegria
E como bons cristãos O amar.

Nas casas os enfeites de Natal
Nas mesas os ornamentos natalícios
Numa ceia familiar sem igual
Saem das arcas as toalhas bordadas
Os talheres e os serviços
Em porcelanas finas e belos castiçais
As mesas brilham festivas
Cheias de vida e alegres de mais.



19 -
NESTE NATAL

Neste Natal não estou sozinho
Tenho uma família adorada
Na consoada vamos comer bacalhau e beber vinho
Até que chegue a madrugada

Neste Natal não vai ser como o ano passado
Foi um Natal bastante triste
Este ano, estou bastante esperançado
Que a infelicidade não persiste

Vai ser um Natal animado
A árvore de Natal, já tem muitos presentes
Mas entre nós já está combinado
Que serão distribuídos, pelos mais carentes

Natal não é sobre brinquedos
Sobre dinheiro também não
Natal é sobre alimentos
Que deverão ser doados, a quem não tem pão

O Natal é um dia feriado
É um dia com outro sabor
Que deverá ser comemorado
Pelas famílias, com muita paz e amor

Estou bastante convencido
Que vai ser um Natal diferente
Para recuperar o Natal perdido
Por me encontrar doente

A neve já está no chão
Está um frio de rachar
Tenho que aquecer meu coração
Para poder fazer uma doação
Aos sem abrigo, alimentos dar.



20 -
NOSTALGIA

Ainda, há Natal,
mas perdeu o perfume de outrora,
que relembro em nostalgia,
a procura do musgo para o presépio
e a sua composição, bem decorada.
A azáfama vivida em casa,
mãe e tias na cozinha
na confecção dos acepipes,
a pequenada inquieta, à espera, das prendas.
A ceia e a família sentada, em redor da mesa,
conversando acerca das novidades vividas,
especialmente as mais interessantes,
a provocar risos e comentários estimulantes.
E … do campanário da igreja soam os sinos,
chamando para a Missa do Galo.



21 -
O ACTO DE NATAL


  Ritinha adorava o Natal. Esperava ansiosa todo o ano para a chegada da festa. Não sou por causa do presépio e da árvore de Natal. Nem por causa das prendas. Ritinha adorava o Natal porque ela estava todos os anos na representação do acto de Natal. Ainda não havia representando nenhuma das personagens. Era apenas uma das meninas do coro.
Este ano seria diferente. Ela fora escolhida para fazer do Anjo. Seus pais estavam muito orgulhosos. Era o Anjo que anunciava a chegada do menino Jesus. Ritinha poderia finalmente brilhar.
Finalmente chegou o dia esperado. Ritinha jà estava preparada com a sua túnica branca e a areola na cabeça. Tinha passado os dias antecedentes a praticar e decorar todas as falas e canções.
A igreja estava cheia. Todo era luz. Os rostos brilhavam de alegria. Amigos se reencontravam. Pais perdoavam seus filhos. Até os mendigos eram convidados a entrar para serem parte desta grande partilha. No fim serviriam uma grande ceia de Natal em que os mendigos e os mais pobres poderiam se servir.
O acto havia começado. Ritinha cantou com a sua voz suave e encantou todos. O sonho estava comprido. Quando acabou foi com os seus pais ver as luzes e celebrar o Natal.



22 -
NATAL


Caiu a noite fria na cidade
Vaidosas as árvores alindadas de mil cores
Entoa aquela melodia suave que ajuda a ver anjos nas alturas.
As casas tinham olhos acesos nas janelas
Vidros embaciados, pelo calor dos corações.
Entoavam risos infantis
Como também faziam eco festivas palavras.
Na rua iluminada da cidade
Pés urbanos, cansados palmilhavam a vida
Tendo o coração solitário, gelara-lhes a dor no peito.
Mãos sem luvas, rosto sulcado e olhos baços.
Não era só um por outro na cidade,
Perdidos eram alguns,
Sombras esguias de caxecol ao vento.
Da altiva janela iluminada
Um rapazinho espreita curioso.
Descobre por entre a névoa difusa da cidade uma sombra frágil pequenina.
Chama, avó!
Olha avó caminha na noite um anjo sem asas.
Avó afagou o rapazinho, disse.
Não meu amor é uma menina.
Os olhitos vivos iluminaram-se.
Avó eu não sabia que havia meninos sós de noite.
Avó!
Vamos buscar essa menina, vamos mostrar-lhe o pinheirinho, vamos dar-lhe um presente de Natal.
Avó sentiu no peito esse pedido.
Pediu ao chaufer" Alexandre!"
 Desce apressado, vês aquela criança?
Corre não a percas, diz-lhe que tem à sua espera um presente de natal.
Os olhinhos de Francisco eram sóis iluminados, avó afagava-o com ternura.
Alexandre correra até essa menina,
Tremeu ao ver como era linda, com ternura na voz, perguntou?
Estás só? É Natal, queres um presente? Olha aquela janela iluminada,
Um menino te viu, tem para ti um presente.
A menina estendeu a mão pequena, tão friínha.
Suas pernas nuas deram aos seus gastos sapatos o voo de asas.
Entraram, ali já o aconchego se sentia. Havia cheiro a doces, havia luz, havia Natal.
Avó e Francisco esperavam-na. Avó levou-a até Matilde. Disse Matilde dá um banho morno a esta menina, Matilde enquanto a ensaboava ia-lhe perguntando seu nome e donde vinha. A menina brincava com a espuma do sabonete. Era uma criança linda, disse chamar-se Leonor, disse viver com o avô, que havia dias sem o ver.
Matilde vestiu Leonor com roupas de uma outra menina que já cá não estava, partira num dia incerto numa longa viagem, depois nascera Francisco que era alegria daquele lar.
Avó e Francisco esperavam a menina, surpreenderam-se como ela com banho e roupa airosa se tornara uma graciosa princesa de olhar azul e tez morena.
Francisco pegou-lhe na mão, levando-a até à sala iluminada. A mãe de Francisco pulou da cadeira ao ver aquela criança. Francisco pendurou-se ao pescoço da Mãe, disse-lhe ao ouvido.
Mamy temos aqui um belo presente de Natal.
O olhar daquela mãe brilhou, enlaçou a menina num abraço quentinho de ternura.
Seguiu-se a ceia, todos na mesma mesa, a família, Matilde, Alexandre, reinava ali uma união de almas, um secreto agradecimento por aquela menina que na noite de Natal caminhava só.
Passaram horas, os presentes foram entregues um a um, Francisco nada pedira a não ser ser feliz. Uma caixa enorme tinha seu nome, dentro da caixa dois livros, para pintar, lápis de cera, um retalho de arco íris...Uma caixa de chocolates.
Feliz, muito feliz, Francisco deu os chocolates à Leonor, rindo de mão dada como quem se conhece desde sempre, ajoelharam-se num recanto da sala a pintar os livros, ELE...com todas as cores do arco íris. Ela todas as luzes que se acenderam ali, tão diferentes das luzes altas dos candeeiros das ruas que eram sua casa, o teto era de brumas transparentes e lá tão longe brilhavam as estrelas.
Todos olhavam enternecidos para as crianças, porque Natal é amor, essa menina foi o brilho de todos os olhares e esse Natal, um Natal de AMOR!
No presépio o Jesus Menino adormecera.
Anjos misteriosos cantavam ao Jesus Menino filho de José e Maria.



23 -
NATAL, NASCEU JESUS

No lar…Entre a família aconchegados
A lareira acesa a fumegar
O amor no coração, sem ilusão
Por todos os que nos estão próximos.
A desilusão por todos os que sofrem
Nada têm, nem ninguém
São rostos tristes e desconhecidos
Que pelas ruas vagueiam, sem abrigos
O Natal para eles é igual a todos os dias
Vasculhando as feridas que lhe foram impostas
Sem respostas, apenas desilusões…
Tanto se consome no Natal,
É apenas isso e só isso…
Não há amor, piedade generosidade.
Sou Cristão. Creio em Deus e muito!
Mas o que sinto na alma, pela injustiça
Deste mundo conturbado…
Não me deixa ficar indiferente ao sofrimento.
Amo a minha família e estamos unidos em amor
No Natal…
Sou humana mas fico desiludida com a humanidade.





24 -
O MEU NATAL

O meu Natal não tem neve
O meu Natal não tem pinheiros gigantes
O meu Natal não sabe a rabanadas ou tarte de maça

O meu Natal tem o sabor de cascas de tangerina
Usadas para o licor
Sabe ao conforto do caldo de galinha

O meu Natal significa o nascimento de Jesus
Partilha e união
Compaixão e entendimento.

O meu Natal é feito de presépios de lapinha
Missas da parto e muita alegria
Não faltando “ Noite feliz” acompanhando este advento!



25 -
BRILHOU UMA ESTRELA

Venham dos confins da terra
os que viram a estrela
quanto sua luz encerra
olhos ao céu para vê-la.

Venham de alma pura aberta
sem guerras, confrontações
cada um a hora é certa
abri à paz, corações.

E voltai alegremente
contai aos que estão além
nasceu Jesus em Belém...

dizei aos que são gente:
são urgentes mundos novos
com paz, amor, entre os povos!



26 -
NATAL DOS HUMILDES. (2)

No píncaro de um monte, uma aldeiazinha.
As casinhas simples, uma igrejinha.
Um sino cansado
Na torre cismada, entre o nevoeiro.

Eram poucos, tão poucos os que ali moravam.
Os avós eram velhos de coração puro
De olhares videntes, viam o passado
Futuro e modernidade lhes passava ao lado.

Meninos alguns de olhos profundos
Com o brilho do sol que enfeita o mundo
Brincavam felizes em bando voavam
Como aves que correm pelo paraíso.
Não havia muros, nem grades nem portas, perderam-se as chaves.
Era tudo deles, nas pedras e arribas, brincavam aos reis e castelos.
Elas princesas, eles garbosos fidalgos, cavaleiros
Desses que cavalgam entre os nevoeiros.

Já a neve bordava os caminhos
Dezembro chegava tão vagarosinho.
Na Igreja o presépio por todos foi feito
Com musgo e pinhas, mais umas pedrinhas
O jesus deitado já sob as palhinhas
Maria e José com seu terno olhar
O burrito, a vaquinha, o pastor a cabrinha.
A velhinha...essa imagem, que trazia para doar
Ao Menino.
Uma branca pombinha.

Ao presépio descia
Uma estrada ingreme de areia feita, desci
Um pouco inclinada chegava ao lugar
Onde nas palhinhas Jesus já estava.
E tantas figuras a simbolizar
Natal vestido desse gesto nobre de repartir e dar.

O vento cortava, a noite caíra
Nos lares pequeninos a chama brilhava.
Havia um gatinho ali bem quentinho.
Avó desfiava contas, o terço rezava,
O pai na vida pensava.

A mãe ligeirinha de face corada
Olhava o jantar ao lume a ferver.
Passava a ferro roupinha lavada.
O lugar do avô estava vazio
No natal passado ainda cá estava.

Contando os dias as crianças da aldeia sonhavam
Com a festa de Natal.
Sempre havia encanto na noite gelada
O pinheiro enfeitado de laços vermelhos
Um presente ou outro sempre aparecia
Coisa pouca para eles era alegria.

Tão poucos que eram
Todos se juntavam no salão da igreja
O natal passavam, a um canto a lareira
Todos aquecia.
Havia filhós feitas pelas avós
Aletria doce, cheirinho a canela.

O prior era um jovem negro por sinal
Tendo a família no além do mundo
Festejava o natal com todas da terra
Pregava a humildade tão fraternamente
Que em cada ser daquela terrinha
Ele via os seus, tão longe ele os tinha.
Mas amar a todos, sorrir, ser feliz.
É renovar a festa de Natal sempre em cada dia.
Há no ser humilde um natal constante.
Há nos seres mais simples, um coração de ouro,
Um olhar brilhante.
Tal como estrelas de luz faiscante.
É assim a vida um Natal constante.




27 -
O NATAL QUE EU QUERIA!

Com um lápis de cor desenhei,
A bondade, felicidade, alegria,
Com uma borracha apaguei,
Ódio, guerra, sofrimento, mentira,
Este Natal eu queria.
Com uma moeda comprar alimento,
Para quem tem fome, sem comida,
Levar ao homem bom sentimento,
E tudo de bom que há na vida.
Um lar para quem não tem abrigo,
A felicidade do meu sonho,
O sonho que trago comigo,
E que com rabiscos desenho.
Fazer sorrir a quem chora,
Apagando toda a tristeza,
Levar amor, felicidade a qualquer hora,
Queria assim ,o Natal com certeza.
Sem que os homens se matassem,
Sem guerras sem sofrimento e dor,
Sem que as crianças chorassem,
Com fome, frio, sem terem nada e nem amor.
O desejado eu desenhei,
Apagando o que estava errado,
Com este Natal sempre sonhei,
Mas tudo está baralhado.
Levaria a cada coração, linda canção de embalar,
Enchendo-os de grande alegria,
Sentir o som poético de um tambor a rufar,
Assim um Natal eu queria!



28 -
O NATAL DE JESUS

Ah, se os homens compreendessem,
O sentido real do Natal,
Se todos se amassem com igualdade,
Tivessem o amor, a caridade,
O mundo não seria tão desigual.

Natal, é quando se ora,
Quando dobramos os joelhos e se chora,
As lágrimas do seu irmão,
Que passa por você e mendiga,
Um teto, um pedaço de pão.

Natal é nascer todo dia,
É doar-se em gestos de amor,
É ser o sol que aquece,
Ao irmão que adormece,
Sem teto e sem cobertor.

Natal, é ser o acalento,
Da criancinha faminta,
Que te estende a mão,
Com os olhos marejados,
Ela suplica calada,
Um pouco do teu amor.

O Natal é todo dia,
Quando se dá alegria,
Quando somos uma luz,
Iluminando os caminhos,
De todos os nossos irmãos.


Natal é viver plenamente,
Em comunhão com Jesus,
Natal, é ajudar seu irmão,
A carregar a sua cruz,
Esse é o Natal verdadeiro,
Esse é o Natal de Jesus



29 -
NATAL DE OUTRORA E DE AGORA

Na Mulher de hoje.
Ainda há Natal num sonho de menina, que nem por isso; era traquina.
Era sonhadora e sonhava tanto… acho que até sonhava; ser escritora.
Os sonhos eram sublimes e tranquilos como. Ela,
Não pedia muito, só queria ser entendida ao ser um ser amor, e ser protetora.
Não pedia muito, mas hoje com a evolução da vida; chega-se a interrogar!
- Como é possível nunca ter tido uma boneca para brincar?
- Como é possível nem sequer se lembrar de ter tido um brinquedo?
- Como é possível se ter feito numa menina que a chamam de luz?
- Como é possível ter tido tão pouco e querer hoje; dar tanto de Si?
É possível SIM, porque ainda hoje lhe chamam de; ‘’Menina Cristal’’ e tudo isto pela sua bondade, pela sua Fé e por adorar Jesus!
Ainda há Natal na base do seu afecto.
Embora ela saiba que nem por isso, está a viver num Mundo esplendoroso e correto.
Ainda há Natal, enquanto ela sonhar e achar que um dia tudo possa mudar.
Por assim se poder respirar num mundo de felicidade,
Bastando só haver, assim tão completamente
Homens de boa vontade.



30 -
ERA UMA ESTRELA

Era uma estrela
 tão brilhante e bela
brilhava no céu
 e em toda a terra.

Para os lados de Belém
nasceu num belo dia
um lindo menino
 filho da Virgem Maria.

Menino Jesus
menino tão belo
sonhaste nascer
 na noite do caramelo.

Ao mundo vieste
e muito sofreste
 pregado na cruz
por todos padeceste

Era uma estrela
tão cheia de luz
amou, sofreu e chorou,
o lindo Menino Jesus.




31 -
AINDA HÁ NATAL

Ainda há natal?
Pergunto afinal
Se às vezes duvido!
A Noel escrevo
Mas já sem enlevo
Não atende ao pedido!

Será que morreu
Ou que adormeceu
E não quer acordar?
Vivo eu ansioso
E esperançoso
Para o ver voltar!

Mas ainda acredito
Que se houver um grito
Dorido do mundo!
Ele o vai ouvir
E logo a seguir
Volta num segundo!

Que não venha só
No velho trenó
Com as suas renas!
E a paz nos traga
Tal qual uma vaga
De brisas amenas!

Que todos os meninos
Escutem os sinos
Da torre real.
Pois quando o Amor supera
Até na Primavera
Diz-se que há natal.



32 -
VI UMA ESTRELA

Quando já esperança ninguém consegue tê-la
e antevê o fim da vida, a sua sorte
nos olhos do enfermo em seu leito de morte
em tempo de Natal eu vi uma estrela!

Do pobre que resiste, a vida quer mantê-la
com angústia, com fome, o parco pão mendiga
a rua, sua casa, frio que fustiga
no Natal, no olhar, eu vi uma estrela!

Governos  que concedem míseros aumentos
aos velhos, inválidos, que não têm voz
(perderam dignidade, sofrimento atroz,):

a luz deste Natal lhes mude os sentimentos
(esta vida é fugaz, ninguém pode detê-la)
então possa dizer que vi uma estrela!



33 -
A AGUARDAR O DEUS MENINO

A aguardar o Deus menino,
Desde há 2019 anos
Como ele já está velhinho
Mas como nós o amamos.
Fez-se amor Ele entre nós
A dor do nosso pecado
Amor maior Ele nos deu
E mesmo assim
Não foi por nós amado.
Está sentado à direita
Do Pai
Aguardamos a sua chegada
Em ascensão celestial
Seu princípio e fim
Não têm época
Chegará sem demora
Em todo o seu resplendor
Ainda que já não seja pelo Natal
Irá chegar entre nós o Salvador.
 Novamente se doou e por nossos pecados
Se tornou também clemente.
Deus na terra ligação entre os homens
Que o Senhor nos traga a paz
Que prevaleça a união
Entre os povos
Isso muito o satisfaz.
Cheguemos até Ele em comunhão
Porque o Senhor além de nosso irmão
Morreu na cruz por nós, padeceu
E nem mesmo assim o mundo o acolheu.
Em todo o mundo o seu amor sem fim
É tão intenso que doou seu ser
Embora saiba que nem todos o querem
Ainda assim por Eles é o seu padecer.



34 -
O NATAL

O Natal está a chegar!
Vamos todos festejar,
Com Paz e muito Amor
Com todos vamos partilhar.
Em Belém nasceu Jesus!
Concebido pelo Espírito Santo,
No ventre de Maria gerado,
Por ELES foi muito amado.
Nasceu Num velho estábulo!
Podia ter nascido como Rei,
Nasceu Como todos nós
Nasceu pobre e assim viveu.
Os pastores estavam no campo!
Os seus rebanhos a guardar
Foram avisados pel' o Anjo,
Que o foram muito adorar.
Uma Estrela no Céu brilhou,
Para os Reis Magos alertar,
Que tinha nascido o Salvador,
E também o foram adorar.
Levaram como presente!
Incenso, Ouro e Mirra
Que se traduz na vida,
O que eles tanto queria.
Nesta época tão festiva!
Que é de Paz e amor,
Lembremos os que sofrem,
E vivem com mágoa e dor.
Sejamos todos generosos!
E todos demos as mãos,
Fazendo a Deus uma prece,
Que ajude nossos irmãos.




35 -
SERÁ NATAL

Será Natal
quando debaixo do mesmo céu
se possa viver em alegria...

Será Natal
quando se souber partilhar
o que cada um tem para dar...

Será Natal
quando formos capazes de sentir
a pureza de criança...

Será Natal
quando se sonhar ainda
com um mundo colorido
com as cores da esperança...

Será Natal
quando a palavra
na boca faminta
for canção...

É Natal
quando o amor
veste o corpo
frio de solidão!



36 -
CHEGOU O NATAL!!!

O Natal vem como vento,
Para reunir e formar laços,
Trazendo á humanidade o pensamento
Que é hora de abraços.

Quando o sino ouvir tocar,
Eu sei! Nasceu Jesus,
Em sua imagem vou orar,
Pregado naquela cruz.

Tempo de alegria e esperança,
No que o presépio irradia,
Aos olhos de uma criança,
Sorrindo de alegria.

Para que todos possam sentir,
A mensagem do Senhor,
Da época Natalícia, usufruir,
A paz, solidariedade, o amor.

Trazer esperança contida,
De amor e fraternidade,
Para haver mais sentido na vida,
Seja reciproca a amizade,

Amar, perdoar, qualidade de um cristão,
Não só em época de Natal,
Ter Jesus no coração,
É ser especial..

Esquecer a tristeza, cantar com alegria,
Serem sempre iguais,
Reunidos com amigos e família,
Sendo assim todos os Natais!!!



37 -
MEU NINHO DE NATAL

Num misto de sentimentos,
E; sem esquecer os estados de confronto.

Não me anulo de dizer.
Ainda há Natal, na minha zona de conforto.

Tenho casa e Família, adultos e crianças à minha volta,
Sem por isso esquecer;
que são tantos os que vivem num ambiente de revolta.

Fizeram d’Eles seres assim ao abandono.
Sem abrigos!
Seres sem pão na mesa e nada de sobremesa,
sem afecto, sem Amor, sem amigos.

Natal é tão somente, uma Grande data a festejar,
é o Nascimento de Jesus,
Um ser iluminado. Um ser de Luz.

Ainda há Natal na minha casa, e; como essa data especial me seduz!
Lembro eu pequenina a pôr o sapatinho na chaminé, engraçado; não me lembro se havia brinquedos, mas sei que havia muita magia.
Lembro de quando os meus filhos eram pequeninos, e logo pela manhã corriam até à árvore de Natal e como ficavam felizes os meus petizes.
Hoje vejo os meus Netos na Noite da Consoada a pedirem que a meia noite chegue depressa.
E hoje, é no meio dessas emoções que fico tão feliz por os ver felizes!
E pelo meio, existe uma saudade tão profunda que a minha vida arremessa.
Ainda há Natal que se mistura na saudade de tanto encanto.
Existe, no brilho de uma estrela do céu,
a que me ilumina na luz do seu Manto e me transmite a Paz de ser.
De ser um ser Amor e me abraçar ao seu ADN na arte de escrever.
Ao dizer…! Sim ‘’Ainda há Natal’’
Enquanto (Eu) Viver.




 


38 -
BRILHO DAS LUZES EM TEMPO DE NATAL

Da minha janela
observo luzes a brilhar
que encadeiam o
meu olhar e projetam-se
em cada lar e espaço.
Têm uma história para contar, de início e fim a
vida começa e volta a recomeçar sem grandes
ilusões ou perfeições.
Da minha janela
sinto que é Natal,
momento
mágico de alegria,
momento de reflexão, de união, um momento que
é meu, teu e de todo o mundo, o Natal vive-se  e
sente-se em qualquer dia e
em qualquer lugar.



39 - 
MEMÓRIAS DE NATAL.

Desponta aurora de mais um Natal
onde, entre prendas, vislumbrei teu rosto
num embrulho em que um sonho composto
se transformou, no tempo, em irreal!

Restam lembranças velhas que se apagam
como o madeiro que ardia na lareira
cinzas ficaram, memórias da fogueira
junto ao presépio, imagens que me afagam...

Tudo se foi na  voragem do vento
 pelo tempo consumido o advento
deixou ficar em mim eterno hino...

iluminado, bem dentro do peito
vejo um bercinho de palhinhas feito
sorrindo, para mim, o Deus-Menino!





40 - 
CADA NATAL É DIFERENTE!


Dizem que o Natal está no ar
Trazendo à lembrança o sapatinho
E vem com amor, o mundo perfumar
Mas nele nem traz pr`a muitos um carinho!


Acenderam-se as luzes no pinheirinho
Só faltam acender-se n`alguns corações
Na voz quase rouca daquele vizinho
Que dele nem sente quaisquer vibrações!

Pois cada Natal, eu sei que é diferente
Para uns tão frio, pr`a outros tão quente
Há quem tenha tudo…alguns quase nada!


Por isso o clarão da Estrela de Belém
Ainda se esquece que existe também
Quem morra de fome…em tanta morada









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